Técnicas e conselhos para uma degustação de vinho perfeita

Portugal é conhecido pelos seus excelentes vinhos. Quais as técnicas e conselhos para os degustar e fazer boa figura nas provas de vinho?

Degustar vinho com sabedoria não é algo inato. Podemos ter maior capacidade para observar, cheirar e papilas gustativas mais ou menos desenvolvidas, mas para fazê-lo como um profissional é preciso ter, além do amor à vinicultura, muita formação e interesse em manter-se atualizado sobre todas as novas variedades de vinhos que vão surgindo no mercado. E experiência, muita experiência, pois só com muitos termos de comparação se consegue ser um perito na matéria.

Mas, não custa tentar. Os produtores de vinhos, através das suas iniciativas de enoturismo, estão a promover cada vez mais iniciativas de provas de vinho que nos permitem tomar contacto com esta – e vamos cair no exagero – ciência da prova dos vinhos. Bem, talvez não seja ciência, mas arte é sem dúvida.

E como se pode degustar um vinho como um profissional? Para começar, terá de arranjar boas condições para a prova: um espaço isento de cheiros, com boa luz, um bom copo (transparente, incolor e sem desenhos) e um bloco de notas, explica a Comissão Vitivinícola da Bairrada. Além disso, não utilize perfumes fortes ao degustar vinhos.

Há essencialmente quatro etapas em todo esse processo. É preciso apreciar o “néctar”, concentrar-se nos seus sentidos e analisar as qualidades através de um exame visual, agitando o copo, sentido o aroma e, finalmente, provando-o. O vinho deverá ocupar apenas um terço da capacidade do copo.

O blogue Vida e Vinho detalha as etapas essenciais: análise visual, análise olfativa, análise gustativa e conclusão, que aqui adaptamos, mas, naturalmente há variantes. Estas etapas no seu conjunto resultam em conclusões subjetivas. Mas o importante é que encontre o seu tipo de vinho favorito. E não pode ser igual para toda a gente. Pois, tal como as cores, o que seria do vinho branco, se toda a gente gostasse de vinho tinto?

1. Análise visual

Observe o vinho, utilizando uma luz razoavelmente boa, contra uma superfície branca. Deverá observar então a cor, a limpidez e efervescência.

Nesta altura irá observar a aparência geral da bebida. Por exemplo deve certificar-se que o vinho está límpido e brilhante, sem partículas ou turbidez que podem ser indicação de algum defeito.

Em seguida, deverá apreciar a cor. Com a prática, é possível identificar algumas características do vinho, como a idade ou as castas utilizadas, através desta observação. Mais uma vez deve tirar partido do contraste com o branco. As cores vão variar consoante as variedades dos vinhos (brancos, rosés, tintos). No blogue Vida e Vinho o autor refere que “vinhos com brilho intenso podem indicar acidez elevada”.

Ainda sobre a cor, o passo seguinte é observar a intensidade da cor, da borda até ao centro do copo. Neste caso, “quanto maior a diferença da cor, maior o indício de evolução do vinho”, e “vinhos de cores intensas podem indicar maior estrutura (corpo)”.

2. Análise olfativa: agitar e sentir o aroma

Agite o copo com um cuidadoso movimento circular, de modo a permitir a libertação dos aromas. Quando parar a agitação veja se existem lágrimas a escorrer pelas paredes do copo (podem dar uma indicação sobre o teor de álcool e açúcar do vinho), aconselha a Comissão Vitivinícola da Bairrada.

Neste campo, é necessário identificar aromas e certificar-se que o vinho tem um “aroma limpo e agradável”, diz o mesmo blogue. Por exemplo, aromas de verniz das unhas, vinagre ou cartão molhado, podem ser sinal de algum defeito na bebida.

Em seguida, agite novamente o copo, aproxime o nariz e inspire profundamente. Tente encontrar no conjunto de aromas alguns que Ihe sejam familiares.

O objetivo de agitar o vinho é oxigená-lo para deste modo libertar os compostos aromáticos que, ao ficar mais intensos e agradáveis, são mais fáceis de identificar. Há três tipos de aromas: primários, secundários e terciários. Os primeiros surgem das variedades das uvas, os segundos resultam do processo de produção do vinho e os últimos têm origem no processo de amadurecimento nos barris ou em garrafa.

3. Análise gustativa

Depois da visão e do olfato é a vez do paladar. Por isso, para terminar, coloque na boca uma quantidade razoável de vinho (sem ser demasiada).  Role o vinho suavemente na boca, de forma a atingir as papilas gustativas de forma uniforme, explica a CVB. Nesta altura deverá definir o sabor do vinho. Inspirar pela boca, fazer o ar atravessar o vinho e expirar pelo nariz. Segundo explica a CVB, os “aromas detetados desta forma constituem o aroma de boca. Ao conjunto das sensações detetadas na boca e por via retronasal, no nariz, chama-se paladar”.

É a última fase da degustação em que podem surgir novos aromas/sabores. Nesta fase identificam-se todos os aspetos de sabor de um vinho.

Poderá identificar doçura, acidez, taninos, álcool, corpo, final de boca e a qualidade geral da bebida. Para cada uma destas caraterísticas há recomendações para a prova. Leve, média ou alta, é assim que deve classificar, por exemplo a acidez ou a presença de taninos. Já agora, os taninos são responsáveis pela sensação de secura na boca, em particular na prova de vinho tinto. O corpo do vinho pode ser leve, médio ou encorpado e o final de boca curto, médio ou longo. Curiosamente, ao longo de todas estas fases é possível sentir novos sabores.

4. Conclusão

Chega finalmente a hora de tirar conclusões e fazer uma avaliação final. Naturalmente, esta avaliação vai depender dos seus gostos mas também da comparação.

Gostou ou não gostou? Que caraterísticas se sobrepõem a outras? Quais as caraterísticas que mais lhe agradam. Vá atribuindo notas aos vinhos e faça-se acompanhar de um caderno para anotar os detalhes que considera relevantes sobre os vinhos que prova.

Com o tempo irá ganhar experiência e apurar os seus sentidos. Praticamente só vantagens. Exceto uma: se o seu paladar fica mais refinado, provavelmente terá de passar a gastar um pouco mais nos seus vinhos preferidos. O que vale é que há muitos e bons vinhos a preços acessíveis.

Esperamos tê-lo ajudado a conhecer algumas técnicas e conselhos para uma degustação de vinho perfeita.