Entre matas e aldeias

Descubra com a Goodyear o centro de Portugal, uma terra de montanhas. Visitamos algumas das paisagens mais robustas e bonitas , a Mata da Margaraça e a Fraga da Pena entre aldeias do xisto.

A Serra do Açor esconde algumas das paisagens de maior beleza natural de Portugal. Talvez seja pelo apego dos habitantes destas regiões à sua terra, mas é certo que aqui encontramos locais que parecem não terem sido perturbados durante séculos, ou que se integram na modernidade sem dissonâncias nem perturbações estéticas.

Situada nestas terras bravas do Centro de Portugal, a aldeia de Fajão é uma povoação pequena e linda envolta sempre no murmúrio da água. A Fonte Velha mana perto da igreja como antigamente, quando era o subministro único das famílias locais. Na beira do Ceira, afluente do Mondego, a aldeia oculta-se entre altos penedos de quartzito, fortaleças de conto. O ambiente tradicional da aldeia é devido a uma decidida intervenção de restauração e reabilitação que reconverteu os espaços particulares e comuns da aldeia, conseguindo um contorno pitoresco e evocador.  Talvez seja Fajão uma das derradeiras aldeias do país onde conhecer um autêntico e tradicional forno comunal, ou um lavadouro público, muito anterior às modernas máquinas de lavar roupa. Apesar do seu pequeno tamanho, há muito mais por ver na aldeia: o largo da cadeia e o museu Monsenhor Nunes Pereira, a caminho do topo onde desfrutar da piscina para combater o calor estival.

Fora da aldeia, se procurarmos a natureza mais virgem, podemos pesquisar as represas do rio, de águas límpidas e cristalinas, onde mergulhar sem quaisquer preocupações. Nos penedos próximos pode, se gosta da aventura, experimentar a escalada que leva ao topo que, de 900 metros de altura, oferece uma das paisagens mais espetaculares sobre a Beira Baixa.

Fraga da Pena

Para Norte, a caminho de Benfeita, temos de parar para descobrir mais uma paisagem imperdível da Serra, a mata da Margaraça. Esta floresta histórica está documentada já desde o século XIII e da sua madeira saiu o retábulo da Igreja da Sé Nova de Coimbra e também a da velha ponte do Mondego na mesma povoação. Estamos perante uma das florestas caducifólias mais importantes das que existem hoje no nosso país, numa encosta que olha a Norte e Noroeste onde se juntam carvalhos, cerejeiras, ulmeiros, azevinhos, castanheiros e loureiros. A mata é um infrequente reduto das formações vegetais espontâneas da serra e constitui, pois, uma Reserva Biogenética de grande importância como testemunho de como eram as florestas desta zona do país antigamente, muito para lá das 68 hectares que hoje ocupa. Para quem gosta de descobrir a fauna dos recantos selvagens de Portugal, aqui poderá observar aves como  açor, a coruja do mato, a águia de asa redonda ou o pombo torcaz.

E, antes de chegarmos Benfeita, ainda podemos descobrir a Fraga da Pena, onde uma cascata recebe os visitantes como ex-líbris local. É um dos fenómenos geológicos mais visitados e lindos da Serra do Açor, onde as águas caem de 70 metros de altura, criando abaixo uma micropaisagem no coração de um vale estreito de exuberante vegetação. Um recanto mesmo cinematográfico onde desfrutar de um mergulho nas águas e de uma tarde na área recreativa próxima.

Cascata da Pena

Benfeita, a última paragem, é uma aldeia branca da rede do xisto. Dedicada ao conceito da paz, homenageia-a com uma torre, um sino e um relógio. Para quem visita a aldeia a cada 7 de maio, é surpreendente o som continuado do sino: isto acontece desde 1945 e cada uma das 1620 badaladas é uma lembrança do mesmo número de dias que durou a paz portuguesa. Em Benfeita, para lá deste curioso detalhe, encontrará a união das ribeiras do Carcavão e da Mata, aproveitadas num moinho, o do Figueiral, que ainda pode ser visitado.

Um dos melhores recantos da aldeia para a conhecer é a subida à Fonte das Moscas, de onde observar as casas brancas, as pequenas ruas e passadiços e a edificação de xisto. Não esqueça visitar a Igreja paroquial e o atelier de feltrosofia, onde se aprende a fazer peças de feltro inovadoras, e a Loja das Aldeias do Xisto, que funciona também como um detalhado centro documental.