A estrada da peregrinagem para o rock

A Nacional 301 liga Caminha a Extremo mas, acima de tudo, já ligou muitos festivaleiros à boa música

Se todas as estradas guardam histórias, poucas são aquelas que juntam nos mesmos mitos o ritmo bucólico do Minho com adrenalina rock ao longo de cinco décadas. A Nacional 301 liga Caminha a Extremo mas, acima de tudo, já ligou muitos festivaleiros à boa música.

Foi em 1971 que pela primeira vez esta estrada foi assaltada por milhares de pessoas, à boleia ou amontoadas em carrinhas de caixa aberta, contam as lendas, com Vilar de Mouros como destino. Nesse ano o cabeça de cartaz era Elton John, mas ainda se viviam os anos do “summer of love” e a motivação principal daquela geração era o contacto com a natureza.

E “natureza” é coisa que não falta na N301. Poucos quilómetros depois de Caminha já sentimos o verde do Alto Minho a dominar e, sempre ao lado do Rio Coura até Ribeirinho, vamos cruzar-nos com uma variedade de vida animal. Nestes montes e bosques são avistados corços, garranos, lobos e aves de rapina, inspirações que, no fundo, são perfeitamente adequadas aos rockers que aqui ainda passam.

estrada rock

De volta ao Coura

Apesar da distância, aqui já começamos a sentir a gradual passagem para a zona da Peneda-Gerês, que se acentua à medida que chegamos a Extremo. Mas antes disso, estes 52 quilómetros ainda guardam motivos de interesse para os festivaleiros. Depois de muitas curvas, a estrada volta a cruzar-se com o rio em Paredes de Coura, localidade que se tornou também mítica para os apreciadores de música portugueses.

Na Praia do Taboão, o festival já se repete desde 1993 e mantem acesa a chama no Minho, depois de Vilar de Mouros perder a glória original. Os cartazes apostam numa faceta mais indie da música moderna, sempre com a intenção de manter o nível de qualidade que aquele anfiteatro natural merece. Em 2015, não teremos música em Vilar de Mouros, mas Paredes de Coura estará de portas abertas entre 19 e 22 de Agosto.

A caminho de Extremo

Ao lado outra vez do Coura, os quilómetros que nos restam são menos frequentados mas não menos merecedores de atenção. Iremos cruzar-nos com antigas capelas, casas senhoriais e explorações agrícolas, sinais de um Portugal que tantas vezes esquecemos.

Chegados ao fim da viagem, em Extremo, temos que visitar o miradouro e os vestígios das fortificações antigas, mas está na altura de comer. Se ainda ninguém lhe revelou o segredo, nós deixamos-lhe uma pista… Sabe onde é que se come melhor em Portugal? Visite o Minho e depois responda-nos…