N222: conduzir ao ritmo das águas do Douro

Diz a ciência que a N222 é a Melhor Estrada do Mundo mas nada nos prepara para a beleza desta paisagem. Venha connosco conduzir entre a Régua e o Pinhão.

Com o Douro sempre por companhia, vinhas e oliveiras nas margens até perder de vista, pássaros a viver da riqueza das suas margens e a sucessão ondulante e quase perfeita de curvas e retas, a Estrada Nacional 222 já foi considerada a mais bela do Mundo. Entre Peso da Régua e Pinhão ficam 27 quilómetros e 93 curvas que a ciência diz serem perfeitas para conduzir. Nós dizemos que a N222, em pleno coração do Património Mundial da UNESCO, é perfeita para sonhar. A toda a volta, as vilas e aldeias agrícolas onde ainda se vive fortemente a tradição do vinho do Douro, são o complemento perfeito para uma bela viagem.

    A fazer a divisão entre dois dos distritos mais ricos em belezas naturais, Viseu e Vila Real, a Nacional 222 teve o privilégio de ser analisada em conjunto com algumas das estradas mais famosas do mundo, em busca da melhor de todas. A investigação foi encomendada por uma empresa de aluguer automóvel, que pediu a uma equipa de cientistas que avaliasse diferentes critérios: a diversidade de retas e curvas, o desafio de condução, as diferentes sensações na aceleração, as ondulações da estrada e paisagem circundante, entre outros. Segundo os especialistas a relação ideal entre o número de curvas e de retas é de 10:1 (por cada 10 segundos em reta, há um segundo em curva) e a N222 consegue os 11:1, o valor mais próximo de entre todas as estradas analisadas. A lista incluía ainda estradas famosas como a Big Sur, na Califórnia, ou a A535, no Reino Unido.

    Mas a verdade é que o Douro não foi desenhado a regra e esquadro por um engenheiro e foi principalmente a natureza que definiu o traçado da Nacional 222. Aliás, foi sempre o Homem a adaptar-se ao rio com bastante sucesso, tirando destas águas a riqueza principal, a fertilidade que parece escorrer por estes socalcos abaixo. Já dissemos que era um dos destinos românticos por excelência, mas voltamos agora às margens do Douro para cumprir aquela que é, nem precisamos da ciência para o afirmar, uma das mais belas estradas do mundo. Pelo caminho, aproveitamos ainda para tomar uns quantos desvios e conhecer algumas das povoações nas suas margens.

    Penajóia

    Antes de nos aproximarmos do rio, a passagem pela zona de Penajóia dá-nos a conhecer como os socalcos continuam e marcam a restante paisagem para lá das margens. Além do vinho, em Penajóia também se produz cereja, mas é a forma destes vales quase em anfiteatro que torna a passagem por aqui um descanso para a vista e para a condução.

    Peso da Régua

    É a partir daqui que entramos na parte do percurso que é considerado “A Mais Bela Estrada do Mundo”, mas um desvio para a outra margem, para uma visita à Régua, é tempo bem justificado. Debruçada sobre o Douro, a localidade tem uma série de miradouros que merecem a atenção e, mais para norte, na Galafura, São Leonardo é um fantástico ponto de vista sobre a região.

    N222: conduzir ao ritmo das águas do Douro

    Armamar

    Depois de percorrermos alguns quilómetros da N222, ao chegarmos a um local onde o rio faz uma pequena reentrância, um desvio para a direita leva-nos na direção de Armamar. Terra discreta, com uma igreja matriz de estilo românico e vários edifícios centenários dedicados à vinha, tem um charme nobre, marcado pela profusão das construções em granito.

    Barcos

    Outra aldeia pequena e discreta, mas com uma História longa por trás. Habitada desde a Idade do Bronze, guarda ainda vários edifícios medievais, como a Igreja Matriz ou o Santuário de Santa Maria do Sabroso, e outros mais recentes, não muito distantes, como a Fonte Velha, o Fontanário do Largo do Adro, o antigo Forno da Confraria, e vários solares e casas senhoriais. Além do património, Barcos é ainda terra onde se come bastante bem, com uma visita à Quinta dos Magusteiros a ser obrigatória para provar o cabrito assado.

    N222: conduzir ao ritmo das águas do DouroTabuaço

    Na curva que a Serra de Chavães faz perto do Rio Távora, Tabuaço modernizou-se mas ainda mantém as ruas em calçada e os muros em granito que a tornam genuína e lhe dão o tranquilo aspeto de “terra do Douro”. Vale a pena a visita ao Museu do Imaginário Duriense, mas a toda a volta não faltam pontos de grande interesse (ver Barcos), desde conventos dos Monges de Císter, ao santuário rupestre em Pinheiros, passando por dólmens e vias romanas.

    Pinhão

    Saímos da N222 e terminamos a nossa (demasiado curta) viagem no centro geográfico da Região Demarcada do Vinho do Douro, depois de passar uma sequência de subidas e descidas antes da ponte de ferro. A localidade tem uma histórica estação de comboios com um famoso conjunto de azulejos e, na outra margem, a Quinta das Carvalhas é uma magnífica propriedade com uma fantástica vista sobre o rio a partir da Casa Redonda. O espaço está aberto a visitas e, a 550 metros de altitude, tem uma paisagem inesquecível.

    E ainda…

    Se quer mesmo saber a nossa opinião, se estivéssemos no seu lugar seguíamos depois na direção da Terra Quente Transmontana e tentávamos ter uma última vista sobre o Vale do Tua, pois as obras da barragem começam no verão de 2017. E, se tivéssemos tempo, o nosso coração nunca nos perdoaria se não prosseguíssemos depois para Foz Côa. A forma mágica como o Côa se abraça ao Douro naquele ponto de vista tão especial do Museu do Vale do Côa é perfeito para terminar qualquer viagem.