De Lisboa ao Algarve, sem pressa de chegar

26 Junho | 2015 | Goodyear

Até meados dos anos 90, chegado o verão, poucas estradas do país tinham a magia e o magnetismo do IC1. Unindo o país de Caminha a Albufeira, famílias inteiras acotovelavam-se no caminho para o Sul. Com mais de 700 quilómetros de extensão, servia uma grande quantidade de proveniências e destinos, ficando assim indubitavelmente marcada na memória de várias gerações. O país mudou, as auto-estradas vieram alterar os nossos hábitos para sempre, e muitas daquelas povoações à beira da estrada foram sendo esquecidas.

A norte do Rio Tejo, entre Caminha e Lisboa, junto à costa marítima, o percurso foi amplamente modernizado e leva-nos por Viana do Castelo e Póvoa do Varzim, lançando-nos no Porto através da Ponte da Arrábida, seguindo depois por Aveiro, Figueira da Foz, Caldas da Rainha, até se interromper em Lisboa. É da capital para Sul que o panorama muda e, depois de passarmos por algumas das zonas economicamente mais importantes do país, vemos o impacto das novas vias nas velhas povoações.

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    Devagar se vai longe
    Este ano desafiamos o leitor a voltar aos tempos da sua infância e a experimentar rumar ao Algarve pela estrada velha. Afinal, é uma hipótese rara para fazer uma viagem mais relaxada, poupar dinheiro em combustíveis e portagens e evitar os custos de qualquer paragem numa bomba de serviço. Como bónus, prepare-se para aproveitar a bucólica paisagem, os vendedores de fruta ambulantes e alguns restaurantes tão clássicos que já deram de comer a mais de quatro gerações de veraneantes.

    Ao passar por Grândola não deixe de parar à beira da estrada para comprar melancias para levar para a família. O negócio anda longe do sucesso do passado, mas aqui ainda encontramos a qualidade da fruta do produtor e preços que valem a pena. Mas não encha já a barriga porque o melhor ainda está para chegar.

    roita IC1

     

    Ao ritmo do Alentejo
    Alguns quilómetros mais à frente, no já mítico Canal Caveira, está na hora de comer o cozido, prato que se tornou um dos ex-libris das clássicas viagens ao Algarve de antigamente. Quando no pomos a pensar, não podemos deixar de admirar os veraneantes que, depois de uma iguaria destas, ainda se enchem com a coragem necessária para atacar a estrada debaixo dos 40 graus do Sol alentejano. Se lhe faltar a coragem para tanto, ou tiver um estômago mais sensível, avance mais um quilómetros até à Mimosa onde as sandes de carne assada são muito recomendáveis. Em todo o caso, deixamos-lhe mais um desafio: há quanto tempo não dorme uma sesta à velha maneira alentejana? Estamos de férias, não há pressa… deixe-se ficar…

    Se seguir o nosso conselho, irá chegar ao seu destino ao final da tarde, uma hora mágica nesta altura do ano. Entre as vacas que se confundem com a paisagem, espalhadas pelos pastos dourados ao lado dos campos de milho, vai estar um fabuloso e radiante sol vermelho, um momento em que a paisagem do Sul do país revela a sua magia e os motivos pelos quais ali rumamos, ano após ano. Há quanto tempo não vai de férias sem pressa de chegar? Experimente já neste Verão.

    Good Year Kilometros que cuentan