Abra o coração ao sol e deixe a música entrar!

Vamos ter um 2017 cheio de reggae e calypso em Portugal para concertos e festivais de verão. Prepare-se para o calor com esta playlist cheia de sol!

O sol começa a despertar cada vez mais cedo, com mais energia, e é o principal culpado quando nos começa a faltar a vontade de regressar ao trabalho todos os dias. O que nos vale é a música, a forma de motivação mais eficaz que existe, e quando toca ao bom tempo, poucos exemplos são tão bons como os que nos chegam das Caraíbas. Estas ilhas sempre solarengas já exportaram algumas das canções mais bem dispostas, e são uma fonte inesgotável de grandes temas que nos colocam um sorriso no rosto. De Trindade e Tobago à Jamaica, venham connosco nesta viagem pelos sons quentes do reggae, do calipso e Cia.

Chegados também de uma terra que está irrevogavelmente ligada à boa disposição, a Austrália, os The Avalanches vão passar por Portugal este verão a 8 de Julho para um concerto no NOS Alive e trazem na bagagem um dos álbuns mais divertidos de 2016. Frankie Sinatra vai buscar o groove do calypso de Trindade e Tobago e consegue assim criar um tema pronto para entrar na galeria dos mais viciantes dos últimos anos.

O mambo foi o cocktail que Cuba arranjou para misturar as influências europeias com os ritmos africanos dos escravos que foram ficando pela ilha. Agora agarrado pelos alemães De-Phazz, também eles já conhecidos nas salas portuguesas, neste Mambo Craze, é um ritmo que nos leva de “Bogotá a Medellin”, e a cometer todos os excessos a que o calor nos convida.

Regressamos agora ao primeiro disco de Lily Allen, quando a cantora londrina se apresentou com a sua mistura de pop/reggae/calypso, que trazia muito do espírito multicultural das ruas da capital britânica. Contudo, ao contrário da cidade do smog, Smile é um tema radioso que, apesar de falar do prazer sádico que podemos ter com a dor dos outros, é genuinamente positivo. E é mesmo esse o espírito da estação, certo?

Antes que Drake, Rihanna ou Ed Sheeran começassem a recuperar o dancehall para as massas, já os sound systems e salões jamaicanos se dedicavam a esta forma mais despida e eletrónica do reggae há pelo menos 3 décadas. Chaka Demus &Pliers, aqui acompanhados pelos históricos Sly & Robbie, são um dos nomes mais importantes da cena e Murder She Wrote é um tema inesquecível.

Sem sairmos do ritmo quente do dancehall, passamos agora a tocha à primeira mulher DJ da Jamaica que, quase sozinha, foi grande responsável pela explosão ragga/jungle que nos chegava na primeira década dos anos 2000: Sister Nancy. Bam Bam foi um tema redescoberto pelo grande público quando foi usado como sample em Famous de Kanye West, mas o original é um dos mais doces exemplos de quanto pode ser quente o reggae e as suas vertentes.

Outro clássico que dificilmente se esgota, Ring the Alarm de Tenor Saw, é a lembrança de como, aparentemente bem disposto e festivo, o dancehall e o reggae guardam também uma face mais soturna e perigosa. Tenor morreu com apenas 21 anos, num acidente que alguns acreditam ter sido um assassinato relacionado com o tráfico de droga. Apesar disso, deixou-nos este hino perfeito para receber o bom tempo e que é tudo menos sombrio.

Doce, doce, doce… se a Jamaica for remotamente parecida com a voz de Desmond Dekker, é terra onde toda a gente sorri de forma incontrolável. Israelites é um dos grandes temas do roots e do skinhead reggae e, como é habitual em muitos dos cantores jamaicanos da época, traz a mensagem religiosa com orgulho. Apesar disso, mesmo para quem não acredita em Jah este tema é bem mais do que um cântico, é uma desculpa para abanarmos as ancas a compasso.

Os The Congos ainda estão em atividade e completam 40 anos de carreira em 2017. Mesmo assim, continuam a ser dos mais dignos representantes desta forma muito suave e religiosa de apresentar o reggae. La La Bam Bam é um desses hinos, daqueles que nos une em celebração sem alguma vez termos posto o pé numa igreja.

Com uma pitada de crooner à maneira jamaicana, Gregory Isaacs é “O” nome a que não podemos fugir quando o tema é reggae romântico, daquele que cheira a pôr-do-sol dançado a dois, com um cocktail e duas palhinhas para dividir. Deixou-nos mais de 500 discos com alguns dos temas com mais mel e menos azeite de todos aqueles que as caraíbas já exportaram.

Terminamos este passeio pelas Caraíbas pela porta grande, a recordar por que é que a nossa paixão será sempre viajar. Mesma nesta versão menos conhecida e mais crua de Soul Rebel, a ideia principal da música de Bob Marley resiste intacta, e essa é, afinal, muito próxima da filosofia que sempre defenderemos no Quilómetros Que Contam: “You gotta travel wide – vocês têm que viajar muito” .