Coimbra: Rota dos campos do Mondego

Coimbra não é só a cidade universitária e tem à sua volta toda a beleza e riqueza do Mondego. Venha com a Goodyear conhecer esta rota entre ruínas e o rio.

À volta de Coimbra, um nome marca toda a paisagem e a História da região: o Mondego. O rio torna férteis os campos que nascem à sua volta, enfeita a vista e define a vida desta gente desde sempre. Vamos partir da velha cidade universitária e andar pelos “Campos do Mondego” celebrados nos Lusíadas de Camões, um percurso que nos vai levar até Condeixa e termina já na outra margem, em Montemor-o-Velho.

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    Coimbra

    A nossa rota começa pela cidade universitária, na colina ao pé da Sé Nova, mas hoje não vamos visitar Coimbra. Adoramos a cidade, dedicamos-lhe sempre atenção e já a calcorreámos muitas vezes antes, contudo o nosso objetivo é conduzir e apreciar as paisagens do Mondego por detrás do volante. Atestamos o depósito, aproveitamos para beber um café numa das esplanadas da Praça da República e fazemo-nos ao caminho, porque hoje vamos à procura de Quilómetros Que Contam.

    Cernache

    Antes de chegarmos aos campos de arroz com que nos vamos cruzar tantas vezes ao longo dos próximos quilómetros, saímos do IC2 e entramos em terra do Alho. Cernache teve inclusive a designação original de “Cernache dos Alhos”, de tão afamada e rica que era a sua produção. Hoje em dia perdeu alguma dessa relevância e vive à sombra da cidade vizinha, mas vale a pena o desvio para fazermos algumas centenas de metros pela antiga Estrada de Lisboa que faz aqui uma das suas etapas.

    Coimbra

    Condeixa-a-Nova

    Por ordem do trajeto começamos pela “nova” antes de chegar à “velha”. Fazia-se por aqui um dos caminhos de Santiago e foi parcialmente destruída pelos invasores franceses no séc XIX. Apesar disso, ainda sobrevivem o Palácio Sotto Mayor, num acaso que alguns historiadores dizem ser sinal de uma traição do proprietário, o Palácio do Conde de Podendes ou Palácio dos Sás, propriedades privadas que não podem ser visitadas., mas cujas fachadas merecem ser apreciadas.

    Condeixa-a-Velha

    Muito perto de Condeixa-a-Velha, para sul, o Museu e as Ruínas de Conímbriga são dois dos principais motivos que trazem visitantes à região. Toda a povoação foi erguida em cima de uma antiga construção romana – o oppidum – e os restos das suas ruínas deverão ter sido usados na edificação da nova localidade. Mesmo assim, ainda restam sinais de antigas casas, termas, do fórum e da muralha, e os seus mosaicos são alvo de atenção internacional.

    Buracas do Casmilo

    A velha aldeia do Casmilo fica na estrada que liga o Monte da Senhora do Círculo à Serra de Janeanes e é a porta de entrada para uma paisagem muito curiosa. Ficam aqui as Buracas do Casmilo, uma interessante formação geológica ladeada por grandes escarpas, que é o que resta de várias salas de uma gruta existente no interior do monte, resultando do abatimento da parte central de uma conduta que deixou a descoberto as suas partes laterais extremas. Conta-se que há outros locais no Maciço do Sicó com buracas semelhantes, mas este vale tem uma beleza e uma envolvente únicas. Venha com tempo, energia e calçado confortável: aqui é para se andar a pé e apreciar o ar puro.

    Soure

    Houve uma época (séc. XII) em que esta era uma vila templária e o castelo local, do qual ainda restam algumas ruínas onde se inclui a torre de menagem e um dos lanços da muralha, fazia parte da defesa de Coimbra e, ao mesmo tempo, apoiava a Reconquista. Aqui também se salientam as quintas e solares dos 1700s, onde se incluem no centro histórico o Solar dos Freitas, o Solar do Dr. Mourão de Paiva, Solar dos Melos, Edifício da antiga Casa do Povo ou os Paços do Concelho. Fora da vila vale a pena a visita à Quinta de S. Tomé, Quinta de Baixo, Quinta da Telhada, Quinta da Capa-Rota e a Quinta do Pai Daniel.

    Vila Nova de Anços

    Na margem direita do Anços, voltada para os arrozais que são a tónica da paisagem que passamos ao longo desta rota, Vila Nova foi morada dos Duques do Cadaval, mas perdeu muito do seu fulgor de outros tempos. Passando por aqui, o motivo principal para pararmos é um desvio gastronómico: os locais devem conhecer todos os recantos e capelinhas secretas da vila, mas os forasteiros ficam muito bem servidos com uma visita à Casa das Enguias para experimentar a especialidade da região, seja frita, guisada ou em caldeirada.

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    Montemor-o-Velho

    Logo a seguir à ponte sobre o Mondego, ainda na N347, vamos entrar numa reta que convida a baixar o ritmo, a pisar o acelerador mais levemente e a apreciar os campos em volta. Experimente passar aqui por altura da primavera ou ao fim de uma tarde de verão e irá deliciar-se com a visão dos raios de sol a iluminarem os campos cultivados. Depois de passarmos a Ponte do Rio Velho, entramos finalmente em Montemor-o-Velho e já podemos ver o castelo a erguer-se sobre uma colina.

    A povoação original desceu pelo monte numa História que remonta aos romanos e assistiu também à Reconquista. Chegados aqui, vale a pena subir até ao Castelo, enorme, que chegou a albergar mais 5.000 homens mas, para lá chegar, temos que passar pelas ruas medievais e pelo que resta das casas oitocentistas, solares senhoriais, igrejas e pequenos monumentos e exemplos de arte sacra e popular.

    A região de Coimbra, no centro do país, é uma espécie de derradeiro bastião entre o litoral, que aqui já se sente a chegar pelo eixo que vai até à Figueira da Foz, e o interior da Beira, resultando numa zona única que, além de um passado muito presente, não deixa de acompanhar os novos tempos. Venha até aqui com tempo e não se esqueça de reservar uma tarde para conhecer o esplendor lírico dos “Campos do Mondego”.

    E ainda:

    Se vier até Coimbra para um fim de semana ou outra escapadela curta, a cidade nunca se esgota em propostas. Mas, se vier apenas de passagem, irá encontrar também motivos de interesse a toda a volta e nós recomendamos especialmente uma passagem pela Figueira da Foz, para conhecer uma das mais agradáveis povoações da nossa costa. Quando andar na estrada de regresso a casa, muito provavelmente irá passar pela Mealhada ou Bairrada e isso só pode querer dizer uma coisa: está na hora do leitão e nós temos um guia para ir à descoberta do melhor.