A paz de Troia

A península de Troia tem muitas mais coisas a oferecer e é mesmo um destino que satisfará todos os membros da família. Uma comprida língua de areia que fende o mar durante 25 quilómetros

Um nome evocador surge nos meus lábios quando penso em locais realmente incomparáveis da costa portuguesa. Sempre tive autêntica paixão pelas velhas histórias dos heróis gregos, e é por isso que sinto, desde muito miúdo, alguma coisa de especial quando penso na nossa península de Troia. Já se passaram muitos anos desde a minha primeira visita, mas procuro sempre que posso fazer uma escapadela para lá todos os verões, quando a canícula chama à porta com punho ardente.
Decerto, um dos seus atractivos é a difícil mistura de proximidade e distância. Proximidade porque é só conduzir menos de uma hora partindo de Lisboa. Distância porque oferece todo o charme e maravilhas de um destino muito mais longínquo. É pouco habitual encontrar locais com um equilíbrio assim tão preciso dos dois factores.

De Setúbal pode chegar-se até a Troia do modo que eu considero mais memorável: o catamarã. Na península, uma comprida língua de areia que fende o mar durante 25 quilómetros, combina-se o lazer mais convencional com uma carga histórica muito singular, herdeira da presença romana em volta da salga de peixe. Ocupadas pelos moradores romanos durante cinco séculos, constituem uma prova duradoura da importância da pesca desde tempos imemoriais no espaço que hoje conforma o nosso país.

Troia - Quilometrosquecontam
Mas a península tem muitas mais coisas a oferecer, e é mesmo um destino que satisfará todos os membros da família. Lá onde se encontra o rio Sado com o Atlântico, cria-se um entorno perfeito para a observação do golfinho, com avistamentos muito frequentes. Um passeio de barco pela zona é o melhor modo para aproximar-se destes vizinhos quase desconhecidos dos moradores da costa. Aliás, se quiser conhecer mais sobre a fauna da península, pode experimentar o Parque Natural da Serra da Arrábida ou a Reserva Natural do Estuário do Sado, onde uma miríade de pássaros fazem a sua vida quase alheios aos olhares curiosos dos turistas. Ainda, embora não própria da região, há mais um tipo de fauna que pode ser descoberta muito perto, no Badoca park. Veados, búfalos, avestruzes ou antílopes correm ao ar livre perante os olhos muito abertos dos miúdos.
Mas nem só de natureza vive o turismo. As paisagens são impressionantes e a fauna muito diversa, mas precisamos doutros motivos para passar aqui uns dias. A Marina de Troia é um deles, propícia para a prática do windsurf ou da vela, sendo muito frequentada no verão. Aliás, o campo de golfe desenhado por Bobby Jones oferece uma diversão muito atraente num dos locais melhor valorados da Europa para a práctica daquele desporto, onde se celebram algumas competições de âmbito internacional.

Praias e pinhais há muitos na península, como Comporta, Pego ou Carvalhal, que oferecem áreas de relaxe e lazer para toda a família à sombra dos pinheiros enquanto a leve brisa do mar traz o aroma do sal. A Lagoa de Melides e a Reserva Natural das Lagoas de Santo André e da Sancha ficam muito perto, mas, quando chegar a hora do almoço, nada como Pego para encontrar um bom restaurante especializado em peixe fresco. Afinal, os locais conquistam-nos pela gastronomia, não é?