Por montes e vales: a nova rota em Arouca

13 Maio | 2019 | Goodyear

Já conhecemos os Passadiços de Arouca. Foram inaugurados em 2015 e acompanham a margem esquerda do rio Paiva. Mas agora há ainda mais para conhecer nesta região do país junto ao Rio Paiva, nas proximidades do Rio Douro.

O Rio Paiva e os seus Passadiços têm atraídos turistas à região, mas há cada vez mais motivos para visitar o local, afinal, há muito mais para descobrir além dos passadiços, afinal, o Geopark onde os passadiços se inserem, estende-se por 328 quilómetros quadrados.

É o caso da recentemente inaugurada Grande Rota 28, “Por Montes e Vales de Arouca”.

Recorde-se que o percurso pedestre dos Passadiços do Paiva tem praticamente nove quilómetros e acompanha a margem esquerda do Rio Paiva. Já arrecadou vários prémios ao longos dos anos. Estes passadiços passam por cinco dos 41 geossítios – locais de interesse geológicos – que existem no Arouca GeoPark, uma região reconhecida pela UNESCO como Património Geológico da Humanidade.

Mas voltemos à Grande Rota 28. É um percurso eclético que combina o âmbito desportivo, cultural, ambiental e paisagístico. Sendo uma rota longa, convém agendar alguns dias para a fazer. Afinal são 85 quilómetros.

A dificuldade é média e os desníveis são moderadamente acentuados. Pode ser utilizado em qualquer época do ano.
Fica em Arouca, no distrito de Aveiro, sendo também abrangida pela Área Metropolitana do Porto. A vila de Arouca é a sede da União de Freguesias de Arouca e Burgo, no vale do rio Arda, em plena bacia hidrográfica do Rio Douro.

Novo percurso pedestre

A nova proposta de percurso pedestre, GR28, envolve o vale de Arouca, a serra da Freita, os vales do Paivó e do Paiva, o Museu das Trilobites Gigantes – Centro de Interpretação Geológica de Canelas e o santuário da Senhora da Mó.

São 85 quilómetros, ao longo dos quais se percorre um território belo, com inúmeros geossítios, aldeias de montanha, vales e encumeadas. As paisagens são de tirar o fôlego.

O percurso começa em Arouca, junto ao Museu Municipal. Daqui caminha-se para São Salvador do Burgo e, em seguida para Santa Maria do Monte. Aqui o percurso liga-se ao a um outro, o PR4 – Cercanias da Freita.

No planalto da Serra da Freita poderá apreciar o dólmen de corredor da Portela da Anta, um monumento megalítico com perto de 6000 anos. Por todo o percurso poderá cruzar-se com vacas arouquesas que circulam tranquilamente e em liberdade. A serra da Freita também é conhecida pelas pedras boroas do Junqueiro. São blocos graníticos que lembram côdeas de broas.

Após a passagem por esta aldeia, sobe-se para a Portelada. Aqui o percurso é feito por caminhos comuns com outro percurso, o PR2 – Caminhos do Vale da Urtigosa. Assim será até Souto Redondo e Póvoa Reguenga.

Daqui deverá seguir para o Meruial, num primeiro momento pelo ancestral caminho da Senhora da Laje e depois por um caminho florestal. Irá então atravessar a estrada municipal e entrar no Merujal, onde é feita a ligação à antiga via romana que fazia a comunicação entre Mérida e Braga, passando por Valongo. Também irá tomar contacto com a PR15 – Viagem à Pré-história, a qual irá acompanhar ao longo de vários troços.

Entroncando com outros percursos

Chegará depois ao parque de campismo, que entronca com outros percursos pré-definidos: o PR7 – Nas Escarpas da Mizarela, e o PR16 – S. Pedro Velho, além da Rota dos Geossítios (G3 – S. Pedro Velho). Irá ter oportunidade de apreciar a paisagem a partir dos miradouros de São Pedro Velo e Detrelo da Malhada. São paragens obrigatórias num visita a serra da Freita.

A partir daí seguirá para Albergaria da Serra, por caminhos comuns aos PR15 e PR16. Por este último percurso, os dois apenas se cruzam num pequeno troço após a ponte do ribeiro do Merujal, como explica a informação detalhada pelo site da nova grande rota.

Irá ter oportunidade de ver o largo do coreto de Albergaria e passar pelo cemitério. É então que irá deixar o PR15 para seguir, à direita pela já referida via Romana, voltando a encontrar o PR15 na Portela da Anta.

Segue-se uma subida até ao Vidoeiro, passando pela casa abrigo. Em seguida desce novamente para o Tebilhão ao longo do PR6 –Caminho do Carteiro até Cabreiros. O caminho leva-o agora até ao Candal, uma aldeia do vizinho concelho de São Pedro do Sul. Irá passar junto à igreja Matriz e tomar, em seguida, um caminho que desce para Covêlo de Paivó. O site da rota explica que, nesta aldeia o caminho irá ligar-se ao PR13 – Na Senda do Paivó e este com o PR14 – A Aldeia Mágica.

Subidas e descidas

Agora irá subir novamente para as antigas minas do Muro, prosseguindo depois para Silveiras e Cortegaça, uma aldeia abandonada. Mais uma vez, depois de subir, vai descer. A partir do estradão da cumeada inicia-se a descida para Meitriz e vale do Paiva, onde atravessa na ponte para o lugar de Além-do-Barco. Irá novamente subir para Vilar de Servos e Alvarenga. Passará por Lourido, atravessará o rio Paiva na ponte suspensa que liga ao Passadiço.

Aqui irá viajar no tempo, para uma Era em que em que o ser humano ainda não calcorreava a terra. É que 300 metros depois, subirá para Canelas e daqui para o Museu das Trilobites Gigantes – Centro de Interpretação Geológica de Canelas. O centro de interpretação é um museu privado onde poderá apreciar as trilobites que habitaram os oceanos há 500 milhões de anos. Os exemplares expostos foram descobertos em ardósias ao longo dos anos.

Então irá subir ao Gamarão de Cima, e seguirá para a Senhora da Mó, um ponto sobranceiro à vila, digno de visita, pela panorâmica que oferece. A partir daí irá inicia-se a descida para Arouca, local onde termina o percurso.

No centro da vila de Arouca predomina o turismo cultural e religioso. Aqui poderá ficar a conhecer a Capela da Misericórdia (1612), onde poderá apreciar o teto apainelado pintado com cenas bíblicas da Paixão de Cristo.

Onde comer e onde ficar

Uma das opções para comer ao longo deste percurso é na Casa dos Bifes Caetano, em Alvarenga, onde a aposta é na carne da raça arouquesa certificada. As especialidades da casa incluem bife e vitela assada no forno e ainda cabrito do monte. As doses são grandes, mas se está a caminhar por 85 quilómetros, provavelmente irá precisar de energia.

Poderá também optar pela Casa no Campo, um restaurante em que a especialidade é bacalhau na Broa, mas onde também pode optar por vitela assada em forno a lenha.

A sobremesa poderá ir tomá-la à Casa dos Doces Conventuais de Arouca. Aí a recomendação é o doce de colher “barriga de freira”.

Para ficar, porque o percurso assim o requer, poderá optar pelo Hotel Rural da Freita, recentemente inaugurado, na aldeia da Mizarela e próximo da Frecha da Mizarela, a cascata mais alta de Portugal Continental.

Poderá ainda optar pela Quinta do Pomar Maior, em Santa Eulália, onde existem duas casas T4, dois apartamentos T1 e dois quartos duplos. O terreno está circundado por cerca de 200 árvores de fruto, horta e animais.

E ainda

O Arouca Geopark lançou também um novo e original serviço: GeoBike. São bicicletas que lhe permitem pedalar entre monumentos e geossítios, funcionando como alternativa ao passeio pedestre. A iniciativa é da Associação Geoparque de Arouca.

As bicicletas poderão percorrer os percursos interpretados de duas zonas do território: o centro histórico da vila, na sede do município, e o planalto da serra da Freita, na envolvente da aldeia da Castanheira. Os ciclistas podem fazer o percurso por sua conta em qualquer dia da semana, mas nos primeiros domingos do mês estão programados passeios com guia.

O grau de dificuldade não é elevado. Na vila, o percurso de oito quilómetros deve fazer-se em 90 minutos. O percurso de 10 quilómetros pela serra está previsto para a mesma duração.

A proposta da nova rota pedestre de Arouca – ou em alternativa em bicicleta por algumas das partes do percurso – é algo a ter em conta quando preparar a sua próxima escapada.

Good Year Kilometros que cuentan