Lisboa entre letras

Descubra com a Goodyear um passeio pelos grandes nomes da literatura na cidade de Lisboa, entre Pessoa e Saramago.

Já alguma vez falámos de Lisboa como capital também do Portugal literário. É comum que as grandes letras do país passassem estadias da sua vida lá, pela vontade de se aproximarem do centro cultural e social do país, aonde as modas foráneas chegavam com força e a vida era bem mais cosmopolita e ilustrada do que noutros recantos do país, como as suas terras natais. É difícil fazer uma relação exaustiva de todos os nomes da literatura portuguesa que moraram em Lisboa nalgum momento da sua vida, e dos locais que marcaram para sempre com a sua presença, casual ou habitual.

O turismo literário é já uma realidade sobre a qual os Quilómetros que contam já falou em várias ocasiões. Em Lisboa, aliás, a importância desta varidedade de turismo é tão grande que resulta quase impossível percorrer a cidade sem encontrar um ponto de interesse na vida de algum dos nossos literatos imortais.

O percurso tem forçosamente que começar no Chiado, onde a boémia e a beleza do bairro alagou os cadernos dos escritores do século XIX e XX, em cujas páginas encontramos, quando não a presença direta, sim fragmentos transformados e evocações do encanto insubstituível do local. E, no seu coração, o Café A Brasileira continua, na Rua Garret, a observar desde 1095 a passagem de centos de turistas que chegam cá para conhecer o “templo” de Fernando Pessoa. Há quem diga que foi aqui que a bica, esse clássico café, nasceu como tal, e ainda hoje podemos experimentá-la juntamente com alguns dos melhores pastéis de nata da capital. Na entrada do estabelecimento, desde 1988, uma estátua do próprio Fernando Pessoa rememora as longas tardes do escritor no café, onde lia os jornais do dia e passava horas a escrever poesia.

 

Estátua de Pessoa

Não é preciso caminhar muito para encontrar, na mesma Rua Garrett, a Livraria Bertrand, unanimemente considerada a mais antiga do mundo, uma vez que há registo da sua fundação em 1732, pelos irmãos João e Martinho Bertrand. Certificada a sua condiução com um Prémio Guiness, a Betrand acolheu na sua época reuniões e tertúlias dos nomes mais importantes das letras portuguesas, que passavam as horas aqui em conversas: Alexandre Herculano, Eça de Queiroz, Antero de Quental… Uma joia que perdura e onde ainda hoje podemos alargar a nossa coleção de literatura nacional e estrangeira.

Mas o Chiado está também ligado, indubitavelmente, a um nome excecional das letras lusas: Luis de Camões, lisboeta também. O Largo de Camões lembra hoje no coração do bairro a figura deste poeta de importância capital para o devir do género e do conjunto da literatura portuguesa. Uma estátua ao literato preside o local, do século XIX e obra de Víctor Bastos. A praça possui um dos contornos mais lindos da zona,  envolta pelos edifícios coloridos como as Igrejas da Nossa Senhora de Loreto e Nossa Senhora da Encarnação.

Se continuarmos caminho até a Baixa de Lisboa e concretamente ao Terreiro do Paço, perto do fresco Tejo, iremos encontrar outro ponto de peregrinação culinária e literária em Lisboa. Aqui está o restaurante e café Martinho de Arcada, o estabelecimento deste tipo mais antigo da cidade, uma vez que a sua fundação data de 1782. Políticos e intelectuais de todo o tipo passaram pelo local, como Afonso Costa, Bernardino Machado, Bocage ou Almada Negreiros. Com este último experimentou Pessoa o seu derradeiro café dias antes da sua morte, em 1935. No restaurante ainda tem uma mesa dedicada onde há sempre um copo vazio, e mais recentemente também José Saramago conta com este honor.

A Fundação do nosso prémio Nobel está perto de aqui, chegar demora menos de 5 minutos. Trata-se de um dos espaços mais visitados de Lisboa, mais o Martinho de Arcada é menos concorrido e conhecido, e talvez nele encontremos mais facilmente o rasto daquele grande filho de Azinhaga. Nas suas mesas evocamos aquelas longas tardes onde talvez começou as suas traduções de francês a português, a sua primeira fonte de sustento e primeiro passo no caminho que o gravou, para sempre, nos nossos livros.