De Moura a Barrancos, rota pelo sol do Alentejo

Moura, Barrancos e Amareleja são representantes de um Alentejo original, diferente e orgulhoso. Venha com a Goodyear conhecer as estradas da região.

Moura, Amareleja e Barrancos guardam tradições muito próprias, expressões e formas de falar únicas, que criaram aqui um Portugal diferente e original. Em redor, a paisagem alentejana dos sobreiros e oliveiras mantém-se relativamente intocada, só perturbada pelo nascimento do Alqueva, a norte, sempre belíssima e pacífica como a conhecemos desde sempre. Para um fim de semana gastronómico, uma road trip relaxada ou uma escapadela à procura de monumentos e locais históricos, espreite as nossas recomendações para uma rota entre Moura e Barrancos.

Mesmo depois de entrar em Portugal, o Guadiana continua a ser uma fronteira que cria uma das regiões mais originais do país, nascida na sua margem esquerda e estendendo-se até Espanha. O rio e a distância foram responsáveis por algum do isolamento de Moura, Barrancos ou Serpa, que acabaram por aproximar estas populações do país vizinho e, ao mesmo tempo que resultaram em expressões e tradições muitos próprias, fizeram nascer uma raça de alentejanos particularmente orgulhosa. A presença do rio ofereceu a fertilidade necessária para que o povo subsistisse ao longo dos séculos com suficiente autonomia e os alentejanos souberam usar essa vantagem em seu favor.

    Moura

    Mesmo que não se conheçam as circunstâncias exactas do nascimento de Moura, a região guarda vestígios de povos pré-históricos, castros, romanos, visigodos, árabes, e até dos franceses que nos invadiram no século XVIII. As ruas de Moura são feitas de uma pitoresca mistura do casario branco alentejano, algumas casas senhoriais, e uma população que gosta muito de viver cá fora, na soleira das portas, tabernas, cafés e espaços verdes da localidade. Muito recomendável também é um breve passeio pela Mouraria, um pequeno bairro que mantém ainda bem preservado o traçado árabe do século XIII, ao Poço Árabe e ao Museu Árabe. Uma última curiosidade: é aqui que nasce a famosa Água Castello e, mesmo que irreconhecível no seu rótulo, é o castelo de Moura e as atalaias da região que lhe emprestam a imagem.

    Aldeia da Estrela

    A seguir a Póvoa de São Miguel, fazemos um pequeno desvio para a Aldeia da Estrela. A subida das águas da Barragem do Alqueva levou a que esta pequena povoação se encontre agora numa península que se estende sobre o lago e levou ao surgimento de um pequeno ancoradouro com uma excelente vista. Quem quiser conhecer as margens e todas as aves que usam o Alqueva como habitat ou ponto de passagem, irá inevitavelmente embarcar ou passar por aqui, vindo da Marina da Amieira num dos vários barcos que saem em regulares passeios de turismo.

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    Amareleja

    Quando o verão aperta o abraço com mais força, os valores de temperatura mais impressionantes chegam sempre aqui, da Amareleja. A exposição ao sol desta região é realmente excecional e levou até ao surgimento daquele que era, na altura, o maior parque de energia solar do Mundo. Apesar de ser uma localidade muito agradável, com o casario comum à região, é à volta da Amareleja que encontramos os seus verdadeiros encantos, nos olivais e vinhedos, nos campos onde ainda se encontram touros e se escondem coelhos e perdizes. De regresso à vila, espreite a oliveira centenária pendurada no muro da igreja matriz. Ninguém sabe como é que ela ali nasceu ou sequer da altura em que tal prodígio poderá ter acontecido.

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    Safara

    Apesar de esparsamente habitada, Safara tem um património monumental bastante rico. Vale a pena a passagem pelo largo 25 de Abril, pela igreja paroquial isolada no meio da sua praça, e as Capelas de São Sebastião e Santa Ana, ou pela Cruz da Murteira, à saída da localidade. Nos montados em volta podemos ver aves de rapina e, nos postes elétricos à margem da estrada, vive durante todo o ano um número inacreditável de cegonhas.

    A calma de Safara convida ao descanso e, se vier já com a barriga a dar horas, aproveite para provar algumas especialidades alentejanas. O Arcada é conhecido pelo seu ensopado de borrego, o Meia Bola tem um excelente gaspacho, e os Pastelinhos de Safara são a especialidade local, com azeite e gila.

    Serra da Adiça

    Do lado do Ficalho, a Serra da Adiça é um gigantesco olival a crescer sobre suaves lombas avermelhadas que se abre por vezes para receber o sobreiro e as ocasionais herdades por aqui espalhadas. Mas, com uma presença humana tão discreta, não admira que seja a vida silvestre a reger a paisagem. Chegamos a encontrar lebres, perdizes e uma série de outras aves que não sabemos reconhecer, mas que se mostraram tão pouco habituadas a nossa presença como nos à deles. Sobral da Adiça mantém uma personalidade a todos os títulos genuína,

    Barrancos

    De Barrancos até Encinasola distam apenas 9km, menos de metade daquela que separa a vila de Santo Aleixo. Histórias de contrabando e um dialecto próprio vivem ainda nas vozes dos barranquenhos, assim como o calendário guarda algumas tradições comunitárias como o Baile da Pinha, as Festas de Nossa Senhora da Conceição e as famosas festas de agosto com touros de morte. Ao mesmo tempo, é um dos pontos mais orientais do país e o terceiro concelho menos povoado, factos que acabam por resultar numa paisagem despovoada e, em alguns locais, relativamente intocada. Suba até ao miradouro da rua 1º de Dezembro para espreitar os vales e montes que se estendem para lá da fronteira, ou visite o Castelo de Noudar e a região circundante para conhecer a natureza em estado bruto.

    E ainda…

    Uma passagem pelo Alentejo não fica cumprida sem o obrigatório mergulho na sua gastronomia e o presunto de Barrancos é um excelente começo. Os olivais da região ou o bom vinho que encontramos aqui tão perto, serão também sempre bons motivos para nos sentarmos à mesa. Depois de esgotar esta rota entre Moura e Barrancos, mais a sul encontrará Mértola, a deliciosa vila moura quase na fronteira com o Algarve e, ainda mais a abaixo, também na linha que nos separa de Espanha, o Guadiana tem ainda histórias de mineiros e contrabandistas para nos contar. Se vier com tempo e vontade de explorar mais, Beja e Monsaraz, cada uma com o seu charme muito próprio, são merecedoras de atenção por si só.