Herdade do Freixo: pelo Redondo adentro

2 Março | 2017 | Goodyear

A cerca de 15 quilómetros do Redondo, a Herdade do Freixo tem um tesouro enterrado. A 40 metros de profundidade construiu-se uma adega inovadora que mistura moderna tecnologia com o respeito que o vinho alentejano merece. À superfície, é a vinha e o solo rochoso que se estendem ao Sol para cozinharem um ambiente único. Lá em baixo, o espaço que se esconde não é menos singular.

Se a condição para se produzir bom vinho é a beleza da paisagem, sabemos que o Alentejo está bem servido. Entre Redondo e Estremoz já descobrimos no passado algumas das mais cénicas estradas do nosso país, e não precisamos de vos contar sobre a qualidade do vinho da região. Na Herdade do Freixo, esse respeito pela paisagem rural foi um pouco mais longe e mais fundo e, para minimizar o impacto visual, construiu-se uma adega que, de forma figurada ou não, escavou o seu espaço entre as próprias raízes desta vinha.

O tesouro enterrado na Herdade do Freixo

Três pisos abaixo do chão, 40 metros abaixo do solo onde nasce a uva, a adega aberta para a visita do público no final de 2016, é uma surpresa no que diz respeito a este tipo de espaços. Desde tempos imemoriais que o Homem sabe que é no subsolo que os vinhos melhor evoluem, mas a Herdade do Freixo juntou pragmatismo e arte e criou um espaço arquitetónico singular e único na Europa. Para além das condições de temperatura estável que esta “caverna” oferece aos néctares que aqui descansam e maturam, nasceu um espaço quase religioso a que o visitante enófilo não consegue ficar indiferente.

O desenho do espaço é da autoria do arquiteto Frederico Valsassina e mistura betão com alguns elementos característicos da região, como o xisto e madeira de carvalho, para criar um edifício contemporâneo mas com noção da sua herança. Na construção foram obedecidos também os mesmos critérios de respeito para com a matéria prima que deu origem ao projeto: não há bombas e a circulação das uvas e do mosto faz-se toda através da gravidade, tudo para que o vinho não seja perturbado.

O sabor do Alentejo amadurecido e intocado

Um espaço assim está naturalmente associado a vinhos de qualidade superior, nos quais o resultado de um processo de produção e estágio com estes níveis de exigência mostra resultados evidentes. Produz-se em pequenas quantidades, o que permite ter diferentes tradições vínicas a ocorrer ao mesmo tempo, desde as cubas abertas aos balseiros de carvalho francês, de acordo com o lote ou casta. O Alentejo tem como principais representantes os seus vinhos jovens, mas aqui na Herdade do Freixo caminha-se em sentido diferente, procurando inovar e criar uma “nova tradição”, baseada em sabores amadurecidos.

Cá fora, além da vinha, há por estes terrenos oliveiras que por aqui ficaram desde o tempo dos romanos, mas não são a única coisa que a Herdade pretende manter intocável. Apesar da produção de diversas castas originárias de outras regiões, a ideia de uma estrutura que se “esconde” na paisagem permite também afetar ao mínimo o ecossistema natural desta região do Alentejo. O espaço funciona também como ponto de descanso durante a migração para diversas espécies de aves, como a rara cegonha preta. É este espírito original que, ao pé da pequena aldeia do Freixo, a herdade pretende oferecer a quem visita e a quem prova o resultado final de tudo isto.

Em visita ao Redondo

Em visita ao Redondo

As visitas deverão ser marcadas previamente e estão limitadas a grupos de 12 pessoas, com duas sessões às 11h30 e 15h, com ou sem prova de vinhos (3,5€). Se quiser incluir a prova no final da visita de 45 minutos, poderá escolher um, dois ou três vinhos (6,5€, 15€ e 30€), e há ainda opções que incluem tábuas de queijos e enchidos (5€), almoço na Sala das Barricas (110€) ou visita guiada à vinha.

Para além da visita à Herdade, não é difícil justificar um passeio até esta região. A aldeia e o Castelo do Redondo são pontos nevrálgicos a partir dos quais o forasteiro pode atacar a região e a Serra da Ossa. No Alto de São Gens encontrámos uma belíssima vista sobre as azinheiras e sobreiros e passamos pela Aldeia da Serra. Suba pela N381 na direção de Estremoz para encontrar a “Cidade Branca do Alentejo” e, se prosseguir depois na direção de Lisboa através da margem sul, Arraiolos e Montemor-O-Novo são de passagem obrigatória.

Good Year Kilometros que cuentan