Evoramonte, atalaia da planície alentejana

Evoramonte é local perfeito para encontrar o descanso à moda do Alentejo, num fim de semana com cheiro a rosmaninho, bom vinho e muitos passeios de carro.

Discreta, menos conhecida e mais tranquila, Evoramonte é uma pequena ilha no meio do Alentejo. Se a região continua a manter quase intacto o seu charme e beleza originais, a pequena vila leva a tradição um pouco mais longe e mantém-se intocada pelos autocarros de turismo que circulam nestas estradas rumo a Estremoz, Redondo ou Évora. Em redor, os olivais e a vinha, em conjunto com a cor avermelhada dos campos, desenham a paisagem que faz o contraste perfeito com o casario branco e criam o cenário perfeito para uma escapadela de fim de semana em Evoramonte.

Vista ao longe, no alto do seu cabeço na ponta ocidental da Serra de Ossa, Evoramonte tem aspeto de cenário de uma série de fantasia medieval. Conseguimos ver as suas muralhas desde vários quilómetros de distância e, ao meio, a torre de menagem num ótimo estado de conservação.

Evoramonte, atalaia da planície alentejana

Evoramonte, a “nova” e a “velha”

A vila está hoje dividida em duas, com a parte de dentro das muralhas do castelo a ser menos habitada, enquanto a parte baixa é onde se dá a maior parte da atividade e onde podemos ver os homens a partir nos seus tratores para o campo, enquanto as mulheres ainda tratam da casa e se sentam à porta nos momentos de descanso. No largo principal ao final da tarde assistimos ao ritual do fim da jornada de trabalho, que aqui é quase sempre cumprido com uma garrafa de cerveja e dez minutos de conversa com os amigos.

A subida ao castelo, embora pareça mais impressionante quando a comparamos com a planície circundante, é bastante agradável, levando-nos através dos montados de azinheiras, enquanto a vista se abre à medida que subimos. Já dentro das muralhas aguardam-nos duas igrejas e cerca de uma dezena de ruas em piso empedrado e com as casas caiadas a branco. No espaço que era o antigo Celeiro Comum, onde se guardava o stock de cereais da localidade, existe hoje um centro de artesanato onde podemos levar para casa artigos em cortiça, tapeçarias ou peças em pele. Impossível é também fugir a um passeio ao pé da torre de menagem, um edifício impressionante que recorda a função defensiva original desta povoação, não muito longe da linha de fronteira e numa posição de atalaia privilegiada.

Vila Viçosa talha-se na pedra

A passagem por Évoramonte e a facilidade de condução nestas estradas convidam à visita a várias das povoações históricas que a rodeiam. Com ruas invulgarmente amplas, vários largos, estátuas e o omnipresente Palácio Ducal, Vila Viçosa, por exemplo, é uma majestosa terra alentejana, invulgar na sua nobreza e riqueza. Foi sede da corte dos reis Filipes e residência de férias da Casa de Bragança, tendo caído em alguma decadência aquando da primeira república.

Nos anos 30 do século XX, a exploração do mármore a toda a volta recuperou a economia local, o Palácio abriu-se para a exploração turística e a localidade mantem-se hoje num óptimo estado de conservação que delicia os visitantes. Para além da visita obrigatória ao enorme Terreiro do Paço em frente à fachada do palácio, onde os pormenores em mármore mostram bem o orgulho da terra, aproveite aqui para provar as famosas Tibornas, um doce de ovos, amêndoa e abóbora.

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“Fazer as 11” em Borba

A menos de 10 quilómetros de distância, com as pedreiras a acompanharem-nos ao longo de todo o caminho, Borba é a mais pequena cidade alentejana, enfeita-se de mármore branco e tem uma tradição gastronómica bastante própria. Para enriquecer os seus pratos em alturas de maior pobreza, os habitantes da região especializaram-se no uso de ervas aromáticas que, em conjunto com o bom azeite que se produz em redor, dá um sabor muito característico ao que aqui se cozinha. Se vier até aqui, participe no ritual do “fazer as 11”, hora da manhã em que muitos dos habitantes locais se dirigem aos cafés e tasquinhas da terra para um copo de vinho tinto e um petisco antes do almoço.

E ainda…

Se a vila e a região em volta têm motivos mais do que suficientes para uma estada demorada por estas paragens, a nossa recomendação vai para a Munda, um resort de ecoturismo em que somos convidados a passar a noite em yurts mongóis com uma vista mágica para as estrelas através de uma abertura no teto da tenda. A piscina, passeios entre as oliveiras e a vista para o Castelo de Evoramonte completam o quadro. As estradas da região estão em bom estado, o que ajuda a que Evoramonte sirva também como base de descanso para outros passeios em redor, desde Montemor-o-Novo e Arraiolos, Redondo e Estremoz e até mesmo, do outro lado da fronteira, a Olivença.