Um dia de arqueologia júnior em Sintra

O Castelo dos Mouros, em Sintra, tem muitos mistérios à espera que as crianças os descubram. Apresente os seus filhos à arqueologia no mágico Monte da Lua.

Se tem um pequeno Indiana Jones aí por casa, Sintra é o destino para a sua família. O Castelo dos Mouros está a receber crianças entre os 6 e 14 anos para um dia de arqueologia e Sintra esconde ainda muitos mistérios à espera delas. Afinal, a História é um dos melhores combustíveis para atiçar a imaginação de qualquer um e, se há coisa de que as crianças gostam é de boas histórias. E essas, definitivamente, não faltam numa visita ao Castelo dos Mouros. Agarrem no pincel e na vassoura e vamos procurar o que guarda o misterioso castelo e, quem sabe, até descobrir uma vocação escondida.

“Um dia de Arqueologia” é o nome do projeto desenhado pelo Serviço Educativo dos Parques de Sintra para, um domingo por mês, apresentar os mais pequenos a esta profissão de gente curiosa. Os participantes são convidados a entrar no mundo da arqueologia para descobrirem o passado escondido no Castelo dos Mouros. Assim, serão conduzidos pela história do local para depois assumirem o papel dos arqueólogos que vão trazer à luz do dia o que ainda falta descobrir. Trata-se de uma atividade que conjuga uma breve visita guiada com a componente prática da arqueologia.

Cada sessão de até 15 crianças começa com uma breve explicação sobre o passado milenar do Castelo dos Mouros. Ficamos a saber que já se vivia aqui desde o séc X a.C. mas que é com a presença muçulmana que a zona se desenvolve, já no séc VIII d.C.. Tinha então o nome da as-Shantara e os senhores desta terra pertenciam à dinastia Almorávida. Depois de se entregar voluntariamente a D. Afonso Henriques, o castelo ficaria então na coroa portuguesa.

Um dia de arqueologia júnior em Sintra

Vamos desenterrar histórias?

Com as clássicas histórias de mouras encantadas e o ambiente mágico da Serra de Sintra em redor, é agora uma mistura genial entre fantasia e importância histórica. Ao longo dos séculos e das múltiplas ocupações e usos, o Castelo dos Mouros foi colecionando tantos testemunhos que já é difícil distinguir a realidade e a lenda. Por tudo isso, e mais ainda, pertence hoje em dia ao Património Cultural da UNESCO.

Depois de serem apresentadas ao contexto histórico, as crianças são levadas em passeio pelo Castelo para conhecerem reais exemplos. Ficam a entender que a Arqueologia é também um atividade de imaginação e dedução. Na falta de testemunhos vivos, só restam os objetos que nos dão sinais sobre o que poderia ter sido. O arqueólogo tem que tentar perceber o que fica por contar. Para que serviriam aqueles buracos no chão? Encontramos sinais de cereais? Seria um armazém? Aplicam-se os métodos de investigação, colocam-se hipóteses e, depois, tenta-se reunir os indícios que a explicam.

Foi assim que se concluiu que, apesar do que se pensava até ao séc. XIX, nunca se deu aqui uma grande batalha. As ossadas encontradas no local eram afinal de um comum cemitério. Mesmo no misterioso Monte da Lua, a dedicação é recompensada e, com investigação, descobrem-se cada vez mais pormenores. É até possível encontrar aqui os efeitos do grande terramoto de 1755.

Mãos na massa

Depois do passeio é altura de meter as mãos à obra e usar técnicas de “verdadeiros” arqueólogos. As crianças são convidadas a descobrir pequenas peças e perceber o seu significado. No meio da terra estão também alguns objetos para despistar mas, com paciência, a tarefa é simples. Primeiro com a vassoura maior, depois com o pincel mais delicado, os vestígios de séculos passados vão aparecendo e contando a sua história. Os objetos são depois desenhados e colados, até se reconstituir o original. Não há cobras, o único medo real de Indiana Jones, nem pedregulhos gigantes a perseguir-nos. Mas, mesmo sem a adrenalina de Hollywood, a arqueologia é também um profundo processo de imaginação. E, qual é a criança entre os 6 e os 14 que nunca imaginou como era viver no tempo dos reis e dos cavaleiros?

E ainda…

Já que anda por Sintra, não resistimos a deixar ainda um conjunto de recomendações para um dia completo. Na vila aguarda-nos o News Museum, enquanto a Hipopomatos conta-nos histórias na biblioteca. Em qualquer das hipóteses, a fome vai apertar a meio da tarde e o melhor é caçar uma queijada ou um travesseiro. No Magoito, os passeios de burro são uma delícia para os mais pequeninos. Se forem mais crescidos e com pernas para pedalar, há ainda passeios de bicicleta elétrica pela serra.