Pelos espelhos do Gerês: as cascatas, ribeiras e lagoas

Uma rota através das fantásticas cascatas que caem pelas encostas da Serra do Gerês e da Peneda. Conheça algumas das mais belas paisagens portuguesas.

Dona de belezas naturais indiscutíveis, a região do Gerês tem uma paisagem sem paralelo em Portugal Continental mas continua a ser uma ilustre desconhecida para muitos. Mesmo com cada vez mais portugueses a terem a hipótese de optar por curtas escapadelas, continua-se a optar preferencialmente pelo litoral e pela frescura das praias nacionais, deixando a serra para outras oportunidades. Mas poucos sítios do país apresentam tantos motivos de interesse e soluções para fugir ao calor como o Gerês. Já lhe chamámos antes Serra das Águas e agora é altura de partirmos para uma viagem pelas cascatas, ribeiras e lagoas do Gerês.

O verão em Portugal não precisa de ser só cumprido à beira mar e, mesmo quando o calor aperta cá fora, podemos contar com as gélidas águas do Gerês para nos arrefecermos também no interior montanhoso. Devido à sua orientação e relevo, as serras da Peneda e do Gerês apresentam dos maiores níveis de pluviosidade do território (cerca de 2000mm anuais) o que resulta numa série de cascatas e lagoas que, entre escarpas agrestes e vales, criam um panorama maravilhoso, convidativo ao mergulho.

    Alguns últimos avisos antes de nos metermos pelas estradas da Peneda-Gerês: apesar da sua beleza e ar pacífico, a grande maioria dos locais de que vamos falar a seguir não têm vigilância de nadadores salvadores e, encaixados entre as rochas, podem guardar algumas dificuldades para pessoas com mobilidade reduzida. Além disso, noutros casos poderá ser necessário um pequeno passeio a pé ou meter o carro por estradas em terra batida para chegarmos ao nosso destino. Tentámos que a nossa seleção recaísse principalmente sobre os locais mais conhecidos e acessíveis, mas fica feito o aviso.

    Cascata do Laboreiro

    Nascido junto da fronteira com a Galiza, o Rio Castro Laboreiro segue a linha de fronteira até que desagua no Lima, perto de Lindoso. Nessa zona, onde encontramos um miradouro com vista sobre o espetáculo, cria uma série de degraus intercalados por lagoas a que se deu o nome de “pozas”.

    Cascata da Laja

    Ainda na zona das caldas do Gerês, depois de nos termos metido ao caminho a pé depois da Portela do Homem pelo Trilho da Preguiça, as pontes de madeira sobre os diversos cursos de água levam-nos até à Cascata da Laja. O sítio não convida a mergulhos, mas tem muita sombra e verde, criando-se aqui um verdadeiro refúgio natural.

    Cascata de Leonte

    Próximo das Caldas do Gerês, esta cascata é acessível através da Portela do Homem, fazendo a parte final do percurso a pé. O Rio Homem cai do alto de uma peneda e forma aqui uma pequena lagoa muito concorrida por altura do verão. Com a Mata da Albergaria em redor, o passeio para lá chegarmos é tão agradável como aquilo que encontramos.

    “Cascatas do Tahiti”

    Cascata das 7 Lagoas

    Para chegar aqui, aconselhamos o recurso a um todo o terreno porque os 6 últimos quilómetros são feitos em terra batida, com alguns buracos, pedras escondidas e um caminho apertado. É possível fazê-lo com um utilitário, mas fica o nosso aviso. Se aceitar o desafio, vai encontrar uma série de lagoas expostas ao sol, num vale com uma paisagem de tirar a respiração.

    Barragem da Caniçada

    Depois das cascatas, é tempo de descansarmos. Nós e a água! A barragem da Caniçada surge num ponto em que o Homem obrigou o Rio Cávado a afrouxar o ritmo e, nas margens da albufeira assim formada, podemos partir para passeios de barco, aproveitar as praias fluviais ou fazer windsurf.

    Cascata do Arado

    O Cavado ganha caudal com a chegada do Rio Arado, mas antes de se juntarem, este faz uma sucessão de lagoas, quebradas por quedas de água sucessivas até à maior e mais impressionante de todas. A cascata do Arado fica perto de Ermida, Vilar da Veiga, acessível pelo caminho que vai até ao sítio de Pedra Bela, e tem um miradouro em frente de onde podemos ver todo este cenário. Não muito longe, as águas do Rio Conho formam o Poço Azul, outro recanto de grande beleza.

    “Cascatas do Tahiti”

    O acesso não é fácil, mas é possível chegar às quedas de água de Fecha de Barjas, o nome correto para este local, depois de um percurso pedestre ou de um passeio 4×4 a seguir a Vilar da Veiga, na direção de Cabril. Depois de passar pelos moinhos, vai começar a encontrar quedas de água, até que a descida termina numa bela lagoa rodeada de areia.

    Vilarinho da Furna

    Submersa em 1971 devido à construção de uma Barragem, Vilarinho da Furna era uma aldeia que manteve a tradição comunitária até ao fim da sua existência. A serra alimentava o gado, o rio tratava dos terrenos e o contrabando trazia de Espanha tudo o resto. Local muito remoto, nasceu e cresceu um pouco à parte do resto do país. Hoje é um local de silêncio e as duas centenas de pessoas foram viver para outras aldeias em volta, ficando apenas as velhas paredes de pedra debaixo das águas. Um dia poderá vir a surgir aqui o primeiro museu subaquático português, mas até lá funciona com uma espécie de recordação de todo o ciclo da vida: depois das nascentes e das cascatas que vimos lá atrás, as águas do Gerês também repousam e misturam-se com as memórias dos homens.