Cada vez +Lisboa: conhecer a cidade com quem sabe

Vamos conhecer Lisboa com uma ligação direta aos especialistas que a estudam: o +Lisboa é o guia que faltava na cidade.

Lisboa é cidade muito antiga mas tem agora uma forma inovadora de se dar a conhecer. O +Lisboa é uma ideia que surgiu de dentro da universidade, mas quer oferecer-nos uma plataforma acessível para conhecermos novas perspetivas e locais que até os lisboetas não conhecem ou não imaginam as curiosidades e segredos que encerram. Assim, da próxima vez que quiser passear pela cidade sem destino certo, espreite o mapa do +Lisboa e deixe-se perder pela História. E é mobile friendly!

A fundação de Lisboa por Ulisses poderá ser só lenda, mas mostra o quão antiga é a sua História. Como é digno de alguém com tão distinto passado, de um local que recebeu tantas visitas e tendências, testemunha de uma fatia tão grande da História nacional, a cidade guarda muitos segredos que nem os especialistas conhecem por completo. O projeto +Lisboa é uma iniciativa da Faculdade de Ciências Sociais Humanas que reúne os estudos e diferentes publicações que os investigadores da Universidade Nova já dedicaram a Lisboa. Os académicos desta instituição têm estudado a cidade a partir de diversas perspectivas, da arte, da língua e das diferentes vertentes das ciências sociais, e agora contam com uma forma visual e interativa de apresentar os resultados desse trabalho ao público em geral.

Lisboa na ponta dos dedos

O site do +Lisboa arrancou em finais de 2016 com centenas de curiosidades, memórias, intervenções e roteiros diferenciados de Lisboa, espólio a que se juntam novos conteúdos a um ritmo regular. Existem já 120 pontos georreferenciados e quatro roteiros que podem ser guias muito úteis para uma visita à cidade, com informação muito diferente daquela que encontraríamos na maioria dos guias turísticos.

Apesar de funcionar também com o Foursquare, só falta ao projeto ter a sua própria app, mas o site funciona bem em smartphones e pode ser tudo o que basta para um passeio muito original e informado pelas calçadas de Lisboa. O mapa inclui uma série de marcadores categorizados com descrições curtas e acesso a informação mais profunda, e os conteúdos estão organizados por Temas (arquitetos de Lisboa, sons e músicas, literatura, gentes e vivências, edifícios com história, entre outros), Tempos (de Lisboa antiga à do século XXI) e Territórios, que abarcam toda a cidade.

Avenida da Liberdade

Quatro roteiros +Lisboa

“Catedrais do Cinema”

As salas de cinema de Lisboa já foram alvo de atenção aqui no Quilómetros que Contam, mas o trabalho dos académicos da FCSH é muito mais detalhado e profundo do que aquele que alguma vez aqui poderíamos apresentar. O livro “Os cinemas de Lisboa: um fenómeno urbano do século XX” de Margarida Acciaiuoli, serve de fonte para um roteiro que nos leva através das principais salas de Lisboa, algumas já desaparecidas ou transformadas, do Eden ao Império. Guarde uma tarde para andar pela calçada portuguesa da Avenida da Liberdade e olhar com atenção redobrada para a fachada do Condes (autoria de Aristides Vaz), agora transformado em restaurante e casa de espectáculos, ou para o ainda impressionante (e premiado) projeto arquitetónico do São Jorge.

“Descendo as Avenidas Novas”

O primeiro de dois roteiros que nos levam a conhecer diferentes perspectivas das “Avenidas Novas”, a zona que nasceu entre o Saldanha e Entrecampos como parte do crescimento da cidade no final do século XIX, a descida começa na já histórica Maternidade Alfredo da Costa (primeiro ponto de interesse que tantos lisboetas conheceram da sua cidade). Ali mesmo ao lado, a Casa Malhoa é um edifício de traço invulgar que lhe garantiu o prémio Valmor, e alberga hoje um importante espólio de quadros, mobiliário e peças de porcelana. A Praça do Saldanha tem também os seus segredos, como as casas em Arte Nova que ainda resistem e que marcam bem as fachadas da Avenida da República: vale a pena ver o Colégio Madame Anne Roussel, a Casa Xangai e aproveitar para um café e um pastel de nata na Pastelaria Versailles. O resto do percurso leva-nos ainda por clássicos como a Praça de Touros do Campo Pequeno, o Palácio das Galveias e termina na Igreja de Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

+Lisboa

“Subindo as Avenidas Novas”

Enquanto a primeira parte deste conjunto tem a sua espinha dorsal na Avenida da República, ao subirmos as Avenidas Novas, o +Lisboa escolheu destacar os pontos de particular interesse artístico ou ligados diretamente às ciências sociais e humanas. A viagem começa no mural da Universidade Nova, da autoria do coletivo Underdogs, que celebra o 25 de Abril e continua na direção da Praça de Espanha, para se cruzar com os jardins e Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. No meio da gigantesca praça que segue, um inesperado arco faz uma ligação para o desconhecido: é o Arco de São Bento que já esteve em frente ao Palácio e que está aqui desde 1998. Mesmo no fim da Avenida de Berna, não deixe de espreitar o edifício que é hoje a Embaixada de Espanha, um imponente palácio do séc XVII, e encontrará aqui perto também a Mesquita de Lisboa. Seguindo pela Ressano Garcia, entramos no Bairro Azul, com edifícios de traço art déco e modernista, de onde saímos para uma visita ao Jardim Amália Rodrigues, no topo do Parque Eduardo VII.

“Portas de Santo Antão”

Comparada com os outros roteiros propostos pelo +Lisboa, esta pequena rua da baixa lisboeta podia ser a Betesga do conjunto. Mas, apesar do seu curto comprimento, já foi testemunha de tantos momentos da vida da cidade que as cicatrizes podem ser facilmente encontradas por quem souber o que procurar. E, quem não sabe, pode contar com as propostas dos investigadores da FCSH para começar a visita… A partir da tese de mestrado de Manuel Villaverde, somos aconselhados a fazer uma viagem entre a opulência e o popular, entre o Teatro de Santa Maria e a Ginginha do Rossio, entre a celebração que se vive nas salas de espetáculos e restaurantes da zona e a memória das vítimas do massacre judaico de 1506. Infelizmente, a Porta de Santo Antão, a original que deu o nome à rua, já não pode ser vista mas o guia do +Lisboa diz-nos onde ficava antes que o terremoto de 1755 se encarregasse de a apagar da vista, mas não da memória da cidade.

Guias da cidade não faltam, e alguns até bastante bons, mas o +Lisboa é inovador, original e está a construir-se como uma belíssima plataforma para quem quer conhecer mais da cidade, com informação mais coerente e profunda do que aquela que normalmente encontramos em guias turísticos. Agarre no smartphone, escolha uma zona da cidade e comece a explorar!