O rasto dos Maias por Lisboa

Descubra com a Goodyear alguns dos recantos lisboetas que Eça de Queiroz nos descobriu há mais de cem anos atrás no romance Os Maias, e conheça o que resta daquela cidade e daquele tempo

A Eça de Queiroz devemos uma das mais importantes obras da literatura portuguesa, Os Maias, um descarnado relato das peripécias de três gerações da família homónima. Um romance salpicado de breves pedaços de ironia e uma clara vontade de crítica social que confirmou o povoense como uma das vozes mais importantes do século XIX português.

Os Maias é uma obra onde o espaço físico tem um papel muito simbólico e evocador, dotando os cenários de uma importância maior do que costuma acontecer noutras obras, fato que também resulta evidente na contraposição do espaço urbano e o rural com que brincava Eça em A Cidade e as Serras.

O Palácio Ramalhete do Bairro das Janelas Verdes de Lisboa é talvez o espaço mais célebre da obra, mesmo que seja fictício, inspirado pelo palácio do Conde de Sabugosa. Eça de Queiroz não nos omite nada na sua descrição, reforçando a importância de elementos como o cedro, o cipreste, a cascatazinha e a estátua de Vénus Citereia. O turista moderno pode conhecer uma versão daquele local no Hotel Palácio Ramalhete, fruto de uma cuidada restauração que visou preservar o aspeto original do prédio e evocar a sóbria descrição dele com que Eça de Queiroz abriu o seu livro. Com 12 quartos e suites temáticos com características particulares em cada um, o hotel permite reviver o ambiente da obra com belas vistas para o Tejo. Para os hóspedes, o atrativo do bairro à volta é mais um motivo para ficar por cá mais de uma noite: existem  várias galerias de arte nas proximidades e também está sediado o Museu Nacional de Arte Antiga.

chiado lisboa

Outro local de importância na obra está na Estação Ferroviária de Santa Apolónia, onde Maria Eduarda abandona a narração no romance e foge para o estrangeiro. Esta estação neoclássica, a funcionar desde 1865, é um dos espaços mais formosos do XIX lisboeta. A nave impressiona ainda hoje em dia pelo seu tamanho, com quase 120 metros de comprimento e 13 de altura. É um local que evoca despedia e tristura no romance mas que hoje, entre a multidão apressurada, é só mais uma janela para o espaço multicultural e aberto em que se tornou Lisboa.

No Hotel Central da Praça Duque da Terceira, no Cais do Sodré, decorriam alguns dos acontecimentos mais importantes da obra, mas encerrou a atividade há quase cem anos atrás, em 1919. Apenas a fachada original evoca aquele tempo e aquelas páginas. Pode ser visitado, porém, uma vez que se tornou um pequeno centro comercial que alberga uma série de lojas de todo o tipo. Mesmo que o hotel se perdesse, o espaço, transformado, permanece.

camoes no chiado

A alma portuguesa no Chiado

Mas, indubitavelmente, há um local que condensa grande parte da narrativa e do espírito do livro, e está no Chiado. Os protagonistas da obra deambulam pelo Largo do Loreto (hoje Praça Luís de Camões), pelo Largo do Chiado e pela Rua do Chiado (Rua Garrett hoje em dia) como fechados num espaço onde Eça de Queiroz situa as suas paixões, as suas misérias e as suas alegrias. Aqui estavam sediado o café Marrare ou a Casa Havanesa, locais de importância na vida burguesa da cidade. Também a estátua de Camões, na cidade que concentra a alma portuguesa, é mais uma personagem do livro, cujo estado de abandono na altura simboliza a decadência de todo o país, acaso derrubado sobre os seus ombros.

Não podemos acabar o percurso sem uma paragem no Café Tavarés do número 37 da Rua da Misericórdia (na altura, Rua de São Roque). Aqui acontecem alguns sucessos do livro, mas, especialmente, aqui decorriam muitas das tertúlias de Eça de Queiroz e os seus amigos. Hoje em dia podemos reservar a mesa que ele frequentava e sentir-nos por uns segundos, nós também, parte da literatura portuguesa.