Os prazeres do Chocolate em Montemor-o-Novo

O Palacete da Real Companhia do Cacau usa a experiência na produção de chocolate premium e junta o prazer de viver Montemor-o-Novo num hotel de charme.

Se nunca faltarão motivos relacionados com o estômago para se regressar ao Alentejo, Montemor-o-Novo tem um bastante especial, com uma proposta algo original para a gastronomia local. Mas, ao lado do excelente vinho local, acaba por não se revelar insólito quando descobrimos os prazeres do chocolate no Palacete da Real Companhia do Cacau. Inserido dentro do centro histórico da cidade, é um espaço de turismo de habitação de nível premium, assim como a qualidade dos chocolates que saem da fábrica com a qual divide espaço. Em redor, todo o prazer de visitar Montemor-o-Novo, as suas velhas casas setecentistas e sucessão de ruas irregulares e pequenos largos.

Recuperado para para receber hóspedes em 2015, o Palacete da Real Companhia do Cacau é um edifício do século XIX que vive a “paredes meias” com uma fábrica de chocolate, que além de emprestar os seus aromas e sabores, dá o tema a uma estada diferente para quem se habitua a associar o Alentejo a outro tipo de sabores. Contudo, o paladar não se coíbe de apreciar a surpresa quando a qualidade vem assim embrulhada: os chocolates aqui produzidos não são, definitivamente, do tipo que encontramos todos os dias.

Experiência do cacau

Experiência do cacau

Para apreciar a passagem por Montemor-o-Novo com tudo o que merece um apreciador do chocolate, o Palacete abre as portas para uma visita à fábrica quando esta está em laboração, momento que pode ser aproveitado para uma sessão de degustação. Ao jantar, a recomendação vai para a Mousse de Chocolate à Antiga, manjar que gera sempre os comentários mais positivos.

Mas, para além do paladar e do seu resultado inegável no bom humor de quem o prova, conta-se que o chocolate tem também efeitos terapêuticos e o spa local tem massagens de chocolate com envolvimento e com pindas, que terminam em relaxe com os aromas a libertarem-se da pele. Há ainda uma área de fitness e banho turco.

E claro que há Montemor-o-Novo!

O espaço obedece ao tema principal, usando toda a paleta de tons de chocolate, mas também se respira um espírito senhorial, como se pertencesse a velhas famílias latifundiárias do Alentejo, que continua para lá de portas, nas ruas de Montemor-o-Novo. Por isso, evite aquela preguiça quase inescapável a que tanto prazer é propício, e aproveite para conhecer a cidade, uma das mais agradáveis do Alentejo.

Saindo do palacete e seguindo na direção do Castelo, cruzamo-nos com o casario branco, com as ombreiras rematadas a branco ou amarelo, numa sucessão de ruas que se cruzam de forma desordenada e mantêm a estrutura Baixo Medieval. É o caso, mais à frente, da Rua dos Almocreves e da Travessa dos Chafarizes, com pequenos largos repletos de casas construídas em taipa ou pedra, portas ogivais, e trabalhos de pintura mural e azulejaria de origem conventual.

Arrisque-se a subir a rua do Quebra Costas e enfrentar o desafio da escadaria que vai dar à casa da Guarda e às ruínas do velho Castelo, porque a recompensa vale a pena. Em alternativa, faça o percurso de carro, tendo um parque de estacionamento a pouca distância do destino final. Lá em cima, conseguimos ver o caminho de ferro que segue até à Torre da Gadanha, a cicatriz verde deixada pelo Almansor que corre lá em baixo e, nas nossas costas, os restos que ainda se mantém da Torre do Anjo e da Torre da Má Hora. É uma visão inesquecível do Alentejo e um aperitivo para muitas mais viagens.

E ainda…

Se vem até Montemor-o-Novo com o intuito de apreciar a gastronomia alentejana, só terá dificuldade com a qualidade das opções ao seu dispor . Não muito longe (tudo no Alentejo fica “já ali”) Arraiolos, Redondo e Estremoz são destinos óbvios quando o tema é Alentejo daquele que se come, daquele que nos faz papar tantos mais quilómetros quanto o prazer de nos sentarmos à mesa.