As melhores tripas do Porto

Na Goodyear, continuamos à procura dos melhores pratos para resistir o inverno: hoje experimentamos no Porto

Como bons cavaleiros da Távola Gastronómica continuamos a procurar os pratos mais adequados para enfrentar o inverno de lés a lés de Portugal. Já falamos por cá do cozido à portuguesa e dos melhores locais para o experimentar. Uma outra receita fantástica para esta época de procurar abrigo são as tripas à moda do Porto, um ex-líbris da gastronomia que vai abandonando devagar uma consideração “rude” para se desvendar como uma alfaia para o nosso paladar e um produto que desperta crescente interesse nos especialistas da boa cozinha.

A história deste prato é antiga e aparece documentada já no século XV, envolvido nas lutas portuguesas pela conquista de Ceuta. Quando a armada do Infante D. Henrique partiu para aquela cidade norte-africana as carnes da cidade foram cedidas à tropa e ficaram com as vísceras que não se consumiam para se alimentarem. A descoberta mais surpreendente foi aqueles refugos serem mesmo bons e, com o passar do tempo, constituíram o alicerce do prato atual.

Porto - Quilometrosquecontam

Onde podemos experimentar hoje as melhores tripas da cidade? Bom, a seleção é difícil como toda escolha, mas sim podemos joeirar devagar uma série de locais a não perder pelos amadores que quiserem virar experts. O primeiro deles é O Tripeiro, na Rua Passos Manuel. Umas tripas especialmente bem confecionadas esperam aqui pelo visitante faminto que pode acrescentar na sobremesa um leite creme que não deixará espaço para mais nada. Operativo desde 1952, O Tripeiro tem 60 anos de serviço à gastronomia nacional, da qual é expoente também noutros pratos que ficam fora desta lista mas não podem ser esquecidos, como são a feijoada à transmontana ou o cozido. Inescusável.

Localizamos a nossa segunda paragem na Rua Capitão Pombeiro, e é precisamente O Pombeiro o nome do restaurante. Sobre este local disse Raul Solnado que se comiam as melhores tripas em todo o universo, mas achamos um bocadinho valente de mais a afirmação. Sim é certo que falamos de um prato muito bem preparado e muito requisitado, que há quem diga que mesmo foi experimentado por José Mourinho. Com ingredientes “da aldeia” e um treino constante de melhora da receita, é claro que O Pombeiro bem merece o tempo dedicado a se deter aqui para experimentar.

Na Rua do Heroísmo encontramos A Cozinha do Manel, um restaurante que desde 1989 honra a gastronomia portuguesa. Às quartas e sábados é um ponto de peregrinação obrigada para os amantes deste prato, que às vezes colapsam as capacidades do restaurante que, porém, confeciona tripas adicionais quando isto acontece. Com o seu ambiente rústico e a sua decoração original, A Cozinha do Manel vira um ponto realmente comemorável nesta rota, ajudado por um serviço familiar que se preocupa com o bem-estar do cliente na melhor tradição do Norte. Se quiser experimentar um acepipe mesmo necessário, não esqueça os pasteis de bacalhou. É só uma dica…

Desde há mais de quarenta anos que O Buraco, na Rua do Bolhão, é um outro templo das tripas na cidade. A especialidade é servida às sextas e muito apreçada pelos visitantes estrangeiros. Como recomendação específica dos donos, é melhor ter a certeza de uma tarde tranquila antes de ir lá experimentar o prato, uma vez que uma soneca é a melhor sobremesa para uma digestão vagarosa. Não diga que não avisamos.

Por último, se formos a Matosinhos encontraremos O Gaveto na Rua Roberto Ivens. O restaurante é se calhar mais conhecido pela sua especialidade em mariscos e também em peixes. A lampreia durante a época também é uma iguaria deliciosa. Menos conhecido pelas tripas, O Gaveto oferece uma receita muito bem sucedida aos sábados, contando com uma confraria fiel e habitual na procura de uma dose generosa que chega para duas pessoas almoçarem.