Aveiro: descanso e relax na cidade dos moliceiros e das bicicletas

Descanso e relax na cidade dos moliceiros e das bicicletas. Aveiro é a nossa cidade preferida para um fim de semana!

Cada vez mais jovem e dinâmica, Aveiro é um caso raro em Portugal. Os seus habitantes já se habituaram a um ritmo de vida muito próprio mas, quem chega de fora não deixa de se surpreender: para além do pitoresco cenário dos moliceiros, há muita vida dentro destas coloridas casas, com uma atitude descontraída que nos obriga a afirmar: Aveiro é a nossa cidade preferida para um fim de semana de simples, e muito merecido, descanso.

Cidade em contracorrente: Ao contrário de vários centros urbanos portugueses que crescem na sombra do magnetismo de Lisboa e Porto, pagando o preço da sua identidade, esta é uma cidade onde apetece viver e onde o ritmo parece ser realmente diferente: não é daquelas localidades de província onde o tempo corre devagar e pouco parece acontecer. Mas, a azáfama dos seus habitantes está ainda muito longe do stress das capitais e as pessoas ainda se cumprimentam na rua, dão a passagem com um sorriso e dizem “obrigado” e “por favor”.

No nosso mais recente fim de semana em Aveiro, ao contrário do costume, optámos por não andar em grandes visitas. Mas não nos interpretem mal, pois não foi por falta de interesse: deixar correr as horas ao lado do canal, a ler um livro, a passear de bicicleta, e a aproveitar uma das primeiras tardes solarengas do ano, foi um prazer que dificilmente conseguimos repetir noutro sítio.

Cumprir a tradição… em duas rodas: Aveiro ganha um lugar especial no nosso coração também por via do amor que temos em comum pelas bicicletas. As BUGA foram um projecto pioneiro no nosso país e ainda são a melhor forma para conhecer o centro da cidade. Podemos apanhar uma destas bicicletas no Mercado Manuel Firmino e, em virtude da suave topografia das suas ruas, aproveitar para fazer como os aveirenses antigos que escolhiam este método de transporte para levar o peixe, ir para a fábrica ou para os campos. De BUGA podemos percorrer tudo, desde o campus universitário ao centro de congressos, na antiga Fábrica de Cerâmica Campos, sempre com os canais da Ria e o seu habitat como companhia.

Aveiro

Resumir uma cidade como Aveiro ao cliché “a Veneza Portuguesa” é prestar-lhe um mau  serviço, mas também é verdade que muito do seu charme nasce na Ria e no colorido dos moliceiros. Por isso, não perca a oportunidade de dar um passeio nestes barcos e aproveite um dos diversos trajectos disponíveis nos operadores do canal central. Apesar da nossa visita a Aveiro ter a intenção principal de fugir a grandes “ajuntamentos turísticos”, é passeio que recomendamos e voltaremos a repetir.

Pé na areia: O segundo dia da nossa passagem por Aveiro amanheceu radioso e resolvemos dar um salto até à praia. Nesta altura do ano, as ondas e o vento recordam-nos que esta não é uma costa “pacífica”, mas o Sol continua a espreitar e brilha de forma esplenderosa no azul do mar. De frente para a água, os palheiros da Praia da Costa Nova, coloridos e com as suas riscas verticais, parecem querer esticar-se na areia e inagurarem, eles próprios, a época balnear. A visita só fica completa depois de comprarmos uma bolacha americana numa das barracas da marginal, capricho que guardamos desde crianças.

Mesmo ao lado da praia, mas já na zona da Barra, o Farol local parece querer casar com as fachadas que lhe fazem companhia, pintando-se a preceito também às riscas. É o maior farol português e o segundo maior da Península, mas sempre o imaginámos como o “olho” da cidade, um membro da família de todos os aveirenses.

De volta ao carro (também há acesso por barco), continuámos até São Jacinto, passando pela praia da Torreira, para espreitar a reserva natural das dunas. Aqui a atenção vai toda para o céu, onde voam uma série de aves que fazem aqui o seu habitat, e tentámos manter o máximo silêncio. Moram aqui gaviões, gaivotas de diversos tipos, raposas e sapos, mas é a calma deste sítio que nos deixa perplexos. A cidade fica aqui tão perto e, mesmo assim, conseguimos imaginar-nos longe de tudo.

Aveiro é realmente especial: entre a juventude da população universitária e um passado na pesca do bacalhau e nas salinas, encontrou um espaço muito próprio, uma cápsula de um tempo que é só seu e que é a inveja de tantas outras cidades espalhadas pelo país.