Nelas e o regresso do verde

Entre Nelas e Mangualde há verde, vinho e descontração à nossa espera. As paisagens do Dão cruzam-se com o Mondego, para criar uma escapadela inesquecível.

Já a espreitar a Serra da Estrela, Nelas é terra de belíssimos vinhos. Além disso, é também o centro de uma região vibrante, com fortes raízes mas também um olho para o futuro. Encaixada entre Dão e Mondego aproveita bem a sua influência e vive com o melhor de ambos. Dos antigos solares senhoriais às águas termais, estão todos convidados para uma escapadela por Nelas.

Nelas e as localidades em volta foram fortemente prejudicadas pelos incêndios de 2017, sofrendo danos que demorarão vidas a reparar. Contudo, a força e tenacidade beirã resiste a muito e irá trazer de regresso muita da magia destes campos. A nossa escolha para pernoitar na região foram os Moinhos do Pisão, local que quase por milagre escapou à destruição. Este alojamento rural é um bom exemplo de iniciativas de regeneração local, tendo remodelado já várias casas do Pisão. São oito os espaços recuperados, a que se junta ainda uma piscina, uma sala de massagens e um churrasco. Com tanto espaço, o estabelecimento também aceita cães e é fantástico para eles correrem à vontade.

Na terra da uva

Santar tem ainda o ar nobre e solene dos solares das suas antigas famílias. Os paços, as vinhas e os pomares são velhas testemunhas da arte de fazer o vinho do Dão. Visite a Casa de Santar para uma prova ou comprar alguns dos seus vinhos na loja gourmet. Na zona sul do concelho, Canas de Senhorim mantém o seu ar rural e típicas casas beirãs, de dois pisos e em granito. Antigos edifícios senhoriais contam-nos da importância histórica da agricultura local, com o pelourinho e igreja matriz a completarem o conjunto.

Nas Caldas da Felgueira é o silêncio do vale e as águas do Mondego que nos recordam o paraíso. A água mineral natural das Caldas da Felgueira é de natureza sulfúrea primitiva, é bicarbonatada, sódicas, fluoretada e mesotermal. Apesar dos avanços científicos no seu conhecimento, a idade milenar da água mineral da Felgueira continua a constituir um mistério da natureza. É usada nos tratamentos termais das vias respiratórias, nas afecções reumáticas e músculo esqueléticas e também nos programas de bem-estar, estética e beleza. Qualquer que seja a utilização, estas águas cumprem o seu destino e merecem a sua visita às Caldas da Felgueira.

Nelas

Prosseguindo na direção de Mangualde, passamos por Espinho, onde Camilo Castelo Branco situou a ação de “O Retrato de Ricardina”. Em Tibaldinho cruzamo-nos com a centenária tradição das bordadeiras e dos seus trabalhos em algodão branco. A atividade já não tem a importância económica de outrora mas, entretanto, é praticada por todo o concelho de Mangualde. Já em Fornos de Maceira, em Vila Garcia, o Real Mosteiro de Maceira do Dão é um edifício impressionante apesar do seu estado de degradação.

Lendas de formigas e o topo do planalto

Em Cunha Baixa conta-se que foi uma praga de formigas que fez a população mudar-se para a sua atual localização. Mas a História do local deverá ser bastante mais antiga. A Anta da Cunha Baixa e a Anta dos Padrões são testemunhas dessa antiguidade. Cinco quilómetros mais à frente entramos em Mangualde, cidade que já foi romana e mourisca antes de ser residência para a nobreza nacional. Ainda sobrevivem vários edifícios com o brasão na fachada, como é o caso do Solar dos Condes da Anadia.

Seguindo depois na direção de Châs de Tavares, encontramos uma aldeia repleta de História. Suba ao Cerro do Bom Sucesso onde, além das ruínas do velho castro, vai encontrar uma fantásticas vista sobre as serras em volta. Na encosta nascente fica a Ermida da Senhora do Bom Sucesso em estilo barroco. Conta a lenda que uma moura encantada com corpo de sereia protegia um tesouro no fundo de um poço. Um dia terá defendido o ouro com a sua cauda com tal violência que deixou uma marca na pedra. Tente encontrá-la! Um pouco mais à frente, chegamos a Vila Cova, onde se praticavam tradições comunitárias, raras nesta região.