“HÁ CARACÓIS!”… e nós dizemos onde…

Os caracóis são os arautos do verão e a melhor companhia para uma imperial de fim de tarde. Conheça a tradição e onde comer os melhores do país.

Desde o tempo dos romanos que os caracóis já chegavam à mesa, mas estamos convictos que a melhor época para os devorar é mesmo agora! O verão só bate à porta quando temos à frente o primeiro prato de caracóis do ano e só lhe damos autorização para entrar depois de um gole de imperial. O norte do país olha para eles com algum desprezo, mas a verdade é que, abaixo da linha do Mondego, são parte insubstituível do verão. Conhece a origem, história e onde se comem os melhores caracóis? Nós contamos tudo!

Com usos medicinais e cosméticos ancestrais, o caracol é rico em proteína e pobre em gorduras, com um alto valor nutricional. Ricos em sais minerais, como o cálcio, e ferro, conta-se que é adequado para grávidas e, com alto teor de ácidos polinsaturados, é recomendado para pessoas com colesterol elevado. Mas não é com certeza a preocupação com a saúde que leva os portugueses sacar os pobres bichos das suas cascas como se não houvesse amanhã! Assim, pequenos, com o molho e o pão a acompanhar, transformam-se num ritual obsessivo que só para quando vemos o fundo ao prato.

“HÁ CARACÓIS!”... e nós dizemos onde...

Caracóis: veni, vidi, vici

O consumo de caracóis terá sido difundido por altura do Império Romano, com ênfase na Península Ibérica e na região que haveria de se transformar em França. Mas a origem deste prato deverá ser ainda mais antiga, tendo ajudado em alturas de escassez ou apoiado o estilo de vida recoletor dos nossos antepassados. Os portugueses ganharam assim este hábito, principalmente situado a sul de Coimbra, preferindo os bichos de menor dimensão enquanto espanhóis e franceses se especializam nas caracoletas.

Atualmente, quase todo o caracol consumido em Portugal chega às toneladas de Marrocos e encaixa-se em três tipos principais: alimentados a feno, laranjeira e oliveira, sendo que os dois últimos são os mais saborosos. Era no sul de Portugal, com o Algarve à cabeça, que se encontrava antigamente a maioria do caracol que depois nos chegava à mesa. Contudo, com novos usos para os campos cultivados e a pressão imobiliária, o caracol algarvio tornou-se uma raridade. Entretanto, no norte do continente africano, onde também é apreciado, deu lugar a uma produção que tem um papel crescente na economia local.

Bicho que se apanha bem à mesa

A forma de cozinhar o caracol em Portugal inclui sempre uma quantidade abundante de sal e oregãos, a que o cozinheiro junta picante ou até enchidos para apurar o sabor conforme o gosto. Leva ainda cebola, louro, alho, vinho branco e azeite. Não é um prato complicado de preparar mas exige alguma paciência e arte.

Começa-se por lavá-los ainda vivos, quantas vezes forem necessárias para retirar a sua espuma. São então cozidos em lume brando e depois despejados no caldo onde todos os outros ingredientes esperam por eles. Mais uma hora ao lume e estão prontos a servir. É um processo simples mas não é para todos e, depois de uma tarde de praia, o melhor é deixar a tarefa para os especialistas. Assim, sem mais delongas, fiquem a conhecer os nossos 6 locais preferidos para comer caracóis.

O Filho do Menino Júlio dos Caracóis

O herdeiro do negócio da família, Vasco Rodrigues, continuou a boa fama da dinastia iniciada pelo seu pai, abrindo estabelecimento na zona do Braço de Prata e tornando-se também ele um clássico. Tem caracol nacional e marroquino e baldes take-a-way para os levarmos para casa.

O Eduardo das Conquilhas

Não são só as suas frescas conquilhas que lhe dão fama. O Eduardo na Parede tem o toque necessário para condimentar os seus caracóis com a mesma classe que trata do marisco. Insubstituível depois de uma tarde de praia na zona de Cascais.

O Dias dos Caracóis

Na zona da Charneca da Caparica, o Dias dos Caracóis está no eixo perfeito para receber quem chega das praias da Costa. Com uma agradável esplanada, sabe mesmo bem para arrefecer a pele depois de um dia escaldante.

Casa dos Caracóis

A Casa dos Caracóis tem restaurantes abertos em Brejos de Azeitão e no Montijo mas tem também lojas pela região sul do país (Campolide, Barreiro, Amora, Montijo, Setúbal, Quinta do Conde, Torre da Marinha e Pinhal Novo). Ideal para as patuscadas de verão, com caixas e baldes que podemos levar para casa a partir dos 6€.

Cervejaria O Buraco (Sines)

Se o seu estilo é descontraído, de quem gosta de se sentar ao balcão, ombro a ombro com desconhecidos que rapidamente se transformam em amigos, o Buraco em Sines, é o destino para si. O caracol sai da panela ainda a fumegar, perfeitamente condimentado, enquanto o espírito genuíno do espaço faz-nos regressar no tempo.

Casa Primo dos Caracóis

Famoso também pela qualidade do peixe e do marisco, a Casa Primo dos Caracóis, em Olhão, é um destino obrigatório no Algarve e faz jus ao nome a partir do momento em que chega a época dos “bichos irrequietos”

Aguçamos-lhe o apetite? Vá já a correr até à esplanada mais próxima porque, nesta altura quem não a tiver na ementa é porque ainda não se apercebeu que o verão chegou!