Ecopistas: 5 ecopistas para passar alguns dias a pedalar

São cada vez mais quilómetros de vias dedicadas a velocípedes. Ciclovias e ecopistas são os novos caminhos para pedalar e descobrir lugares em Portugal.

Mas, afinal quais são as melhores regiões para pedalar em Portugal? Naturalmente, vai depender do que mais gosta e da sua capacidade para pedalar. No site Portugal Bike Tours encontram-se algumas sugestões e um guia para quem pretende fazer escapadas em duas rodas em Portugal. Muitos destes percursos atravessam os parques naturais do país sobre os quais escrevemos recentemente aqui e aqui.

Caminho português para Santiago de Compostela

Começamos pelo percurso mais a norte entre os que escolhemos e também aquele que poderá representar um maior desafio. Todos podem fazer o Caminho português para Santiago de Compostela, mas os principiantes devem preparar-se convenientemente, pois poderão precisar de passar mais horas que ciclistas experientes a pedalar.

De maio a outubro, com exceção do mês de agosto, os ciclistas intermédios podem pegar nas suas bicicletas de montanha ou touring e seguir, durante cinco a sete dias por esta rota. Poderá ter um significado mais forte para os ciclistas mais religiosos, mas é mágico para qualquer um. Afinal “pedalar pelo Caminho de Santiago, quer seja a partir de França, Espanha ou Portugal é um marco para muitos ciclistas, uma vez que este é um caminho que deixa marcas”.

O percurso deve começar no Porto, pedalando-se em seguida ao longo do noroeste de Portugal, pela região do Minho (e depois Galiza, em Espanha) até chegar a Santiago de Compostela. As recomendações apontam para o Caminho Costeiro ou para o Caminho Central, ambos no Norte. Segundo a Portugal Bike Tours, o percurso central é “um duro caminho de 30 quilómetros pelo interior, até se unirem em Pontevedra, Espanha, e seguindo viagem para Santiago”.

Dificuldades pelo caminho

Os Caminhos estão assinalados por setas amarelas, ou vieiras, apontando em direção à catedral de Santiago de Compostela. O percurso é fácil de seguir, mas deve ter atenção, pois poderá obrigá-lo a percorrer trilhos e estradas mais complicados. A opção central, embora mais complicada, poderá “proporcionar-lhe uma maior profundidade histórica e cultural na região do Minho”, enquanto pedala entre cidades como Barcelos, Ponte de Lima e Valença. O caminho costeiro é mais tranquilo e menos exigente nos primeiros dias, tornando-se depois mais complicado.

Ambos os caminhos têm terrenos mistos – alcatrão, caminhos de pedras, estradas romanas antigas, alguns trilhos – e são na sua maior parte rodeados por bosques e zonas rurais, ocasionalmente com algumas zonas urbanas como Porto, Vigo, etc. Consulte aqui uma opção de bike tour do Porto a Santiago de Compostela. http://portugalbiketours.com/pt/llr/portugal-cycling-tours/Porto-Santiago-de-Compostela-premium-ferias-de-bicicleta

Pelas margens do Douro e ao longo do Parque Natural do Douro Internacional

O ideal é ir entre março e junho ou setembro a outubro, na altura das colheitas. É um percurso ideal para ciclistas intermédios ou avançados. Irá levar entre cinco a sete dias a percorrer este terreno montanhoso com bicicletas de estrada ou de touring.

Esta ecovia segue paralela ao rio e ao longo da Estrada Nacional 222. “Ao longo do percurso toda a paisagem circundante é tipicamente duriense com destaque para os socalcos das vinhas do Douro de algumas das mais emblemáticas quintas produtoras de vinhos da região”, explica um Guia de ciclovias, ecopistas e ecovias da região Porto/Norte,  no qual pode encontrar informações sobre muitas outras opções na região em causa.

O Instituto de Conservação da Natureza apresenta para esta região do Parque Natural do Douro Internacional dois itinerários distintos: cicloturístico e off-road, que podem ser visualizados no Google Earth.

Ciclistas: os seus novos companheiros

Não deixe marcas por onde passar

Quando planear a sua visita deverá ter em conta as recomendações descritas no “Código de Conduta e Boas Práticas” dos visitantes das Áreas Protegidas, além dos conselhos úteis disponibilizados.

O itinerário cicloturístico proposto pelo ICNF tem como ponto de partida a aldeia de Constantim e como ponto de chegada a aldeia de Escarigo com uma extensão de aproximadamente 170 quilómetros. O percurso desenvolve-se por estradas secundárias alcatroadas, desde a fronteira com Espanha, perto da aldeia de Constantim, no extremo norte do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), até à aldeia de Escarigo, já no distrito da Guarda.

O itinerário off-road começa na aldeia de Constantim e termina em Freixo de Espada à Cinta, prolongando-se por aproximadamente 90 quilómetros. Neste caso, o percurso desenvolve-se por caminhos de terra batida.

De linhas de comboio a ecopistas

Uma das linhas de comboio que passou a ser uma ecopista é a linha do Dão, que atravessa o Caramulo ou a região de Viseu. A ecopista tem 50 quilómetros, a mais comprida do país, pode ser feita por partes, e, ainda por cima, quase não tem desníveis. Escolha uma das etapas, agarre na família toda e venha conhecer uma das mais belas vias do país.
A linha ligava anteriormente Viseu ao resto do país via Santa Comba Dão e encerrou em 1988, tendo sido convertida em ecopista no século XX. O início do percurso é marcado em Santa Comba Dão, no ponto de encontro entre o Pavia e o Dão. Daí seguimos para Norte com destino a Viseu, quase no centro da cidade. Se não tiver bicicleta, comece na Quinta da Abelenda, onde poderá alugar uma entre os 10 e os 20 euros por dia. Se quiser pode deixar o carro aqui, pois está disponível também um serviço de taxi-bus. Já nos focamos anteriormente com detalhe nesta ecopista, pelo que recomendamos a leitura do artigo anterior. Raramente a atividade física consegue ser tão relaxante como na ciclovia do Dão.

A linha do Dão não é o único exemplo de ecopistas que substituíram linhas de comboio. Minho, Famalicão, Guimarães, Tâmega, Sabor, Vouga, Montado e Moura. Em comum, em tempos, tinham as linhas de comboio. Hoje, têm ecopistas (Vias Verdes no âmbito da iniciativa Europeia), que aproveitam os antigos percursos das linhas de comboio. A iniciativa está inserida no Plano Nacional de Ecopistas que pretende requalificar e reutilizar as linhas e canais ferroviários sem exploração em algumas áreas do Norte, Centro e Alentejo.

Região vinícola do Alentejo

Outra sugestão é a região vinícola do Alentejo. O passeio deve ser agendado para entre março e junho ou de setembro a novembro, sendo indicado para ciclistas principiantes e intermédios. O percurso é maioritariamente composto por colinas, com zonas planas e subidas ocasionais e pode levar entre cinco a sete dias. O tipo de bicicleta recomendada é de estrada e de passeio.

As extensas áreas planas, convidam a pedalar entre colinas e trilhos escondidos nas vinhas, olivais e sobrais. O trânsito é também reduzido, o que permite viagens tranquilas, em regra longe de carros e passando por pequenas aldeias pacatas, http://quilometrosquecontam.com/moura-amareleja-barrancos/ onde poderá contactar as populações locais.

Prepare-se, no entanto, para alguns percursos mais acidentados pelas serras de Marvão e Castelo de Vide. Imperdível é, naturalmente, o Lago do Alqueva. Não deixe de experimentar a gastronomia local, “rica em ervas, especiarias, porco, o incontornável pão, azeitonas e azeite, entre outros elementos que resultam da fusão entre as culturas árabe e portuguesa”, detalha a Portugal Bike Tours.

Aproveite para visitar testemunhos da longa história do território desde Antas e cromeleques, a castelos medievais ou templos romanos. As vinhas locais são também motivos de interesse incluindo locais como a Herdade do Esporão, a Adega da Cartuxa ou o Monte da Ravasqueira. E, claro, a incontornável Évora. Capital da região, cidade fortificada e património mundial da UNESCO. Irá também ter oportunidade de visitar o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Nas terras dos Algarves

O Portugal Bike Tours recomenda que o percurso pelas terras dos Algarves seja feito entre fevereiro e maio ou então de setembro a novembro. É indicado tanto para ciclistas principiantes, como intermédios ou avançados. Para o percurso deverão ser utilizadas bicicletas de estrada, passeio ou montanha. Durante cinco a sete dias irá tirar partido de um percurso montanhoso, se optar por circular no interior do Algarve ou mais fácil se optar pela Costa. O ponto mais alto do Algarve é Fóia, com 902 metros, sendo uma subida destinada a quem tem mais experiência.

Um dos grandes atrativos da região é o Parque Natural da ria Formosa, entre Vila Real de Santo António e Loulé. Os pontos de interesse destes mais de 170 quilómetros quadrados são variados e de âmbito natural, cultural e paisagístico. Acrescem, naturalmente, a multiplicidade de praias para todos os gostos.

Para “pedalar”, o Portugal Bike Tours, recomenda a Rota Vicentina, “os quais estão devidamente assinalados e brevemente serão incluídos no projecto Eurovelo 1, o qual irá permitir que os ciclistas pedalem pela costa algarvia de este a oeste e para cima pela costa sudoeste até ao Alentejo”.

Por aqui poderá desfrutar de uma estadia num hotel de charme, como o Salgados Palace Hotel e tire partido da vista sobre sobreiros, laranjeiras e amendoeiras da região.

Ou então….

Inspire-se noutros viajantes. Prepare-se em conjunto com a família ou amigos. São cada vez mais os exemplos que podem ser seguidos em blogues na Internet e que, parecendo que não, acabam por facilitar a vida aos ciclistas que se seguem. Famílias inteiras, mesmo com filhos de tenra idade, partem à aventura para férias inesquecíveis em duas rodas. É o caso desta família de cinco.

É também o caso da equipa do “Cenas a Pedal” que criou um blogue para descrever as suas aventuras em duas rodas. Outro blogue interessante – O Meu Escritório é lá Fora – aponta mesmo cinco propostas de viagens em duas rodas, na primeira pessoa. Entre elas está a “nossa route 66”, a Estrada Nacional 2, sobre a qual a Goodyear escreveu recentemente.

Boas pedaladas nas ecopistas de Portugal!