Mateus, muito mais do que vinho

O Solar de Mateus, monumento nacional, é outra marca dos 50 anos em que Nicolau Nasoni viveu em Portugal e não é menos do que uma obra-prima

Antes da vinha a tornar mundialmente famosa, era o mato que dava o nome a Mateus. Apesar disso, o Solar de Mateus é muito mais do que a estampa imediatamente reconhecível no rótulo do rosé: é um dos mais belos exemplos do barroco, um local deslumbrante em que sentimos a vontade de nos perdemos nos jardins e encontrar um recanto só nosso.

O Solar de Mateus, monumento nacional, é outra marca dos 50 anos em que Nicolau Nasoni viveu em Portugal e não é menos do que uma obra-prima. Ladeado por formosos jardins, pomares e um espelho de água de 2000 m2, ergue-se um palácio de deslumbrantes linhas, que ainda nos surpreende no seu interior com uma beleza tão rara como no exterior.

Sob o signo do talento

Sobre tudo isto, sente-se o espírito, o talento e bom gosto do terceiro morgado de Mateus, António José Botelho Mourão que, no séc. XVIII, mandou edificar o solar. D. António era um diplomata, académico e especialista na obra de Camões. Uma ediçã artística de 1817 de “Os Lusíadas” tira-nos o ar enquanto a exposição nos descobre, também, documentos de até cinco séculos em volta de nós.

Nas várias salas podemos ver mobiliário e elementos litúrgicos, alguns do séc. XVI, assim como uma coleção de retratos de família, porcelanas e pratas, de origens europeia, indiana e chinesa. A finura e graça destes antigos enfeites espanta-nos. E, na capela, olhando para cima, apanha-nos por surpresa o desenho do Mestre José Álvares do Rego, expoente ímpar da pintura portuguesa.

Jardim Palacio Mateus - Quilometrosquecotam

Do buxo e das camélias

Muito bem preservados e sempre aprimorados ao longo dos anos, os jardins são dos mais belos do país. Com o cenário da Serra do Marão, fontes e tanques são alimentados por água de nascente, cresce um fabuloso túnel de cedros, todos em romântico convívio com as cameleiras centenárias.

O Tanque dos jardins da Casa de Mateus, indicava, através do repuxo, que a pressão da água corrente atingia o 1º andar da Casa. Perante de nós está o lago, presente apenas desde a década de 50, e edificado de modo a ser um espelho da fachada que melhorasse ainda a maravilhosa visão que nos recebe ao entrar. Tem agora uma escultura de João Cutileiro que se tornou também um ex—libris deste solar.

Entre o verdejante buxo e os canteiros florais primorosamente arranjados, encontramos uma série de terraços, a partir dos quais conseguimos observar as vinhas da propriedade, onde ainda hoje se produz o o famoso néctar.  A Casa de Mateus, apesar dos seus quase 300 anos, é um património vivo e pujante, que vai buscar à natureza os alicerces para continuar a oferecer vinhos e compotas de superior qualidade. O velho morgado tem motivos para se orgulhar da herança que nos deixou.

Indubitavelmente, é o vinho o tesouro melhor guardado do palácio. Embaixador internacional dos produtos portugueses, cada Matéus tem um modo particular e diferenciado de elaboração que precisa de técnicas únicas. Por exemplo, desfrutar de um delicioso espumante é possível graças ao método Charmat, que emprega a segunda fermentação em cuba fechada (o método clássico inclui garrafa). As doces cócegas que o paladar sente ao avaliar o vinho, evocando até mesmo uma fragrância floral, agradecem esse cuidado na elaboração que torna diferente o produto do local.