Coimbra do choupal, ainda és capital

O que fazer em Coimbra, conselhos e ideias do que visitar na cidade durante um fim de semana

Um fim de semana em Coimbra é uma visita a uma das mais pitorescas e animadas cidades portuguesas: os estudantes não a deixam dormir, o Mondego traz a actividade que a liberta economicamente e o seu património cultural e arquitectónico não tem rival. É exactamente este último que estará em destaque no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, na Feira do Património 2015, iniciativa que decorre este fim de semana de 9, 10 e 11 de Outubro.

Com um programa bastante abrangente, que envolve concertos, espectáculos de luz, mostra de filmes e performances artísticas, a Feira oferece-nos um óptimo motivo para rumarmos até à Zona Centro. Com atenções divididas entre os profissionais da área e o público em geral, esta feira acontece num local privilegiado da cidade, num dos monumentos que melhor representa  a faceta histórica e sagrada da “Velha Coimbra”. O Mosteiro de Santa-Clara-a-Velha chegou a estar abandonado por ser constantemente sujeito à subida das águas do rio, mas foi recuperado com um projecto museológico moderno, respeitando assim na plenitude a responsabilidade de ter aqui o túmulo da Rainha Santa Isabel, padroeira da cidade.

Coimbra - Quilometrosquecontam

 

Fim de semana com o património

Mas não queremos passar todo um fim de semana em Coimbra sempre no mesmo sítio… Esta é uma cidade acolhedora, que podemos facilmente visitar em dois dias, numa escapadela rápida mas produtiva e relaxante. Muito perto da Feira fica a Quinta das Lágrima, que Pedro e Inês tornaram famosa, ou o Portugal dos Pequenitos, que guarda ainda um charme muito próprio.

Num salto até à margem norte, a Sé Velha, que usa o epíteto de “Catedral mais portuguesa de Portugal”, foi mandada construir por D. Afonso Henriques numa altura em que Coimbra era capital e é quase tão velha como a nossa nação. Muito perto ficam a Igreja e Mosteiro de Santa Cruz, parte do Panteão Nacional, onde estão sepultados o primeiro e o segundo Reis de Portugal. Na mesma margem, mas de construção mais tardia, a Universidade é de visita obrigatória, mesmo que seja só para passear nos seus jardins. Não passe aqui sem entrar na Biblioteca, onde 750 anos de livros e madeira trabalhada nos aguardam.

Uma cidade tão rica e antiga como esta  guarda muitos segredos e, para um forasteiro, sair dos roteiros mais turísticos pode ser um desafio. Se quiser contar com a ajuda de especialistas que amam e conhecem esta cidade como ninguém, sugerimos a GO. Apesar de ser um serviço de guias, a abordagem é aquela de quem gosta mesmo do que faz e de quem se apaixona todos os dias por Coimbra. Poderemos visitar as repúblicas estudantis, as pastelarias com os melhores doces conventuais ou os sinais da herança judaica, recantos que poderíamos facilmente ignorar ao andar sem destino pela rua.


“Guitarras, tricanas e capas negras”

Se a primeira coisa que se lembra quando houve a palavra “Coimbra” é célebre frase “do Choupal até à Lapa…”, tem que visitar o Fado ao Centro. Aqui, todos os dias às 18h, ouve-se o mais clássico cantar das guitarras, acompanhado pela voz de estudantes ou antigos estudantes da Universidade. Reserve entrada previamente porque o fado que aqui se canta tem qualidade para esgotar a sala todos os dias. Já aqui estivemos várias vezes e dificilmente recusaremos a hipótese de voltar. O “Capela” e o “Diligência” são outros dos locais recomendados.

Mas Coimbra não são só ruelas e calçadas centenárias. Todo o percurso que o Mondego faz para visitar a cidade a caminho da Figueira é de grande beleza e facilmente navegável. Uma manhã passada a percorrer os quilómetros que se seguem a Penacova é uma actividade extremamente recompensante e, garantimos nós que já o fizemos, acessível a quase toda a gente: de canoa ou caiaque, no sentido da corrente, quase que não temos que nos esforçar para chegar ao cais em Coimbra. O nosso passeio foi feito com “O Pioneiro do Mondego”, mas há um grande leque de outros operadores na área.

Em Coimbra, “antiga” não é sinónimo de “ultrapassada”. Muito pelo contrário, é da mistura entre a idade da calçada onde caminhamos, a modernidade que gerações de estudantes lhe impõem, e a beleza da paisagem, que nasce o encanto da cidade. E é uma magia que não se esgota, é uma saudade que, de tempos a tempos, nos obriga a cá voltar e sentir outra vez que é verdade: “tem mais encanto na hora da despedida”.