O derradeiro segredo da Madeira

20% da superfície da Madeira é coberta pela laurissilva, um dos últimos bosques ascentrais de Portugal e do mundo. Descubra com a Goodyear este ecossistema único

No continente restam poucos espaços naturais que tenham permanecido inalterados praticamente desde a Idade do Gelo. O crescimento populacional, a conversão de bosques em locais de pasto e terreno de agricultura e, finalmente, a modernidade, deram cabo das grandes extensões selvagens do passado e reduziram a sua expressão a uns poucos lugares, habitualmente isolados. É o caso da ilha da Madeira, onde um dos ecossistemas mais surpreendentes do mundo, e, especialmente, de Portugal, persiste ainda: a laurissilva ou floresta húmida subtropical.

20% do terreno da ilha está coberto por esta formação vegetal que constitui um autêntico fóssil vivente. Com vários pontos de interesse por toda a ilha, a laurissilva é um dos atrativos da Madeira que esperam do turista mais aventureiro: aquele que queira explorar altas escarpas, quedas-d’água, lagoas que poucos conhecem e túneis entre a rocha. A concentração de laurissilva mais grande do mundo, e também uma das que melhor preservadas chegaram até à atualidade. O bosque mereceu a consideração de Património Mundial pela UNESCO, que premeia assim um local onde ainda podem coexistir em paz todo o tipo de espécies animais e vegetais, inalteradas pela mão do homem, em equilíbrio biológico perfeito e inseridas no meio natural. É um bosque de beleza desbordante, ancestral, onde um milhar de tons de verde surpreendem o visitante pelo seu dinamismo e profusão. Este era o aspecto do nosso país e boa parte do Mediterrâneo até ao Terciário, e hoje resiste nas encostas viradas a Norte, em vertentes revestidas e vales de íngremes encostas. A Madeira deve o seu nome a este bosque, sabia?

As duas rotas principais que sulcam algum dos troços mais formosos da laurissilva são as levadas das 25 Fontes e do Caldeirão Verde. As levadas são o nome tradicional dos pequenos aquedutos que possibilitaram o cultivo na ilha historicamente. Na Lagoa dos 25 Fontes as águas que descem do Paúl da Serra aparecem pela parede rochosa formando uma miríade de fontes. Há quem diga que quem aqui mergulhe não conseguirá voltar à superfície: não quisemos experimentar se era uma lenda ou tinha um bocado de realidade…

madeira laurissilva

Mas, indubitavelmente, o grande trilho para conhecer a laurissilva está na levada do Caldeirão Verde. O caminho arranca na esplanada da levada, nos 990 metros de altitude do Concelho de Santana, no coração do Parque Florestal das Queimadas, onde a Casa de Abrigo das Queimadas apresenta o design tradicional das casas da zona, com telhado em colmo. A água tem uma presença constante por todo o percurso, deslizando tranquila pela levada junto ao caminho. O trilho oferece autênticas recompensas para o turista como a magnífica vista da vila de São Jorge e as montanhas agrestes e selvagens da Madeira. E, no final, o grande prémio: a beleza indescritível da cascata do Caldeirão Verde, uma imensa queda-d’água que bate numa lagoa cristalina e fresca, com uma melodia que envolve a zona e convida a um descanso sossegado e talvez a um piquenique fugaz no caminho.

E, após um longo dia (ou vários) a descobrir os encantos da laurissilva da Madeira, certifique-se de poder passar uma tarde de descanso em Porto Santo. Quilómetros de praias douradas pelo sol são a melhor maneira de encerrar uma visita à ilha onde a natureza, esculpida pelas forças do ar, do mar e do sol, pode ser conhecida em todo o seu esplendor.