Mata da Machada e Sapal de Coina, o verde no Barreiro

A Reserva Natural do Sapal do Rio Coina e Mata Nacional da Machada é o pulmão do Barreiro e uma oportunidade para descobrir a natureza. Traga as crianças!

Entre Palhais e Coina encontramos aquele que é hoje um importante “Pulmão” do sul do Tejo. A Reserva Natural Local do Sapal do Rio Coina e Mata Nacional da Machada foi oficializada em 2012 mas tem um passado muito mais antigo. Cresceu aqui a madeira que os portugueses levaram na Expansão, mas hoje é local de descanso para vida animal. Aproveite o tempo agradável do fim do verão e leve os filhos à margem sul num encontro com a natureza.

A Mata Nacional da Machada foi plantada no séc. XV por D. João IIº para fornecer madeira para construção naval. Inclui ainda o original Pinhal do Vale do Zebro e a sua madeira seguiu nas naus e caravelas quinhentistas. Longe da sua ocupação original, passou pelas mãos da Marinha antes de ser transformada num polo de lazer e descoberta ambiental.

Ao longo da estrada que faz o eixo entre Coina e Palhais, a N10, encontramos o Sapal do Rio Coina. Integrado agora no mesmo espaço protegido da Machada, é local de repouso e reprodução para uma série de aves e peixes. O crescimento industrial da zona colocou este habitat em perigo mas o estatuto de proteção conseguiu contrariar essa tendência. Já regressou à zona uma série de espécies que se julgavam desaparecidas como o flamingo, alfaiate, perna longa e a garça. Entre a mata e o sapal, são cerca de 800ha, cerca de 23% do concelho, cheios de pontos de interesse e motivos para visitar.

Mata da Machada e Sapal de Coina, o verde no Barreiro

Famílias à aventura na Mata

Depois de qualificada, a Mata tornou-se um ótimo destino de natureza para famílias. Com dois parques de merendas, percursos pedestres e BTT devidamente assinalados e um circuito de manutenção, espera-nos um mundo de atividade física. Para além disso, existem ainda diversos testemunhos históricos curiosos de descobrir.

No Centro de Educação Ambiental poderão emprestar-lhe binóculos, bicicletas e guias de observação de aves. Só precisa de trazer a energia e a boa disposição. É a partir do centro que se desenrolam a maioria das atividades e onde poderá fazer todas as suas perguntas. Há eventos regulares dedicados aos temas da floresta, conservação e biodiversidade. As workshops e visitas guiadas podem ser marcadas aqui, local de onde partem também todos os passeios.

No velho forno cerâmico da mata eram feitas as peças de barro que depois seguiam nos barcos da Expansão Marítima. Pratos, jarros e malgas eram feitos para acompanhar os marinheiros. Aqui perto cozia-se também o “biscoito de marear”, ração que ia nos barcos e tinha a característica de ser cozido duas vezes. Pequenos fontanários aproveitam os vários cursos de água e alimentam todo este verde.

Perdidos no verde

No meio da mata encontramos as espécies mais comuns da flora mediterrânica, principalmente pinheiros, sobreiros e eucaliptos. Em algumas zonas são as acácias a dominar, mas mantém-se a tónica de biodiversidade do espaço. Ao longo da ribeira do Vale do Zebro, junta-se um sem número de outras espécies, principalmente vegetação rasteira, mas também juncos e salgueiros. Curiosa é a presença de uma pequena planta carnívora, a drosophyllum lusitanicum, género invulgar nas nossas paragens. No sapal vemos ainda as diferenças entre a flora de água salgada, a montante, e as áreas de caniçal em água doce. Além disso, é bastante notória a diferença entre os habitats da mata e do sapal.

Dentro da mata há um lago onde se passam algumas das cenas mais pitorescas. À sua volta vamos encontrar uma série de animais que aproveitam estas águas para viver. Há pica-paus, bandos de pegas-azuis, abelharucos, noitibós e outras espécies que nidificam aqui. A planar muito acima da copa das árvores poderemos ter a sorte de ver águias-de-asa-redonda e águias-calçada. Aproveite os bancos em redor da margem para descansar e esperar pela entrada em cena destas personagens.

Sapos e salamandras

Já no sapal, é possível encontrar ver a águia-pesqueira e a águia-sapeira, o maçarico-real e o flamingo, mas também o colhereiro, o perna-verde, o maçarico-das-rochas e o pilrito-de-bico-comprido. Pequenos anfíbios como o sapo corredor e a salamandra de pintas amarelas também fazem a sua aparição. Toda esta animação precisa de algum silêncio, por isso saque dos binóculos, escolha um local onde se sentar e tenha paciência. Depois de alguns minutos vai encontrar com certeza uma cena surpreendente. Fora da nossa vista ficam as muitas espécies de peixes que vêm aqui desovar e servir também de alimento a este ecossistema único.

As zonas húmidas, onde se incluem também exemplos como as Salinas do Samouco ou a Lagoa de Albufeira, são locais estupendos para levar os seus filhos. Têm desporto e educação ambiental, despertam a curiosidade e dão a conhecer diversos postais da História portuguesa. Garantia de diversão e conhecimento, tudo ao mesmo tempo!