Jardim Botânico de Lisboa: a natureza à espera no centro da cidade

O Jardim Botânico de Lisboa esteve fechado. Reabriu há cerca de um ano. Está na altura de o conhecer ou rever com a Goodyear

No Jardim Botânico de Lisboa encontra um pouco de flora de cada um dos cinco continentes. São 4,2 hectares de um monumento nacional que é, ao mesmo tempo, um dos pulmões da cidade de Lisboa. Nesta “caixinha de biodiversidade”, na Rua da Escola Politécnica, há entre 1300 e 1500 espécies no espaço, incluindo algumas ameaçadas. Depois de ter estado fechado ano e meio, reabriu em meados de 2016.

O Jardim Botânico, fundado em 1878 no antigo Colégio dos Nobres, faz parte do Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (Muhnac).  Alia beleza e fascínio dos seus recantos e declives que convidam à sua descoberta demorada. Foi classificado como Monumento Nacional em 2010, integrando todo o património artístico (esculturas) e edificado que nele se encontra: Observatório Astronómico da Escola Politécnica, Edifício dos Herbários, Estufas, Palmário e antiga estufa em madeira.

Depois de ter fechado para recuperação, reabriu, em 2018, com um renovado sistema de rega e de circulação da água, melhor iluminação, instalação de Internet, novos caminhos, esplanadas e um novo anfiteatro e ainda com a abertura dos acessos à Praça da Alegria.

Um espaço com vários ambientes

É daqueles sítios que muda consoante a estação. Pode visitar o Jardim Botânico ao longo do ano e ainda assim descobrir algo novo, num novo ambiente adaptado à estação. Acresce um programa de iniciativas e exposições que inclui visitas ao laboratório do século XIX.

Está aberto todos os dias, exceto nos feriados de Natal e de Ano Novo. Abre sempre às 9h00. De outubro a março fecha pelas 17h00 e de abril a setembro fecha pelas 20h00. Aproveite ainda para visitar o Museu de História Natural e da Ciência. Se pretender, mediante marcação, poderá visitar ainda a biblioteca, o arquivo histórico e o Observatório Astronómico da Ajuda

Jardim Botânico de Lisboa: está na altura de o conhecer ou revisitar

No local há espécies tropicais, oriundas de todo o mundo, sendo particularmente rico em espécies tropicais originárias da Nova Zelândia, Austrália, China, Japão e América do Sul, o que atesta as peculiaridades dos diferentes microclimas criados neste Jardim pela implantação topográfica em que se insere, lê-se no site oficial. https://www.ulisboa.pt/patrimonio/jardim-botanico-de-lisboa

Se for na primavera, não se esqueça de visitar o borboletário, onde poderá conhecer todas as espécies de borboletas de Portugal. Aos sábados e aos domingos existem visitas guiadas, algumas com dramatização.

Quem o chamou “caixinha de biodiversidade” foi Raquel Barata, botânica e responsável pelo serviço educativo do Muhnac, num artigo do jornal Público, aquando da reabertura ao público do jardim. É assim considerado, “porque mantém vivos exemplares de espécies que possam já estar ameaçadas na natureza. Tem um papel de preservação da biodiversidade.”

O jardim não tem só plantas de países remotos. Há plantas de Portugal, como o carvalho-português ou o teixo. Nativo de quase toda a Europa, América do Norte e do Sul, do Norte de África, Ásia e da Austrália, o teixo está em vias de extinção em Portugal.

Um pouco de história

O Jardim Botânico de Lisboa nasceu, no final do século XIX, da necessidade de cria um complemento prático no ensino e investigação da botânica. Com o tempo esta infraestrutura da Universidade de Lisboa passou a ser o destino típico de visitas de estudo das escolas de todo o país, em particular da região de Lisboa. A inauguração aconteceu em 1872.

No final do século XIX, o jardim começou a ser implementado e os trabalhos de construção começaram em 1873. Os trabalhos foram dirigidos pelo jardineiro-paisagista alemão, Edmond Goeze para a então, escola politécnica. Foi responsável pela parte superior do jardim.

Depois, os trabalhos passaram para as mãos do botânico francês, Jules Daveau, que em 1876, desenvolveu a zona inferior do jardim, chamada “arboreto”, criando o traçado da Alameda das Palmeiras e inventando um sistema de rega dos riachos e cascatas.

Em 2010 foi classificado como Monumento Nacional e dois anos depois entrou para a lista bienal do World Monuments Watch. O estado de degradação levou ao encerramento ao público do espaço, em 2016, tendo estado encerrado durante cerca de dois anos. Os lagos não tinham água e as plantas estavam a morrer. Além disso, alguns dos edifícios no interior estavam abandonados e degradados.

As obras permitiram melhorar os sistemas de rega e de circulação da água, melhorar a iluminação, a instalação de Internet, a renovação de caminhos, a instalação de esplanadas e de um anfiteatro e a abertura da saída para a Praça da Alegria. O jardim reabriu em 7 de abril de 2018.