Chaves: cuidar da saúde e do estômago no Alto Tâmega

Termas, património, paisagens memoráveis e uma gastronomia de alto gabarito. Podemos encontrar isto e muito mais num fim de semana descontraído em Chaves.

Chaves é a “capital” do Alto Tâmega, a primeira cidade a receber este belíssimo rio no seu trajeto português. Desenvolveu-se em virtude da sua posição geográfica mas desde há muito que é também reconhecida por outras virtudes. Já no séc. I as águas termais da região eram usadas pelos romanos, e as suas paisagens são hoje apreciadas pelo turista moderno. Para uns e para outros, a cidade sempre teve algo a oferecer e nós fomos à procura do descanso durante uma escapadela de fim de semana em Chaves.

Medieval colorido

O centro histórico de Chaves está repleto de pequenas surpresas plenas de charme. As ruas empedradas, como a Rua Direita, exibem os exemplos típicos da arquitetura do Norte, mas também alguma originalidade. As vias não são largas mas, se olharmos para cima, vemos que o espaço entre os edifícios se estreita mais. Há aqui a tradição de construir varandas que avançam sobre a rua de forma a usufruir do máximo de espaço. Quando a cidade vivia completamente dentro das muralhas, era necessário aproveitar qualquer canto. Esta característica curiosa é bastante apreciada pelos flavienses, que gostam de pintar essas varandas com cores vivas.

Chaves: cuidar da saúde e do estômago no Alto Tâmega

O cenário continua na Praça de Camões e Praça da República, quando saímos das ruelas e ganhamos espaço para a vista. Continuam aqui a lojas térreas que preenchem grande parte das ruas desta zona, mas aparecem também alguns edifícios históricos. Entre as duas praças, com o Pelourinho em frente, fica a Igreja Matriz, de Santa Maria Maior, edifício de nascimento medieval mas cuja arquitetura vai até ao Barroco. Em frente, a Igreja da Misericórdia tem representações em azulejos de várias cenas da Bíblia. Espalhados em redor destas duas praças, os edifícios de relevo são vários: a Câmara Municipal (séc XIX), o Arquivo, o Museu da Região Flaviense e, nas suas traseiras, a fortificação original.

Cidade com vista para o rio e para a Galiza

Depois dos romanos, dos suevos e da integração no reino português em 1160, Chaves era um importante bastião de defesa. Aqui perto fica a linha de fronteira e a sua vigia era feita a partir do alto do Castelo de Chaves. A vista sobre a cidade continua desimpedida e, entre as ameias, espreita-se o Tâmega. Na Torre de Menagem está instalado ainda um Museu Militar, com uniformes, documentos e armas desde a Idade Média.

Seguimos para o rio até chegar à Alameda de Trajano, o primeiro imperador romano nascido na Península Ibérica. Foi também em sua honra que se batizou a ponte do séc. II d.C., ainda hoje imponente com os seus 140 metros de comprimento. Ostenta dois cilindros que marcam a construção da ponte e nomeiam 10 povos da época. Mas é o conjunto com as águas do Tâmega que tornam a construção memorável. Quando o sol reflete sobre o rio e bate na pedra ao fim da tarde, a cena torna-se digna de um quadro. Em ambas as margens encontramos percursos entre o arvoredo junto ao rio, ideais para um passeio descontraído.

Chaves: cuidar da saúde e do estômago no Alto Tâmega

Saúde e gastronomia

O espírito descontraído que encontramos nas margens do Tâmega foi também aproveitado pelos romanos, claro está. Foi descoberto um complexo termal do séc. IV com várias piscinas, sala de tratamentos e zona de repouso. Quase 20 séculos depois, percebemos que ainda procuramos as mesmas coisas. O Hotel das Termas, ou o Aquae Flaviae podem ser as suas escolhas para uma estada nas Termas de Chaves. Mesmo que não venha para “banhos”, visite a Fonte do Povo onde pode provar e levar a água quente para casa consigo. Ao lado há um espaço onde lhe emprestam um copo e poderá sentar-se a apreciar o ambiente. Um aviso à navegação: o sabor desta água não é para todos!

Sabores para todos, definitivamente, são os da gastronomia flaviense. O Presunto de Chaves é um ex-libris que é uma belíssima porta de entrada para a cozinha regional. Mas não é a única obra-prima a nascer neste canto de Trás-os-montes. Os Pastéis de Chaves são apresentados com o necessário rigor na Pastelaria Maria há mais de 40 anos. Aproveite para comer um e preencher aquele buraquinho no estômago entre as horas das refeições. Se a fome apertar ainda mais ou o cansaço assim aconselhar, dirija-se à Ilha do Cavaleiro. Encostado a um troço da antiga muralha foi criada uma esplanada com bar muito agradável. Com vista para a cidade e uma zona interior é um dos locais de encontro tanto de locais como forasteiros.