Breve história e evolução dos faróis de automóvel

Desde a altura em que eram apenas uma vela, os faróis transformaram-se num dos mais importantes dispositivos de segurança. A Goodyear conta-lhe a história.

Apesar da revolução tecnológica que representou o aparecimento do automóvel, os faróis são um elemento bastante mais antigo e que já era bem conhecido antes de as carruagens começarem a andar sem cavalos. A Goodyear leva-os por uma viagem pela história das luzes do seu carro e como chegaram ao que são hoje em dia.

Como poderá descobrir ao vivo no renovado Museu Nacional dos Coches, já as antigas carruagens e charretes puxadas a cavalo usavam sistemas de iluminação à base de velas de parafina ou óleo. O seu uso inicial era apenas iluminar a estrada à frente do cocheiro, mas a evolução tecnológica posterior haveria de colocar estes sistemas também no papel de sinalização, com um preciso quadro legal para ajudar a reger as relações entre condutores.

Os primeiros anos dos faróis automotivos

Os primeiros condutores de automóvel não se atreviam a grandes viagens à noite: a fragilidade dos motores daquele tempo não era convidativa a aventuras nocturnas e, durante estes primeiros anos, continuaram a ser as clássicas carruagens a cavalo a usar faróis. Usava-se na altura um sistema de reflexão através de um espelho parabólico que, apesar de suficiente para os coches, iria revelar-se insuficiente para as viaturas que iriam massificar-se dentro de poucos anos.

Depois do sistema de iluminação com um pavio embebido em óleo ou gasolina, as velocidades superiores começaram a exigir uma luz mais clara e introduziu-se o acetileno. Infelizmente, este combustível não durava muito e era bastante volátil, mas era a solução mais eficaz para iluminar o caminho. O histórico Ford Model T, por exemplo, usava lâmpadas de acetileno à frente e a óleo na traseira.

A Zeiss introduziu nesta altura um sistema rotativo de espelhos com duas posição: quando colocado atrás da chama, projectava a luz para a frente; colocado à frente da chama, tapava o foco e evitava o encadeamento de outros condutores que se cruzassem na estrada. Mesmo depois da passagem para as lâmpadas elétricas, este sistema manteve-se em uso durante algum tempo.

E chega a eletricidade!

E chega a eletricidade!

O início do uso de lâmpadas elétricas teve que se defrontar com dois problemas naturais naquela fase da tecnologia: os sistemas de dínamo e baterias ainda precisavam de bastante mais desenvolvimento e a potência das lâmpadas da altura não estava ao nível necessário. Primeiro introduzidos em 1908, os sistemas de dínamo elétrico só teriam presença significativa no mercado já nos anos 20.

Ao mesmo tempo, nos anos 10, vários países começaram a criar legislação para o uso de sinalização luminosa, o que deu origem aos primeiros piscas e luzes de travagem, enquanto o sistema de projeção do foco por espelhos evoluiu para permitir que fosse direcionado para o chão. Uma curiosidade: só em meados dos anos 40 é que os piscas haveriam de ganhar a possibilidade de se desligarem automaticamente depois de terminarmos a mudança de direcção.

Novas tecnologias e funções

Desde os anos 50 que o uso de gases e filamentos evolui bastante, e depois das lâmpadas incandescentes, já conhecemos uma série de outras gerações que resultaram hoje em dia nos faróis LED e HID/Xénon com que chegam os últimos modelos. Ao longo desse percurso, houve a necessidade de criar normas para a sua utilização e a primeira codificação da cor das luzes haveria de chegar em 1949, na Convenção de Viena para Tráfego Automóvel. Pegando naquilo que já era a prática no mercado, foi a partir deste momento que se tornou obrigatório o uso de luzes vermelhas na traseira, laranja para as laterais e piscas e branco (ou uma variação) para os faróis frontais.

Ao aumentar a velocidade, as antigas regras também tiveram que ser revistas e foi durante a décadada de 50 que chegaram os “máximos” e os faróis de longo alcance. Eram faróis comuns, agora com um segundo filamento que permitia ver mais longe na estrada e responder com mais antecipação.

Dos HID às luzes de intensidade variável

Os anos seguintes foram de evolução da tecnologia e da regulamentação associada, sendo que a Europa foi sempre a primeira a adotar nova legislação de segurança. Os HID, por exemplo, foram adoptados na UE com a ressalva que devem funcionar em conjunto com a suspensão do veículo para não cegarem os condutores que circulam em sentido contrário. A novidade mais importante é o abandono da iluminação por filamento, dando origem a um sistema mais robusto, com uma duração bastante superior e economia de energia, que vemos nos faróis de néon, enquanto os de xénon permitem criar faróis numa variedade de formas.

No futuro iremos encontrar cada vez mais farolins de travão que mudam de intensidade conforme a força da travagem, recorrendo a várias lâmpadas que se iluminam progressivamente, e faróis frontais a partir de uma única fonte de luz, projetada através de fibra ótica, mas a inovação na iluminação automóvel irá abrandar durante a próxima década, à medida que os sistemas autónomos obrigam ao desenvolvimento de outro tipo de sensores bastante diferentes daqueles que um humano necessita. Quando chegar essa altura, que os otimistas dizem sempre estar a “10 anos de distância, as nossas viagens noturnas de carro ganharão novo encanto.