Conselhos para uma viagem mais verde

Um carro bem mantido, com pneus e filtros na correcta condição, e bons hábitos de condução, são imprescindíveis para reduzir a sua pegada de carbono

A redução do nosso impacto no meio ambiente é um desafio que está ao alcance de todos. O mundo está cada vez mais consciente que deve utilizar os seus veículos com sensatez, mas não precisamos de deixar de conduzir para termos um comportamento ecológico. Desde a partilha de boleias à especial atenção com a manutenção, fique com 10 ideias que o farão sentir-se um condutor mais verde.

À descoberta da “eco-condução”

Sabia que em cada litro de combustível que o seu carro consome, está a devolver ao meio ambiente cerca de 2,5kg de CO2? É um número alarmante mas a indústria automóvel está, na maioria dos casos, mais consciente deste perigo do que grande parte dos consumidores. Enquanto os construtores têm-se dedicado à hercúlea tarefa de reduzir o seu impacto no ecossistema, apresentando veículos cada vez mais económicos e com menos emissões poluentes, muitos condutores ainda não sabem explorar da melhor forma estas novas potencialidades.

1. Conduza com calma…

Uma condução ecológica começa no próprio condutor que, com os seus hábitos de aceleração e travagem, controla a eficácia do motor da sua viatura. Uma condução moderada e estável é a primeira condicionante para reduzir consumo e diminuir o impacto sobre as peças. Acelerações bruscas queimam gasolina e embraiagem, enquanto travagens bruscas desgastam travões e pneus desnecessariamente. Tudo isto são peças que, inevitavelmente, terão que ser devolvidas ao meio ambiente e processadas no momento da substituição.

A escolha da velocidade de cruzeiro é outro ponto facilmente descurado e, conforme as viaturas, pode ter resultados de monta no seu consumo final: um aumento de 10% na velocidade pode resultar em 40% mais emissões. E, se tomar em conta que uma velocidade superior também reduz o tempo de reacção e o ângulo útil de visão e, consequentemente, obriga o condutor a mais acelerações e travagens bruscas, vai entender que quanto mais pressiona o pedal, mais se afasta do objectivo “verde”.

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2. Escolha a mudança certa…

Se, no ponto anterior, defendemos a redução da velocidade, agora vimos alertá-lo para o exagero: esteja atento à mudança que usa quando circula a baixa velocidade. A gestão da caixa de velocidades poderá ser uma das técnicas mais eficazes para reduzir consumo e, consequentemente, emissões de CO. O melhor rendimento é obtido quando está a utilizar rotações baixas, na mudança mais alta possível. Verifique o esforço que está a exigir do motor através da leitura do conta-rotações, e aponte para as 2000RPMs (a gasóleo) ou 2500RPMs (a gasolina).

Mantenha a mudança engrenada durante as descidas e travagens, já que um carro moderno é capaz de cortar a injecção quando retira o pé do acelerador e continua em movimento. Assim aproveita a inércia e realiza uma travagem segura.

3. Desligue o carro…

O bom senso diz-nos que ligar e desligar repetidas vezes impõe um esforço desnecessário ao motor de arranque e bateria e que devemos usar a chave com parcimónia. Agora faça as contas: uma hora de trabalho do motor ao ralenti pode resultar em quase um litro de gasolina desperdiçado e também tem impacto na durabilidade das peças. Há cada vez mais carros no mercado com sistemas de “paragem-arranque” automático, activados pela pressão no acelerador ou embraiagem, mas se ainda não conduz um destes pode evitar alguns custos adicionais com um simples rodar de pulso.

4. Preserve travões e embraiagem…

Um daqueles péssimos hábitos que continuamos a ver pelas estradas é a condução sempre com um pé na embraiagem ou o seu uso quando se para em estradas inclinadas. Estes vícios acabam por queimar o disco, causam desgaste nos rolamentos e no motor e, consequentemente, devolvem ao meio ambiente peças prematuramente inutilizadas. Use o ponto morto para paragens em semáforos e o travão de mão se estiver numa superfície inclinada.

5. Ande sempre “bem calçado”…

Não ignore a pressão de ar dos seus pneus: além da segurança que fica em causa, o consumo de combustível e o desgaste da borracha sofrerão o maior impacto. Verifique a pressão regularmente e ajuste-a aos valores indicados pelo fabricante. Para além disso, no momento da escolha, lembre-se que pneus com menor atrito irão reduzir o consumo em cerca de 5%.

6. Evite o ar condicionado…

Facilmente esquecidos, o uso e a manutenção do ar-condicionado podem resultar em ganhos de eficiência muito notórios. Com certeza que já reparou na diferença de rendimento do motor quando liga o ar-condicionado em situações de esforço, mas se calhar não sabia que isso pode resultar em até mais 20% de consumo. Por outro lado, o funcionamento de um ar-condicionado não é rápido o suficiente para fazer real diferença quando o liga por períodos curtos. Já sabe: use este sistema com sensibilidade e moderação, mas tenha também atenção aos períodos agendados para a manutenção e substituição dos filtros.

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7. Não sobrecarregue o seu carro…

Não é nas férias que resolverá este problema mas, no trânsito do dia-a-dia, aqueles suportes de bicicletas e bagagem são o grande inimigo do condutor conscencioso. Retire as barras de tejadilho quando não necessitar delas, pois podem resultar em aumentos astronómicos de consumo. O peso é outra condicionante a que deve estar atento: não deixa bagagem esquecida na mala e faça uma seleção das coisas que leva permanentemente consigo. Por cada 50 quilos que leva consigo, o consumo sobe entre 1 e 3%.

8. Aproveite a tecnologia…

Se tem um carro relativamente recente e conta com funcionalidades como controlo de velocidade cruzeiro, sistema de navegação ou computador de bordo, habitue-se a usá-las e a analisar os seus dados. Para além do consumo médio, olhe para o valor de consumo presente pois permite-lhe relacionar directamente aquilo que está a fazer ao volante com o impacto na realidade. Adapte o seu estilo de condução para obter os menores valores possíveis.

9. Escolha o veículo certo para si…

Se equaciona mudar de carro nos próximos tempos, comece já a fazer contas ao consumo e introduza a preocupação com a ecologia na equação. Comece por (re)pensar as rotinas diárias: Anda todos os dias sozinho no meio do trânsito citadino? Se calhar uma boa opção passa pelo uso misto de uma pequena moto e transportes públicos: uma 125cc produz menos 65% de CO2 do que um carro…

Continua a precisar de transportar filhos e mochilas? Também para uso familiar há cada vez mais opções de pequenos veículos citadinos que, sem prescindir no conforto, resultam num impacto bastante inferior no ambiente e na carteira.

Já tem suficiente confiança na tecnologia para experimentar um híbrido? O futuro é eléctrico, disso não restam dúvidas, iremos abandonar a combustão mais tarde ou mais cedo e os próximos dois anos vão trazer muitas novas propostas a este mercado.

10. E precisa mesmo do carro?

Antes que responda com um forte “SIM”, desafiamos o leitor a imaginar todas as outras formas de locomoção a que pode recorrer na ausência do seu carro… pense agora nas vantagens de cada uma…

  • Aproveite aquela hora diária que demora a chegar ao emprego para ler o jornal ou um livro no conforto do comboio. Compare os custos de combustível e do passe e rapidamente se deixará enamorar pelos transportes públicos. Mesmo que o transporte mais acessível não o deixe à porta do trabalho, alguns minutos a pé irão deixá-lo em melhor forma.
  • Acorda bem disposto e com vontade de falar? Partilhe a boleia com colegas que moram perto de si e irá chegar ao trabalho já pronto para a acção. O “carpooling” continua a crescer em todo o mundo e algumas cidades já têm faixas dedicadas exclusivamente a esta forma de partilha. Monte um sistema rotativo e verá os custos radicalmente reduzidos. Se não conhecer ninguém, procure num dos vários sites dedicados ao tema.
  • Poderá parecer contra-intuitivo depois de tudo o que dissemos acima mas, se precisar mesmo de pegar no carro, procure sempre fazer o maior número de quilómetros possível. Ou seja, junte várias tarefas e deslocações na mesma viagem e evite fazer percursos curtos. É quando o carro está frio que se produzem mais emissões de gases nocivos para o meio ambiente. Quando considerar o percurso a efectuar, evite também os períodos de maior congestionamento e imagine rotas alternativas, pois é no “para-arranca” do trânsito citadino que se liberta mais monóxido de carbono, um veneno verdadeiramente mortal.