N108 – A outra marginal do Douro

17 Fevereiro | 2020 | Goodyear

Menos falada do que a mundialmente famosa N222, vale a pena descobrir a estrada na outra margem do Douro

Por esta altura, já meio mundo ouviu falar da Estrada Nacional 222, a tal que, em 2015, foi eleita pela Avis como a mais bela estrada do planeta, a correr ao longo do rio Douro, principalmente o troço entre a Régua e o Pinhão, pelo meio de uma paisagem magnífica.

O que já poucos conhecem é a sua, vá lá, “irmã feia”, a EN 108, que acompanha o segundo maior rio português mas pela margem oposta. Feia é, assim, uma brincadeira, já que a paisagem que podemos apreciar ao longo da Nacional 108 continua a ser de tirar o fôlego.

Se a N222 começa o seu longo percurso em Vila Nova de Gaia, correndo depois ao longo da margem direita do Douro até Vila Nova de Foz Côa, a sua irmã “nasce” na margem esquerda, mesmo à saída da ponte do Freixo, onde inicia um percurso que terminará em Bagaúste, junto à Barragem da Régua.

Até à década de 40 do século passado, não existia qualquer estrada na maior parte da margem esquerda do Douro. Apenas em 1945, aquando da elaboração do Plano Rodoviário Nacional, se iniciou o planeamento da nova estrada marginal e, dos mais de 170 quilómetros previstos, até Torre de Moncorvo, apenas foram construídos os primeiros 120. E, até à década de 1990, a N 108 foi uma das mais importantes ligações do Porto à região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Iniciemos então a viagem!

De Entre-os-Rios à Portela do Rio

Saímos do Porto e deixamos Valbom e Gondomar para trás, passamos por Canelas, no concelho de Penafiel, e chegamos a Entre-os-Rios, a localidade onde o rio Tâmega termina o seu percurso, desaguando no Douro. A ponte Duarte Pacheco, inaugurada em 1941, é a obra mais emblemática da EN 108 e permite a travessia para o Torrão, onde começa na realidade o percurso ao longo do Douro.

Entre-os-Rios possui um património construído de valor arquitectónico considerável, orgulhando-se de monumentos como a Capela de Santo António, a Igreja de Santa Maria de Eja ou a imponente Igreja Românica de São Miguel de Entre-os-Rios. A localidade ficou tragicamente conhecida quando, a 4 de Março de 2001, a antiga Ponte Hintze Ribeiro (1887) ruiu, resultando do fatídico acidente a morte de 59 pessoas.

A próxima paragem é logo a seguir a Paços de Gaiolo onde, no Lugar de Portela do Rio, podemos ficar no Douro Royal Valley – Hotel e Spa, para retemperar as forças. Logo ali ao lado fica a freguesia de Ribadouro, onde pode visitar a capela local, situada mesmo à beira do rio, antes da N 108 se afastar do rio, que voltará a encontrar no Mesão Frio.

De Mesão Frio ao Peso da Régua

Conhecida como a “Porta do Douro” – por ter sido aqui que se colocaram os primeiros Marcos Pombalinos – a vila de Mesão Frio tem muito que visitar, entre miradouros e as várias igrejas dispersas pelas freguesias do concelho. Se a fome apertar, vale a pena almoçar na Tasca do Zequinha, e experimentar a feijoada de tripas.

Agora de volta ao rio, a estrada 108 mostra a paisagem vinhateira do Douro em todo o seu esplendor, com vários miradouros a sucederem-se pelo caminho para melhor apreciar a beleza da paisagem. A próxima paragem é nas Caldas do Moledo, localidade conhecida pelas suas termas, que eram recomendadas para reumatismo, dermatoses e doenças das vias respiratórias. Fechadas desde 2010, está previsto que as obras de reabilitação comecem este ano. Pode, no entanto, desfrutar do Parque das Caldas de Moledo.

A última paragem da viagem é no Peso da Régua, onde está instalado o Museu do Douro, dedicado naturalmente à cultura e à história do vinho da região. A cidade, já situada no distrito de Vila Real, é considerada como a capital da região demarcada dos vinhos do Douro, fica em pleno Vale do Douro que, diga-se, está classificado como Património da Humanidade pela UNESCO.

Não espere mais e comece já a planear esta rota verdadeiramente cénica pela margem esquerda do rio Douro.

Good Year Kilometros que cuentan