Faróis: vigias dos sonhos de crianças e adultos

Figuras impressionantes da costa, metade dos faróis portugueses estão abertos para visitas dos curiosos. Recomendamos 5 com muitos motivos de interesse.

Depois de muitos séculos de confronto entre rochas e o mar, os faróis portugueses abrem as portas para nos receber. Apesar do seu semblante misterioso e da exigência da função, provocam em todos um inegável fascínio. De crianças a adultos, a imagem do faroleiro solitário faz parte de bandas desenhadas e filmes de suspense. Com o mar aberto à sua frente, são a última esperança das embarcações que se arriscam a aproximar da costa. Vamos aproveitar agora que o mar começa a ficar bravo e vamos num passeio à descoberta dos faróis portugueses.

Claro que o cenário moderno é muito menos romântico do que nas histórias dos Cinco e a atividade de faroleiro é altamente exigente. As novas tecnologias têm alterado bastante a forma como lidamos com o tráfego marítimo mas a sua importância não diminuiu. Há cerca de meia centena de faróis em Portugal sob a Direção de Faróis da Autoridade Marítima Nacional e 28 deles estão abertos a visitas. Quinze ficam no continente e os restantes nas ilhas. Infelizmente, por razões operacionais, apenas podemos fazê-lo às quartas-feiras à tarde (13h30-16h30, sem marcação prévia).

Faróis: vigias dos sonhos de crianças e adultos

Um olho para o passado

Para além da curiosidade que é conhecer por dentro um exemplar destas sereias das nossas costas, apresentam todos vistas fantásticas. Além disso, em muitos deles há pequenos núcleos museológicos sempre curiosos, com exemplos centenários. Afinal, estes monstros antes não se alimentavam de eletricidade! O ponto de partida (ou de chegada, tanto faz) de um passeio pelos faróis portugueses pode estar no novo núcleo museológico da Direção de Faróis, em Paço de Arcos. Aberto em julho de 2017, reúne o espólio retirado de faróis durante as remodelações dos anos 80.

Neste núcleo museológico podem observar-se antigos painéis de azulejos que ornamentavam a antiga sede da Direção de Faróis, várias óticas e candeeiros de petróleo que se usavam antes da utilização da energia elétrica, maquetas de alguns faróis, vitrinas com peças e utensílios da farolagem, quadros com documentos históricos dos faróis e explicação do seu funcionamento e características. O visitante poderá apreciar peças que durante dezenas de anos iluminaram a nossa costa, permitindo a navegação segura de toda a comunidade marítima. Os faróis expostos estão acesos e existem quadros explicativos sobre a sua história e modo de funcionamento.

5 faróis a não perder na costa portuguesa

Farol de Aveiro

O Farol da Barra é o mais alto em território nacional, com mais de 60 metros, o segundo maior da península e o terceiro da Europa. Os aveirenses não estão errados ao achá-lo imponente. Foi construído no final do século XIX e guarda hoje vista para as dunas, ria e mar desta movimentada zona de costa. No rés-do-chão há um núcleo museológico explicativo da sua evolução.

Farol do Cabo da Roca 

É talvez o mais famoso dos faróis portugueses, com a sua posição de “ponto mais ocidental da Europa Continental”. Contudo, merece o reconhecimento: a vista é fabulosa e a parceria com Sintra é a pedra de toque para tornar este enquadramento belíssimo. Construído em 1758 por ordem de Marquês de Pombal, é uma pequena cápsula de História e mitologia em doses iguais.

Farol de Santa Marta

Depois do núcleo de Paço de Arcos, este é o ponto museológico mais importante da rede de faróis. Apesar de discreto e não estar num daqueles “pontos-limite” onde costumam nascer os faróis, está repleto de charme. Painéis de azulejos, as pitorescas habitações dos faroleiros e uma série de curiosas peças, justificam a visita a Cascais. O documentário “Faróis de Portugal, 5 séculos de História” é acessível a toda a família e vale bem o tempo do visitante.

Farol Cabo de São Vicente 

Outro exemplo de potência: é um dos faróis com mais alcance de luz no mundo, chegando aos 60 quilómetros da costa. Impressionante! Tem um sistema de lentes de fresnel, hiper-radiante, com um intrincado sistema de relojoaria que permite o varrimento da luz. Não menos marcante é a sua posição de fronteira sudoeste da Europa, do alto dos seus 70 metros de promontório. Se há visões inesquecíveis sobre o Oceano, esta é uma delas.

Farol dos Capelinhos 

É o som do mar trazido ocasionalmente pelo vento que nos acorda da fantasia: quando chegamos aos Capelinhos não estamos noutro planeta. Apesar da cinza e das cores que aqui vemos, estamos bem na Terra e esta paisagem é muito recente. Foi só em Setembro de 1957 que estas águas começaram a ferver e, depois de premonitórios tremores de terra, deu-se uma erupção que durou quase 13 meses. O farol que se erguia naquela altura ainda cá está e é um forte ícone do confronto entre Homem e natureza que aqui aconteceu.