Museu Vivo da Fogaça: um motivo para conhecer Santa Maria da Feira

8 Maio | 2019 | Goodyear

A história da Fogaça da Feira remonta ao século XVI. Faz parte da tradição local, é inspirado no castelo local, nas suas gentes e é-lhe inclusivamente dedicada anualmente uma festa, a 20 de janeiro.

E, mais curioso ainda, é um bolo que tem um museu vivo a ele dedicado.

A verdadeira Fogaca da Feira só pode ser produzida no concelho de Santa Maria da Feira.

Como nasceu a Fogaça e a festa das fogaceiras?

Quando, em 1505, a peste dizimou grande parte da população portuguesa, o povo da região de Santa Maria da Feira fez uma promessa a São Sebastião. Caso os feirenses fossem poupados à peste negra, seria realizada, anualmente uma festa em sua honra. E assim tem sido ao longo de mais de 500 anos.

Para retribuir a proteção, os feirenses ofereceram ao Santo um pão doce chamado fogaça e assim nasceu, a Festa das Fogaceiras que acontece todos os anos, a 20 de janeiro, em Santa Maria da Feira.

O ingrediente central da mais emblemática celebração popular da região, a Festa das Fogaceiras, é a fogaça. Um bolo que se distingue de todos os outros pela inspiração nas quatros torres do castelo da localidade. Existem no entanto referências à fogaça em documentos de 1220.

A festa é celebrada anualmente a 20 de janeiro, data em que a Fogaça é entregue ao santo. E sem falhar porque, segundo a lenda, “durante quatro anos a tradição foi quebrada e a peste regressou”.

Atualmente, a festa preserva dois traços essenciais: a realização da missa solene, com sermão, precedida da bênção das fogaças, celebrada na Igreja Matriz, e a procissão, que sai da Igreja Matriz, percorrendo algumas ruas da cidade.

O que é a Fogaça?

A fogaça é um pão doce. Um “pão nobre de aromas suaves a limão e canela” que morfologicamente se reconhece pelas “suas quatro torres que simbolizam as quatro torres do castelo de Santa Maria da Feira”. Apresenta uma tonalidade acastanhada.

É um produto com o selo de Indicação Geográfica Protegida, constituído por uma “massa solta e leve, de cor ligeiramente amarelada, com pequenas perfurações sendo estaladiça no exterior”. De acordo com a certificação, “comercialmente pode apresentar-se embalada, a granel ou congelada, sob vários tamanhos, desde que a altura da Fogaça da Feira respeite uma variação de 35% para mais ou para menos, em relação ao diâmetro da base. Pode apresentar-se ainda em metades e/ou fatiada”.

O museu da Fogaça

O Museu Vivo da Fogaça é um espaço em Santa Maria da Feira dedicado ao pão regional, onde a fogaça é diariamente reinventada. Entre outras iguarias, é possível degustar as princesinhas de chocolate, as fogacitas com ovos moles, a fogaça Rainha, ou a Fogaça Imperatriz, com trufas de chocolate e creme de morangos.

As variações do original incluem ainda salame de fogaça, bombons, semi-frios e outras iguarias com uma base comum: a fogaça.

O projecto é “um palco de degustações e um prato cheio de cultura! É um novo conceito de fogaçaria/cafetaria com sons, letras e muitos amigos à mistura”, lê-se no site do Museu.

Da ementa faz ainda parte um interessante e dinâmico programa cultural incluindo concertos e sessões literárias.

O que visitar em Santa Maria da Feira

 

Ir a Santa Maria da Feira comer fogaça é só por si um bom motivo. Mas há muito mais que ver na região. Santa Maria da Feira fica no distrito de Aveiro, na Área Metropolitana do Porto.

O município é limitado a norte por Vila Nova de Gaia e Gondomar, a leste por Arouca, a sueste por Oliveira de Azeméis e São João da Madeira, a sul e a oeste por Ovar e a oeste por Espinho.

Fica no cruzamento dos eixos norte-sul e litoral-interior, sendo, desde tempos remotos o local de encontro e passagem de diferentes povos.

O local fazia parte do itinerário das vias romanas que por um lado Lisboa a Braga e por outro o Porto a Viseu. São ainda visíveis vários traços de vias e pontes da época, alguns bem conservados. Estas vias de comunicação continuaram a ser usadas durante a idade média e depois. No fundo até ao alvor das auto-estradas no século XX.

Se for a Santa Maria da Feira deve colocar no seu roteiro o Mosteiro de Cucujães, o Mosteiro de Arouca e o Castelo da Feira, uma obra militar da Idade Média.

O castelo, que serviu de modelo à Fogaça, era um local de pagamento de tributo e de comércio de produtos vários. Terá sido esta movimentação que terá dado origem ao nome do local – Feira – elevada a cidade e a Santa Maria da Feira em Agosto de 1985. O Castelo da Feira é também referido como Castelo de Santa Maria da Feira e Castelo de Santa Maria.

Mas os vestígios de civilização são muito ancestrais. Na região há monumentos funerários (mamoas) que remontam ao quarto/quinto milénio antes de Cristo, bem como castros (povoações fortificadas) pré-romanos ou romanizados.

A tradição religiosa é facilmente identificada no local onde se multiplicam conventos, igrejas e cruzeiros do românico ao barroco.

Poderá não ser propriamente o local mais turístico da região, mas é também em Santa Maria da Feira que se localiza o centro de congressos Europarque, da Associação Empresarial de Portugal.

A receita da Fogaça

Tem mão para a cozinha? Poderá então aventurar-se a fazer a sua própria fogaça em casa. Aproveite, além das indicações do portal dos produtos tradicionais portugueses as dicas de Dulce Rodrigues no seu blogue.

Sim, porque o Museu Vivo da Fogaça é um bom mote para visitar Santa Maria da Feira, mas aventurar-se também em casa pode ser uma solução alternativa e divertida.

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