Caldas da Rainha, aqui vive-se a cultura

2 Dezembro | 2016 | Goodyear

Caldas da Rainha é a capital da cerâmica nacional e uma curiosa cidade onde se juntam artistas, designers e artesãos com os agricultores das férteis zonas circundantes, gente que desce da Serra d´Aire, e até pescadores que fazem a vida para lá da Foz do Arelho. Para uma cidade de província, é um local curiosamente rico e diversificado. O seu património museológico é surpreendente e na Goodyear não resistimos a usar essa desculpa para uma visita de dois dias.

Foi D. Leonor que estabeleceu aqui o Hospital e uma igreja no século XV, dando às Caldas a sua rainha. As termas ainda se mantém e são o mais antigo edifício do género no mundo, tendo já ultrapassado os 500 anos de vida, mas a pequena povoação cresceu para se tornar uma orgulhosa cidade, plena de tradição e respeito pelo passado. Encontramos aqui, hoje em dia, nove museus diferentes que cobrem muito do que torna esta região peculiar: desde a paixão pelo ciclismo à mestria na cerâmica, nas Caldas vive-se e respira-se cultura.

Parque Dom Carlos

Vá às Caldas da Rainha de smartphone

Chegados à cidade, sentamo-nos num dos cafés da Rua da Liberdade para iniciar a experiência como verdadeiros habitantes da terra. Não foi a combinação perfeita, mas começámos o dia com um café e uma tradicional cavaca, não resistindo a comprar logo um pacote para nos fazer companhia durante o resto do fim de semana. Se não conhece este clássico doce nacional, arrisque a prová-lo aqui porque a versão que é confeccionada nas Caldas é, talvez, a melhor do país.

Enquanto mergulhávamos na Internet à procura do próximo destino, descobrimos que a Câmara Municipal oferece-nos uma app para visitar a cidade, de nome Cityguide. Além de eventos em agenda, dá-nos um mapa, informações sobre locais a visitar, percursos temáticos e recurso a iBeacon. Com esta tecnologia, a app detecta a nossa posição e fornece-nos informação pertinente sobre pontos de interesse pelos quais passamos.

Entre duas praças

A nossa primeira paragem é a famosa Praça da República, onde o mercado da fruta ocupa as manhãs com cor, animação e produtos regionais, e o Café Central recebe tertúlias desde o séc XVIII. Regressando pela calçada da Rua da Liberdade, fomos até Largo da Rainha D. Leonor, onde encontrámos o imponente edifício do Hospital Termal no estilo barroco. Por detrás fica a antiga capela, em estilo manuelino, e o Museu onde estão expostos instrumentos científicos e a reconstituição de uma enfermaria.

A cidade das Caldas da Rainha oferece aos visitantes e locais um parque encantador dedicado a D. Carlos I, separado da belíssima mata do Hospital da Rainha D. Leonor pela rua Rafael Bordalo Pinheiro: no espaço de poucos metros, encontramos os três nomes mais fundamentais na História das Caldas. Dentro do parque descobrimos lagos, um parque infantil e um coreto mas, acima de tudo, o Museu José Malhoa, onde se exibem peças do autor e de Bordalo Pinheiro, assim como de outros importantes artistas portugueses.

Em casa do Mestre

Em casa do Mestre

No nosso segundo dia nas Caldas da Rainha prosseguimos para norte da Praça da República pela Almirante Cândido dos Reis e Dr. Miguel Bombarda, ruas em calçada onde se concentra grande parte do comércio local e um par de esplanadas, onde nos sentamos a apreciar a vida que passa à nossa frente. No caminho para a Praça 5 de Outubro encontramos alguns exemplos de residências do séc XIX e vamos desembocar noutro dos locais de convívio dos habitantes da terra. As praças das Caldas não são tão numerosas como os seus museus, mas são todas um convite à preguiça e à boémia.

Saindo do Parque D. Carlos Iº pela zona sul, fomos conhecer a Casa Museu de São Rafael. Desde o neolítico que a região tem tradição na produção de cerâmica, mas foi Rafael Bordalo Pinheiro a erguer esta especialidade ao estatuto de verdadeira arte e foi neste edifício que teve o seu atelier. Estão aqui exemplos das peças mais icónicas do autor e a sua fábrica funcionava ao lado. Não mais do que cem metros para baixo, fica ainda o Museu da Cerâmica e o Museu Barata Feyo, o primeiro com um acervo que vem desde o séc XVI e o segundo com as peças deste escultor.

Não tivemos tempo para mais, além de concluirmos que dois dias nas Caldas da Rainha é manifestamente pouco para se conhecer a alma da cidade. Para além do artesanato e património arquitectónico, há aqui também uma movida jovem e inovadora, cheia de energia, e ainda alguns bons exemplos de gastronomia que não nos foi possível investigar. Dentro de uns meses voltaremos para conhecer e contar-vos outra face desta cidade. E, se é fã das Caldas, deixe-nos as suas recomendações nos comentários.

E ainda…

Se vier aqui no fim de semana de 8 a 11 de Dezembro, pode visitar a segunda edição do Caldas Street Food Festival, na Av. 1º de Maio, ou conhecer a maior árvore de Natal do país, instalada na Praça 25 de Abril. Aqui perto, Óbidos é uma deliciosa localidade que merece sempre a nossa visita e volta a ser a tradicional vila natal que já marca o calendário das festas há tanto tempo. Já na costa, Peniche é ponto de passagem obrigatório para provar bom peixe e marisco e, mais a norte, a Nazaré é a mais clássica vila piscatória portuguesa. Para lá da Serra, as grutas de Mira de Aire são um local impressionante e de visita obrigatória.

Good Year Kilometros que cuentan