Fim de semana em Belmonte: de olho na Serra da Estrela

Porque não aproveitar um dos próximos fins-de-semana para descontrair em Belmonte? Uma escapada com vista para a Serra da Estrela.

A Goodyear escolheu para si esta semana Belmonte, uma vila portuguesa do distrito de Castelo Branco, Beira Baixa, no centro do país, com cerca de 3500 habitantes. Este poderá ser o seu ponto de partida para uma escapada de fim de semana com direito a uma perspetiva magnífica sobre a Serra da Estrela. A vantagem desta região é que, seja qual for a altura do ano, é sempre agradável visitar.

Em plena Cova da Beira tem uma vista magnífica sobre a encosta oriental da Serra da Estrela. A terra em que nasceu Pedro Álvares Cabral, aquele navegador que liderou a frota que descobriu oficialmente o Brasil já lá vão mais de quinhentos anos, é natural desta vila. A Aldeia, que integra a rota das aldeias históricas de Portugal, tem inúmeros museus únicos e lugares com grande interesse histórico, cultural e religioso.

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O que diz um nome?

Diz a tradição que o nome Belmonte tem origem no lugar onde a vila se ergue: monte belo ou belo monte. Naturalmente, a doutrina divide-se e outros dizem que a origem do nome da vila está relacionada com a guerra: “belli monte”, o monte de guerra.

Seja qual for a origem do nome, os cabrais (incluindo o navegador já referido) e os judeus – que favoreceram a existência de algum comércio – estão associados à história da vila. Mas há vestígios arqueológicos que testemunham uma presença anterior no local. É o caso da Anta de Caria, dos Castros de Caria e da Chandeirinha. Também a presença romana é evidente, tendo lá deixado a Torre Centum Cellas e a Villa da Quinta da Fórnea. Estes eram pontos de passagem entre Mérida e Guarda.

Naturalmente, a história é muito mais detalhada. Mas para isso terá de lá ir e tirar partido do conhecimento local.

Então, para saber como lá chegar utilize, por exemplo, a ferramenta do site das Aldeias Históricas de Portugal que apontam os caminhos de e para cada uma destas localidades, incluindo, naturalmente, Belmonte.

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O que ver?

O castelo. D. Afonso III, em 1266, autorizou a construção de uma torre e de um castelo em Belmonte, localidade que já possuía um sistema defensivo. Em 1446, o castelo foi transformado em Solar da família Cabral. No pano de muralha oeste “é ainda possível ver janelas panorâmicas e uma janela de estilo manuelino que confirmam a adaptação do castelo para residência, sendo as funções militares do castelo secundarizadas”, explica o site das aldeias históricas de Portugal. O castelo foi abandonado após um violento incendio em finais do século XVII que consumiu a ala oeste do paço. O castelo ocupa 2265 m2 e tem um traçado ovalado irregular, com duas portas, uma torre de menagem adossada pelo exterior no ângulo sudoeste, e um edifício anexo adossado pelo exterior junto à porta principal de entrada (a sul), dos séculos XVIII-XIX.

O imóvel foi declarado Monumento Nacional em 1927. Em 1992, foi afeto ao na altura IPPAR, tendo sido erguido no seu interior, um anfiteatro, destinado à apresentação de espetáculos. Atualmente o monumento encontra-se aberto ao público, estando a torre de menagem musealizada com material arqueológico recolhido em escavações arqueológicas realizadas na década de noventa do século passado.

O concelho tem um monumento enigmático cuja funcionalidade tem dado lugar a várias interpretações ao longo dos anos. É a Torre de Centum Cellas, situada em Colmeal da Torre. Terá sido um templo ou prisão? Um praetorium de um acampamento romano, um mansio ou mutatio (albergaria para descanso dos viajantes) ou até uma villa romana? De acordo com os estudos feitos após as escavações da década de 90, terá sido uma vila romana do Século I d.C. No local, são visíveis vestígios de outras estruturas. Será o leitor a desvendar este mistério?

Outros pontos de interesse

Um dos ex libris da vila são o Antigo Paço do Concelho de Belmonte. Fica no Largo do Pelourinho e está documentado desde o século XV. É “um edifício de planta retangular simples, de volumes escalonados com disposição horizontal, cortada pela torre”, explica o site Aldeias Históricas de Portugal. Reza a história que, no século XIX, por altura das invasões francesas, o general Junot terá mandado picar as pedras de armas presentes no edifício porque Belmonte não se rendeu.

O edifício da Câmara Municipal é outro ponto de interesse da vila. É “um um edifício de planta retangular, de arquitetura civil residencial, oitocentista”. Foi mandado edificar em 1880, pelos descendentes da família de João Mendes Fajardo.

Imperdível é também uma visita ao conjunto de edifícios próximo do castelo e da Igreja de Santiago: as Capelas de Santo António e do Calvário. Segundo o site das Aldeias históricas de Portugal, a primeira parece ser mais antiga (talvez século XV). É possível observar um brasão com as armas das famílias Queiroz, Gouveia e Cabral. Aqui se podem ver duas imagens em madeira (do Espírito Santo e de Santo António). Já a capela do Calvário data do século XIX e apresenta planta longitudinal simples, com uma fachada em alvenaria aparente de granito. Para aceder devem subir-se cinco degraus. Depois irá encontrar aos instrumentos da Paixão de Cristo (escadas, lança, vara do vinagre, turquês, martelo e coroa de espinhos). É, portanto, um exemplo de arquitetura oitocentista religiosa de revivalismo neogótico.

A estátua de Pedro Álvares Cabral, a Igreja de Santiago e Panteão dos Cabrais, a Igreja Matriz, o Museu dos Descobrimentos, o Museu Judaico, o Pelourinho ou a Casa do Castelo são também imperdíveis caso vá a Belmonte.

Onde comer

É em simultâneo um ponto de interesse histórico e um local para tomar uma refeição: o “Fio de Azeite” é uma Taberna, na Aldeia Histórica de Belmonte. Com um serviço atencioso, diz a Aldeias Históricas de Portugal, é possível petiscar alguns dos variados sabores da Serra da Estrela.

A Casa do Castelo, resulta da transformação de um antigo alambique de grande valor cultural e estético, na encosta do Castelo de Belmonte e protegida pela memória de Cabral. É uma casa encantadora da Cova da Beira com um ambiente cuidado e uma paisagem majestosa na envolvente, ou não fosse ali ao lado o vale do Zêzere e a montanha mais alta de Portugal Continental.

Onde dormir

A oferta para dormir em Belmonte é variada. Existe por exemplo o Belmonte Sinai Hotel no centro da vila e com fácil acesso a pé aos vários museus da vila e aos pontos de maior interesse histórico. A Casa Abraão é indicada para quem pretenda “desfrutar das visitas e da sonoridade de Belmonte. Os acessos a tudo o que a cidade oferece é facilitado a partir deste local. Mesmo dentro de casa, o anfitrião de ofertas recreativas da casa garante muita coisa para fazer durante a visita.

E ficar na Casa do Comendador? É outra opção. É uma casa-museu, no coração da Serra da Estrela, “onde poderá sentir a história da Vila da Manteigas e da Família do Comendador Francisco Esteves. Num estilo totalmente diferente, a Casa Miriam é uma casa de férias, em estilo rústico com apenas um quarto. Os animais de estimação são bem-vindos. Uma última opção é a Quinta da Ribeira, situada numa zona rural, a três quilómetros da Aldeia Histórica de Belmonte. As caminhadas e o ciclismo são atividades disponibilizadas a partir deste local.

Como tudo isto, não é de estranhar que Belmonte seja uma das Aldeias Históricas de Portugal. Aproveite qualquer fim-de-semana, quente ou mais fresquinho para visitar a vila onde nasceu aquele que descobriu oficialmente o Brasil, Pedro Álvares Cabral.