Rota pelas Aldeias Históricas de Portugal

12 localidades que ajudam a explicar uma nação: as Aldeias Históricas de Portugal guardam paisagens e vestígios surpreendentes. Venha conhecê-las connosco!

Já cá estavam antes da nação nascer e são testemunhas vivas da importância das Beiras. As Aldeias Históricas de Portugal são ancestrais pontos de defesa das populações da raia e também pitorescos cartões postais. Nascidas no topo de escarpas e montes, sempre de olho vigilante, são monumentos talhados na pedra e roubados à natureza. Apesar de tudo o que as une, são aldeias singulares, cada uma com a sua forte personalidade e distinção. Venha connosco, de Almeida a Trancoso, conhecer as Aldeias Históricas de Portugal.

    Esta rede de aldeias foi criada em 1991 com uma lista de 10 nomes à qual se juntaram 2 em 2003. A lista completa inclui: Almeida, Castelo Mendo, Castelo Novo, Castelo Rodrigo, Idanha-a-Velha, Linhares da Beira, Marialva, Monsanto, Piódão, Sortelha, Belmonte e Trancoso. Em todas encontramos ainda vestígios medievais, ancestrais tradições e, em virtude do turismo, espaços bem conservados e respeitados. Vai descobri-las bem marcadas na paisagem quando, ao longe, avistar as suas torres e antigas muralhas. O resultado são soberbos cenários de um filme de fantasia ou série de televisão. Jogo de Tronos poderia muito bem usar esta vista e manter a credibilidade de Westeros, sem efeitos especiais ou animações. Não há dragões mas há cheiros de terra e a força da pedra para nos impressionar.

    Almeida

    Numa fortaleza com a forma de uma estrela de 12 pontas encontramos Almeida,  um magnífico exemplar das “Fortalezas de Vauban”. É um polígono hexagonal com os lados continuados por fortes baluartes, cercado a toda a volta por um fosso. Impressionante à distância, seduz-nos com o seu bom estado de conservação e pela vila que cresceu aqui dentro. Recomenda-se a visita ao Museu Militar, ao Palácio da Justiça, à Casa dos Governadores ou ao Picadeiro Real, entre outros.

    Belmonte

    Belmonte e a vizinha Covilhã estão conotados como poucas regiões portuguesas com os Descobrimentos marítimos Portugueses. Entre as curiosidades da história da vila está o facto de o navegador Pedro Álvares Cabral, ter nascido aqui. Muito relevante é também a tradição judaica da vila. A comunidade hebraica de Belmonte é herdeira directa da velha presença sefardita. Sobreviveu à Inquisição mantendo-se em segredo e tem hoje um museu que conta a história deste povo em Portugal.

    Castelo Mendo

    Castelo Mendo tem as muralhas e porta flanqueada por torres a recordar-nos a sua participação na Guerra da Restauração. Ainda sobrevivem edifícios dos séculos XV e XVI e uma bela igreja paroquial, mas parte da fortaleza foi destruída durante o terramoto de 1755. Vale a pena uma visita à Rua do Forno, para calcorrear a calçada medieval e ver as fachadas quinhentistas.

    Castelo Novo

    A região de Castelo Novo já é habitada desde a idade do Bronze, tendo-se consolidado com a presença romana. Deverá ter havido um “castelo velho” mas é com os templários que se constrói a atual fortificação. A vila estende-se pela encosta da Serra da Gardunha, de forma labiríntica. A irregularidade dos quarteirões, de dimensões e formas variáveis, as ruas de horizontes limitados, descrevendo traçados sinuosos, as travessas a atalhar caminhos, as escadas públicas a vencer desníveis e os inúmeros recantos e desacertos criados pelo difícil alinhamento das fachadas, são características bastante visíveis.

    Castelo Rodrigo

    Marofa

    No sopé da Serra da Marofa, entre os vales do Côa e do Águeda, fica Castelo Rodrigo, região de tradição vinícola, onde se produzem vinhos de elevada qualidade desde o século XII. No Convento de Santa Maria de Aguiar, foram os monges de Cister que iniciaram o trabalho na vinha há mais de oito séculos. Tomou partido por Castela na crise de 1383-85 e, já durante o período Filipino foi instituído como condado. Foi depois palco de cercos durante a Restauração mas tem ainda vestígios que sobreviveram depois à pólvora dos soldados franceses. Recomenda-se a visita às casas da Câmara e da Misericórdia, à Cisterna ou às ruínas do Palácio de Cristóvão Moura.

    Idanha-A-Velha

    Conhecida originalmente como Egitânia, Idanha-a-Velha era uma das mais vastas e opulentas cidades da Península. Sucessivamente saqueada, destruída e reconstruida por suevos, visigodos e árabes não conseguiu guardar sinais dessa antiga riqueza. Por alturas do reinado de D. Manuel I, uma praga de formigas resultou na migração de grande parte de população para Monsanto e Idanha-a-Nova. Ainda sobrevivem a Torre dos Templários ou a porta da Muralha Romana, mas mora aqui cada vez menos gente e o último censo só identificou 63 habitantes. Faça a passagem do rio Ponsul a vau, pisando as 43 pedras romanas ainda existente.

    Linhares da Beira

    Parte do sistema defensivo que guardava a Bacia do Mondego, Linhares guarda muitos traços do seu passado medieval. A 800 metros de altitude, sobre um penedo de forma irregular, o Castelo parece num equilíbrio precário. A igreja matriz está aqui desde o século XII, mas já no século XVI a vila conheceria maior crescimento. É dessa época que nos chegam o Pelourinho e a Igreja da Misericórdia, mas há também edifícios nobres do século XVIII. O Solar dos Corte Real é hoje um hotel e a vila é considerada a “Capital do Parapente”

    Marialva

    Marialva

    Marialva transporta o visitante às raízes mais profundas da história do país. As ruas, ladeadas por edifícios resistentes ao tempo, conduzem à cidadela cercada pelas muralhas em cujas ruínas é fácil perder a noção do tempo. Povoada pelos aravos, povo lusitano, foi posteriormente conquistada pelos romanos, seguidos dos árabes, até à vitória final de D. Fernando, o Magno, em 1063, na sua emblemática conquista das Beiras. Abandonada há muitos anos, a Cidadela mantém a sua fisionomia ainda intacta e guarda, no alto de um íngreme penhasco, o castelo e a sobranceira torre de menagem. Em volta fica a vila e, no sopé do monte, a Devesa, edificada sobre a antiga cidade romana.

    Monsanto

    Monsanto

    Ícone turístico da região, Monsanto é uma experiência peculiar para quem a visita. Muito bem preservada, ostenta o título de “Aldeia mais portuguesa de Portugal” desde 1938. Símbolo bem real da sobrevivência e resistência humana, Monsanto é ainda assim um cenário de sonhos. Convida-se para uma visita ao que resta do poderoso Castelo na escarpada encosta onde se pode observar a alcáçova, a cintura de muralhas e torres de vigia, bem como as belíssimas ruínas da Capela de S. Miguel do séc. XII, e a Capela de Santa Maria do Castelo.

    Piódão

    Ao longo da encosta da Serra do Açor forma-se um anfiteatro que tem que ser visto para ser apreciado, foto alguma lhe presta justiça. Unanimemente considerada uma das mais bonitas localidades do país, a aldeia do Piódão parece isolada do resto do mundo. Em socalcos, patamares, escadas, pequenos recantos e ruelas, as casas de xisto “aconchegam-se” umas às outras, para que nenhuma delas role pela serra abaixo. A pitoresca igreja da aldeia, em branco e com remates a azul, é um ponto brilhante na paisagem. Em redor encontramos uma região pura e pouco tocada pelo Homem, que nos permite ainda cruzarmo-nos com diversas espécies de fauna e flora típicas da zona.

    Sortelha

    Sortelha é uma das mais belas e antigas vilas portuguesas, tendo mantido a sua fisionomia urbana e arquitetónica inalterada até aos nossos dias, sendo considerada uma das mais bem conservadas. A visita pelas ruas e vielas do aglomerado, enclausuradas por um anel defensivo e vigiadas por um sobranceiro castelo do séc. XIII, possibilita ao forasteiro recuar aos séculos passados, por entre as sepulturas medievais, junto ao pelourinho manuelino ou de frente à igreja renascentista.

    Trancoso

    Trancoso foi terra de fronteira e palco de diversas lutas e batalhas marcantes para a formação e independência do reino. Dom Afonso Henriques concede-lhe a carta de Foral e Dom Afonso III a carta de Feira. D. Dinis manda construir as muralhas que ainda hoje protegem um burgo onde conviveram cristãos e judeus. A cintura de muralhas que ainda rodeia a antiga vila medieval, bem como o vasto património arquitetónico civil e religioso, conferem ao Centro Histórico uma imagem única. Os apreciadores de História têm aqui muitos motivos de interesse, desde a visita ao local da batalha de Trancoso até às muralhas e edifício militares ainda sobreviventes. Ainda mais antigos, registam-se dois núcleo de sepulturas rupestres.