Destinos de natureza no Algarve sem se afastar do mar

Mesmo sem sair da praia e das principais zonas turísticas podemos encontrar a natureza no Algarve em estado puro. Venha connosco descobrir onde!

A natureza no Algarve apresenta-se de muitas e variadas formas. Da serra ao barrocal, a sucessão de paisagens é surpreendente numa curta distância. Mas, mesmo sem nos afastarmos da linha de água, no pico do verão, no meio de todos os turistas, a região ainda guarda algumas surpresas. Fizemos a costa algarvia, sem fugir aos aglomerados, e fomos surpreendidos com a facilidade como a natureza ainda vibra. A pressão urbanística continua grande e não dá sinais de abrandar, mas entre aldeamentos e hotéis, descobrimos uma rota para reencontrar a natureza no Algarve.

Para dizer a verdade, sumarizar todas as paisagens e diferentes heranças biológicas que o Algarve esconde seria tarefa para uma longa série de artigos. Assim, e como o comum forasteiro vai em busca da praia, escolhemos apenas destinos costeiros. São pontos que ficam a poucos minutos da beira-mar e que mostram que há sempre um outro país, desde que haja vontade de meter os pneus na estrada. Venha daí!

    1 Praia da Amoreira

    Do topo das arribas da Costa Vicentina espreitam dunas a que os locais chamam de “medos”. Aqui e ali surgem rochas que resultam do afloramento da duna fóssil (paleoduna), entretanto coberta pela areia. Esta estrutura tem milhares de anos e resulta de períodos de precipitação e temperatura muito elevadas. O processo deu origem a uma rocha dura que era utilizada para moagem de cereais. No topo desta faixa é possível encontrar ainda pequenas grutas. Não existem percursos assinalados na margem norte mas é possível percorrer o passadiço entre as dunas da praia.

    2 Praia do Monte Clérigo

    A partir do pinhal da praia de Monte Clérigo siga o caminho que o leva através das arribas. A vista sobre a costa é fantástica e pode observar as dunas. Se seguir para norte vai encontrar o local onde antigamente se cortava a pedra para as mós de cereais. Nas dunas poderemos encontrar lagartos que se alimentam dos escaravelhos e borboletas que encontramos por todo lado.

    3 Praia do Telheiro

    Ao preparar-se para dobrar a “esquina” do Cabo de São Vicente, a paisagem começa a mudar tons. O calcário vai dar espaço ao xisto, as rochas tornam-se mais escuras ao virar para leste. Nas arribas nascem as plantas aromáticas que os locais sabem usar na belíssima gastronomia de Sagres e é por esses trilhos que prosseguimos para sul.

    4 Cabo de São Vicente

    Aqui o vento pode soprar a mais de 100km/h e a maresia é-nos imposta, quer queiramos ou não. Do cabo até à Fortaleza vamos encontrar uma sucessão quase ininterrupta de brutas arribas, encabeçadas por estes dois promontórios. Sob a influência do Norte de África, do Mediterrâneo e do Atlântico, é uma região de uma diversidade notável. Veja ainda como as variedades locais se adaptaram ao meio, tornando-se mais rasteiras para resistir ao vento. Nesta zona existem 11 espécies consideradas decisivas para conservação. Só mais para o interior é que começa a dominar a influência do barrocal. Vários percursos pedestres permitem descobrir tudo isto e há ainda uma via ciclável perto da Nacional 268.

    5 Ponta da Piedade

    A partir daqui e até Olhos de Água, com a interrupção de extensos areais, a linha de costa torna-se a conhecida imagem de marca algarvia. A sucessão de arribas em tons avermelhados e amarelos é intercalada por praias de areal dourado. Antes disso, é a maravilha da Ponta da Piedade que nos faz acreditar estar num conto de piratas. Do alto das arribas, seguindo em ambas as direções, sotavento ou barlavento, vamos encontrar uma sucessão de miradouros e pontos de vista que merecem bem o nosso tempo.

    6. Ria de Alvor

    Com quatro cursos de água que chegam das Serras de Monchique e Espinhaço de Cão, é a maior zona húmida do barlavento. A área da lagoa está protegida do mar por faixas de areia, com a praia do Alvor a delimitar a vertente mar. Perto de uma zona fortemente construída e frequentada durante o verão, é uma zona calma onde a natureza ainda desperta. Em cerca de 1.500Ha encontramos uma paisagem bastante diversa. Há pequenas lagoas, dunas, sapais e salinas, ombreados pelos bosques e campos que seguem para o interior. A aproveitar tudo isto, uma série de aves percorre estes céus em qualquer altura do ano. Há andorinhas, borrelhos e cotovias, enquanto as gaivotas e as garças descansam no sapal.

    7 Estuário do Arade

    Antes de fazer a sua última etapa até Portimão, o Arade junta-se à ribeira de Odelouca para criar uma curiosa paisagem. O seu estuário é agora preenchido com uma marina e porto de pesca, mas antes de entrar no ponto terminal há ainda tempo para um encontro com a natureza. Ao lado da zona de lodaçais, sapais e bancos de areia aparece mato e nascentes de água doce. Há pernilongos, flamingos, gaivotas, tarambolas e maçaricos. Em grutas de calcário há ainda colónias de morcegos. Debaixo de água registaram-se já 88 espécies diferentes de peixe, do caboz à sardinha.

    8. Lagoa dos Salgados

    Depois de um curto percurso através de campos agrícolas, perto da praia dos Salgados encontramos um spot de eleição para os fãs da observação de pássaros. Passam por aqui regularmente mais de 5.000 aves aquáticas de cerca de 60 espécies diferentes. É um importante local de nidificação e invernada para muitas delas. Em redor, pomares em quase todas as direções fazem a moldura a esta paisagem.

    9. Trilho de São Lourenço

    Percorrendo este trilho vamos passar entre os sapais, o campo de golfe e terminar já na praia. Dentro do clube de golfe da Quinta do Lago há um lago de água doce enquanto do lado mar se estendem os esteiros salinos. Para qualquer um destes habitats há dois observatórios de aves e percursos pedestres que nos levam através das salinas até à foz da Ribeira de São Lourenço.

    10 Ilha da Barreta, Ria Formosa

    Esta zona húmida protegida estende-se ao longo de mais de 60km de costa entre o Ancão e a Manta Rota. Ao longo desta costa sucedem-se pequenas surpresas e recantos, as ilhas barreira, os pontões e ilhotas, salinas e bancos de areia. Mesmo com a pressão turística e Faro aqui tão perto, a zona tem-se mantido relativamente intocada e bem protegida. Com uma variedade de habitats notável, é possível ver as variações tanto na fauna como na flora. Há muita amêijoa, lingueirão e berbigão, mas também uma enorme quantidade de peixes, espalhados por mais de 140 espécies. Espécimes curiosos como cavalos marinhos, raias ou peixe-aranha são visões possíveis nestas águas. Também as aves, que passam aqui no seu percurso para África, são uma presença constante.

    11. Mata Nacional de Vila Real de Santo António

    O acesso à mata é realizado através da estrada que liga Vila Real a Monte Gordo e é um curioso refúgio na azáfama do verão. Desde a ria Formosa que um dos animais que podemos encontrar entre as dunas é o camaleão e aqui é sítio para o vermos. O trilho do camaleão é um percurso de 5Km que percorre toda a mata e, além destes simpáticos animais, uma série de passeriformes dos mais variados géneros. Esta vegetação é fulcral para a zona, ajudando a fixar as dunas, a controlar os ventos marítimos e a biodiversidade da região.