Época das vindimas: à descoberta do segredo de Castelo Rodrigo

Trabalho nas colheitas, prova de vinhos e onde ficar em Figueira de Castelo Rodrigo, Escalhão e Vermiosa

Chegada a altura de trabalhar na vinha, Figueira de Castelo Rodrigo recebe todos os forasteiros que ali quiserem experimentar as colheitas e apreciar o belíssimo vinho branco  da região. Os visitantes chegam de ambos os lados da fronteira para vivenciarem as vindimas em toda a sua intensidade, podendo participar na poda das vinhas, na pisa ou apenas passear pela região. Venha daí conhecer a produção local e experimentar um dos melhores vinhos portugueses.

No sopé da Serra da Marofa, entre os vales do Côa e do Águeda, fica Figueira de Castelo Rodrigo, vila de tradição vinícola, onde se produzem vinhos de elevada qualidade desde o século XII. No Convento de Santa Maria de Aguiar, foram os monges de Cister que iniciaram o trabalho na vinha há mais de oito séculos. Actualmente, mais de 1000 produtores contribuem para a Adega Cooperativa local, para uma produção anual de mais de 10 milhões de litros de vinho.

Os vinhos aqui produzidos estão inseridos na Região Demarcada da Beira Interior e são cultivados  em solos onde prevalecem os xistos e os arenitos. Característicos do clima mediterrânico oriental, são produzidos com as castas Síria e Malvasia (a uva branca), ou com Marufo, Rufete, Touriga e Tinta Roriz (a uva tinta). Os resultados têm trazido bastantes galardões à Cooperativa de Castelo Rodrigo, apesar das dificuldades económicas pelas quais passou nos últimos anos. Perderá quaisquer dúvidas que tenha depois de experimentar o Castelo Rodrigo Touriga Nacional de 2005 ou o Espumante Bruto de 2011, néctares de carácter muito diferente, mas iguamente merecedores da atenção de qualquer apreciador.

Enoturismo em Figueira de Castelo Rodrigo

A nossa experiência de enoturismo em Figueira de Castelo Rodrigo foi sediada na Vermiosa, freguesia ao pé da Barragem de Santa Maria de Aguiar, com vista para a Serra da Marofa. Íamos com o objectivo único de participar nas colheitas e, por isso, escolhemos a “Casa das Castas”, onde sabíamos ter ao dispor uma série de actividade ao nosso gosto. Este produtor, dono de um vinho de excepção (experimente o Vale de Esgueva Vinhas Velhas, reserva de 2011 e prepare-se para ficar encantado), apostou também fortemente no enoturismo e em programas dedicados a este público especializado e conhecedor.

Poderemos participar aqui nas actividades das vindimas, na poda e na pisa da uva, até ao fim de Outubro, ou em provas de vinhos locais e jantares vínicos durante todo o ano. Locais como Castelo Rodrigo, Almeida ou o Rio Côa podem também ser facilmente visitados a partir da Vermiosa e fazem parte de um Portugal que poucos conhecem devido à sua interioridade.

Castelo Rodrigo - Quilometrosquecontam

 

 

Se tiver outros planos ou estiver só à procura do contacto com a natureza e património histórico, a “Hospedaria do Convento”, mesmo ao lado da original casa dos monges de Císter, é outro local que recomendamos vivamente. No passado recebiam-se aqui os peregrinos que iam para Santiago de Compostela. No presente recebe os forasteiros que procuram as raízes monásticas da zona, um calmo refúgio para um contacto profundo com os campos em volta.

Para além do vinho, a gastronomia local tem também belíssimos representantes na confeção da carne barrosã ou na açorda de cogumelos. Visite o “Lagar”, em Escalhão, e conheça a perfeita associação que aqui se faz entre uma carta tradicional e um requintado respeito pelo vinho. Em Figueira, a “Taverna da Matilde” seduz-nos com o naco na pedra e um queijo regional que fica marcado na memória.

De regresso a casa, vamos ter que cuidar da linha durante uns tempos, tal foram os excessos que cometemos nesta breve passagem pela Beira Interior. Mas será tarefa complicada: a mala do carro chegou carregada de belíssimo vinho que precisamos agora de partilhar com os amigos. Está na altura de os convidarmos para um jantar beirão…