Costa Alentejana uma maravilha também em época baixa

Costa Alentejana na época baixa: um regresso à costa do Alentejo para descobrir propostas especiais numa altura em que os preços estão mais em conta

A nossa proposta desta semana passa pelo regresso à costa alentejana para descobrir propostas especiais, numa época em que os preços estão mais acessíveis. É que há muito para conhecer, mesmo quando está frio.

Até porque, as temperaturas mais amenas permitem desfrutar de passeios e estadias com custos mais acessíveis para a maioria das carteiras.

É a época baixa, o que significa que deste modo, poderá fugir das multidões e aventurar-se numa escapadinha numa região de beleza natural inigualável e um ar que parece rejuvenescer. No portal que prima por explicar como se trata do seu automóvel, arriscamo-nos a utilizar uma metáfora: o litoral alentejano é o sítio ideal para recarregar as suas baterias.

Costa Alentejana uma maravilha também em época baixa

O que pode fazer no litoral alentejano?

As opções para passar algum tempo no litoral alentejano são muito, mas mesmo muito variadas. Depende, claro, do gosto de cada um e da capacidade de alinhar em experiências com mais ou menos adrenalina.

Visitas a museus e monumentos, passeios a pé, de bicicleta ou em jipe pela natureza ou algo mais emocionante como atividades aquáticas, desportos ao ar livre são algumas das possibilidades. E claro, há também os eventos organizados, consulte a agenda detalhada do portal VisitAlentejo onde poderá facilmente escolher o mote para o início, ponto de passagem ou final do seu passeio pelo litoral alentejano.

Em Alcácer do Sal, com vista para o rio Sado, pode começar por fazer uma viagem de balão. Leve roupa adequada à estação do ano e calçado confortável, fechado e sem saltos, porque a entrada e a saída do cesto podem, por vezes ser uma aventura per se. Convém acordar bem cedo, porque por vezes o tempo não permite o arranque do passeio e é necessário esperar pelas condições adequadas.

Para o efeito deverá pernoitar de véspera nas redondeza. Por exemplo, na Pousada de Alcácer do Sal, um castelo medieval transformado em hotel. A pousada fica numa colina com uma vista magnífica para as tranquilas águas do rio Sado. Os quartos foram decorados com cores quentes e, se o tempo o permitir, poderá aproveitar para dar uns mergulhos na piscina exterior deste alojamento a apenas 30 quilómetros da praia da Comporta. Em Alcácer do Sal, experimente a Tarte de Pinhão e visite a cripta arqueológica de Alcácer.

Por que é que a Comporta é um destino obrigatório?

Tem saudades da praia?

A praia da Comporta, ali tão perto, pode ser a nossa próxima paragem. Numa zona em que o inverno não tão rigoroso como noutras regiões do país, a praia pode ser também uma opção. Se prefere um pouco mais de adrenalina podem praticar desportos náuticos, incluindo surf, bodyboard ou windsurf. A ondulação do local é ideal para a prática de kitesurf, realizando-se mesmo por lá algumas competições. No limite da Reserva Natural do Estuário do Sado, esta praia conserva a vegetação dunar original, rodeada por pinhal.

Antes de partir para nova aventura, deverá então recuperar energia. Sugerimos o Armazém Central, na aldeia mineira do Lousal, onde poderá experimentar comida regional ao som dos cantares alentejanos pela voz do grupo coral Os Mineiros do Lousal, que caraterizam este espaço. O ambiente é familiar, o serviço atencioso.

Por perto, fica o Museu Mineiro do Lousal. Entre 1934 e 1992 neste edifício funcionava a central elétrica a partir da qual era fornecida energia quer ao complexo industrial mineiro da zona, mas também à população. Alguns anos após o encerramento, em 2001, transformou-se no Museu que se dedica à arqueologia industrial mineira. No local existe um significativo espólio documental, objetos e equipamentos que permitem ter uma ideia do era o quotidiano no local, na época de prosperidade da mina. No vídeo abaixo pode ver o motor mais antigo da central em funcionamento.

De Sines a Porto Covo, praias lendárias e vilas brancas

Pela estrada fora

Em seguida pode passar e parar em Sines ou Vila Nova de Milfontes, mas a nossa sugestão vai mesmo para Porto Côvo. Esta povoação de pescadores foi recuperada por Marquês de Pombal após o terramoto de 1755 e tornou-se conhecida de todos os portugueses através da voz de Rui Veloso. Porto Covo e a Ilha do Pessegueiro, a cerca de 250 metros ao largo de Porto Covo. Uma aventura nesta localidade é a ida à ilha do pessegueiro, mas só para os mais corajosos e cuidadosos, pois não existem visitas organizadas ao local. Mas não é apenas a ilha do Pessegueiro que desperta curiosidade, um pouco por todo o lado, há vestígios arqueológicos que testemunham a passagem de diferentes povos pela zona ao longo dos séculos, como fenícios ou romanos.

Aproveite para ficar no Hotel Apartamento Porto Covo, localizado no Parque Natural do Sudoeste Alentejano. Os quartos – que no fundo são apartamentos T0 e T1 apresentam uma decoração simples, mas agradável, com ar condicionado e kitchenette. Se ficar no piso térreo tem acesso direto à piscina.

Enquanto prossegue para o próximo destino vá pensando na energia que vai continuar a precisar. Sopas de peixe, açordas, migas com carne de porco, gaspacho, ensopado de borrego, pratos de caça e, claro, doçaria conventual integram a ementa do Alentejo.

É que, entretanto, já chegou ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV). Vai de São Torpes, a sul de Sines, até ao Burgau, já na costa sul algarvia, numa faixa marítima de dois quilómetros de largura que acompanha a Área Protegida em toda a sua extensão. Abrange territórios nos concelhos de Aljezur, de Odemira, de Sines e de Vila do Bispo.

Odemira hi-tech

Poderá seguir agora para Odemira. Aqui a nossa sugestão é tecnológica. E a partir dela poderá conhecer todo o concelho. A app “Descubra Odemira” pode ser descarregada para o seu telemóvel e facilita-lhe a escolha dos locais a visitar. Define o percurso, mostra as distâncias entre os lugares, dá informação monumentos, histórias e locais e ainda tem uma agenda para os eventos do concelho.

No entanto, a nossa sugestão vai para passeios pedestres, no âmbito da iniciativa mais abrangente “Alentejo a Pé”. Poderá optar por percursos circulares, com início e final no mesmo local, sem necessidade de transferes, e com duração de até meio dia. Há oito caminhos à escolha: Almograve, S. Luís, Troviscais, Santa Clara, Saboia, Bordeira e Carrapateira, que complementam e enriquecem os clássicos do costume: Caminho Histórico e Trilho dos Pescadores.

Opte por exemplo por passear entre as dunas de Almograve. O percurso coincide em parte com o trilho dos pescadores, oferecendo uma perspetiva do lado agrícola da região. O percurso das Horas de São Luís é mesmo muito curto, ideal para principiantes. Por aqui poderá apreciar as hortas e quintais de S. Luís. Nas rotas de Santa Clara (duas opções, uma mais curta e outra mais longa) permite conhecer a pacata aldeia de Santa Clara-a-Velha, que dá nome à barragem que criou um lago no concelho. Terá também oportunidade de conhecer a aldeia de Saboia e a estação ferroviária. Uma quarta sugestão é a rota dos Troviscais ao Mira, na qual poderá embrenhar-se em densas matas de sobreiros, eucaliptos e medronheiros a caminho do rio Mira. Integra o Caminho Histórico da Rota Vicentina.

Rota Vicentina

Só por si, dá um artigo. A Rota Vicentina já está certificada a nível europeu pelos seus percursos. São 450 quilómetros de trilhos pedestres ao longo de uma das mais belas e bem preservadas zonas costeiras do Sul da Europa sinalizados para caminhar entre Santiago do Cacém, no Alentejo, e o Cabo de São Vicente, no Algarve, e dos quais os que referimos são apenas alguns exemplos.

A Rota Vicentina está integralmente sinalizado e pode ser percorrido nos dois sentidos, em total autonomia e segurança, preferencialmente entre os meses de Setembro a Junho. As etapas são meramente indicativas, podendo ser encurtadas ou estendidas consoante a sua preferência ou localização do seu

Batata-doce em Aljezur

A gastronomia alentejana certamente não lhe é estranha. No interior predomina, na sua base, o pão, o porco e o azeite combinados com ervas aromáticas como os coentros, a salsa, o rosmaninho, os orégãos, o poejo ou a hortelã. No litoral, vale a pena experimentar o peixe fresco da costa ou outras especialidades como os percebes ou os pratos com amêijoa, como a carne de porco à alentejana.

Nesta altura, e em Aljezur, o destaque vai para a batata doce. De 30 de novembro a 2 de Dezembro tem lugar o Festival da Batata-Doce, naquela que poderá ser uma paragem pelo seu já longo passeio pela costa alentejana. É que a bata-doce de Aljezur é, além de tudo o mais, detentora de um selo de Identificação Geográfica Protegida (IGP), garantida pela Associação de produtores de Batata-doce de Aljezur.

Para terminar, e porque a viagem já vai longa, propomos um último passeio em Cerros da Carrapateira, onde poderá apreciar as sucessivas panorâmicas que se obtêm do topo dos cerros, sobre as praias do Amado e Bordeira, aldeias da Carrapateira e Vilarinho, bem como de toda a zona circundante até à Foia de Monchique. É o percurso circular mais próximo do mar, entre pastagens, pousios e matos baixos abertos.

Nesta região poderá ficar na Pensão das Dunas, junto ao Trilho dos Pescadores, a um quilómetro do mar e a cerca de 200 metros do Caminho Histórico,. É um ambiente tranquilo e familiar, na pequena aldeia da Carrapateira, disponibilizando quatro quartos duplos e seis apartamentos. A Carrapateira destaca-se ainda pelas suas gentes que, desde o primeiro momento, têm apadrinhado a Rota Vicentina desde o início, colaborando na sua conceção e manutenção.

A Costa Alentejana tem muito para dar a quem o visita e é o testemunho de que a região como muito mais do que nos habituámos a imaginar. O litoral alentejano tem praias, mas tem muito mais. No outono, o sol continua a aquecer a região, convidando a atividades ao ar livre, sem ter de recorrer ao casaco, gorro e luvas mais quentinhos lá de casa.