Zoo de Lisboa: diversão e preservação da natureza

A diversão será o principal mote para uma visita ao Zoo de Lisboa. Mas, a preservação da natureza está no cerne do espaço. Os miúdos – e graúdos – adoram.

Recordo-me bem, nos primeiros anos da década de 90, de uma criança e do seu olhar surpreendido ao visitar o Jardim Zoológico de Lisboa ou, mais informalmente, Zoo de Lisboa. Era uma criança que ouvia muitas histórias sobre a savana, que gostava de documentários onde se mostrava a impiedosa caça do leão à gazela. Guardava ainda um desejo, nada secreto, de aprender mais sobre o mundo animal. Nas brumas da memória já se perderam muitas recordações daquele dia, mas o elefante que recolhia moedas e tocava o sino é uma imagem que ainda guardo, quase vinte anos depois.

Hoje, os habitats procuram-se tão ambientalmente próximos do real quanto possível. Os elefantes já não recolhem moedas e tocam sinos. Atualmente, mais que um espaço lúdico com uma moldura de animais selvagens e exóticos, o Zoo de Lisboa tem na proteção, reprodução e conservação das espécies uma prioridade.

Aliás, ao longo de praticamente 135 anos (est. 1884), o Jardim Zoológico tem evoluído sem deixar de apresentar aos visitantes uma amostra representativa da vida selvagem que faz parte integrante do nosso imaginário desde miúdos. As ofertas mudaram, multiplicaram-se as maravilhas que tem para oferecer ao público e existe uma forte aposta em programas de preservação das espécies.

Mais de 2000 espécimes de 300 espécies

O jardim zoológico de Lisboa oferece-nos a oportunidade de vermos de perto criaturas tão curiosas como o koala, o leão-africano ou o crocodilo-do-Nilo, um gigante de quase seis metros de comprimento que decerto passará a preencher os seus pesadelos. Repare nos olhos deste bicho a aparecerem no meio das águas verdes e imagine a mesma cena, mas num rio selvagem entre as sombras da floresta. Ainda bem que aqui temos equipamentos de segurança a separar-nos, certo? No total, estamos a falar de mais de 2000 animais, de cerca de 300 espécies, inseridos em espaços onde se tem vindo a investir, ao longo dos anos, no enriquecimento ambiental.

Além de tudo isto, o Zoo faz parte integrante da Associação Europeia de Zoos e Aquários (EAZA) e da Associação Mundial de Zoos e Aquários (WAZA), e colabora ativamente com o Cameroon Wildlife Aid Fund (CWAF), organizações que se dedicam a desenvolver projetos de reprodução ou de conservação, europeus ou internacionais, muitos deles “in situ”, isto é, no habitat natural das espécies.

Golfinho - Quilometros que contam

A conservação dos primatas

Mas vamos às novidades mais recentes. Portugal, tem tido um papel relevante no trabalho de consciencialização para a proteção dos animais. Esse trabalho manifesta-se em casos concretos, como é o caso do recentemente anunciado nascimento de duas crias, no Jardim Zoológico de um Macaco-de-brazza macho, nascido a 18 de junho de 2018, e de um Macaco-capuchinho-de-peito-amarelo, cujo sexo não é ainda identificável, que nasceu a 17 de agosto de 2018. Poderá visitá-las no Templo dos Primatas.

O Jardim Zoológico colabora ativamente para o Programa Europeu de Reprodução (EEP) dos macaco-de-brazza, promovendo o conhecimento e a conservação da espécie. “Apesar de não estar em risco de extinção, a maior ameaça à sua sobrevivência é a perda do habitat, sobretudo para a indústria madeireira e para a expansão agrícola. O Macaco-de-brazza é também alvo de caça para alimentação humana”, alertou recentemente o Zoo de Lisboa, a propósito da celebração do dia internacional dos primatas, a 1 de setembro.

Já o Macaco-capuchinho-de-peito-amarelo, um animal arborícola e bastante sociável existe, na natureza, unicamente no Brasil, em pequenas áreas de floresta tropical húmida atlântica, no sul do Estado da Baía. É uma das 25 espécies de primatas mais ameaçadas no Mundo, desde 2002, e a sua população continua a diminuir, sobretudo devido à destruição do seu habitat.

Sobre os primatas, o Jardim Zoológico salienta a importância da consciencialização para a proteção dos mesmos, uma vez que mais de 60% de todos os primatas estão em risco de extinção e quase metade – 43% – está classificada como “Em Perigo” ou “Criticamente Em Perigo”, aproximando-se da extinção na Natureza. No Zoo existem 31 espécies/subespécies para conhecer.

Órix-de-cimitarra: um testemunho do passado no presente

Para se ter ideia da importância que os Zoos têm na atualidade, nada como um exemplo concreto. Este verão nasceu, em Lisboa, uma cria de Órix-de-cimitarra (Oryx dammah), uma espécie classificada como extinta na Natureza há mais de duas décadas, pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).

Este animal pode, quando adulto, atingir os 200 kg e possui cornos que podem chegar aos 1,20 metros de comprimento. Em Lisboa, a cria integra uma família de seis indivíduos (dois machos e três fêmeas, além da cria). Extinta na natureza, a espécie vive em jardins zoológicos ou áreas protegidas vedadas, nomeadamente na Tunísia, Senegal e Marrocos, sob cuidados humanos. O objetivo, a longo prazo, é permitir a reintrodução nos seus habitats naturais. Esta espécie de ruminante alimenta-se de herbáceas, podendo passar longos períodos sem beber água.

Muita diversão

Em suma, os zoos têm vindo a ter um papel cada vez mais ativo na proteção, reprodução e conservação das espécies, ficando no passado os tempos de meros espaços lúdicos e de acolhimento de animais selvagens e exóticos. Mas a valência lúdica tem de existir, para atrair visitantes que irão, também eles, contribuir para a conservação da natureza através dos bilhetes e do acesso a iniciativas promovidas pelo Zoo.

Depois de entrar no espaço reservado a visitantes com bilhete, a oferta é variada. É o caso do teleférico. É uma oportunidade única de ver o jardim de cima, de ter uma vista panorâmica sobre o local e tirar fotografias de uma perspetiva diferente. Apesar de não ser propriamente radical, o teleférico pode provocar ansiedade em alguns. Neste caso, o ideal é optar pelo comboio do Zoo.

Fantástico é também o Vale dos Tigres, um espaço em que o Zoo de Lisboa tem investido e que parece inspirado nos velhos filmes do Tarzan, onde o tigre-da-sibéria e o tigre-de-sumatra, convenientemente separados, oferecem um ambiente épico e selvagem, que nos transporta para uma distante floresta asiática.

Fundamental é, antes de chegar, planear a sua visita, com base nos seus animais preferidos para não perder os momentos mais especiais. O Zoo tem espetáculos, várias vezes por dia, na Baía dos Golfinhos, no Bosque Encantado. Espetáculo é também a alimentação de pelicanos ou as aves em voo livre. O Zoo promove ainda a atividade “répteis: cobras & lagartos”, sendo que o reptilário é, por si, uma atração. Uma quintinha pedagógica para deleite dos mais pequenos é também uma delícia para os mais velhos. Não devem perder ainda a oportunidade de visitar a Tapada do Lince-Ibérico ou de ouvir as “Animal Talks”.

Zoologico Lisboa - Quilometros que contam

Educar para conservar

Para este verão já não vai a tempo, mas tome nota. Sob o lema “Educar para conservar” o Zoo disponibiliza programas de férias lúdico-pedagógicos nas férias letivas com temáticas ligadas à conservação da biodiversidade e à valorização da vida animal. Os destinatários são crianças e jovens que se interessam pela natureza e que, deste modo, a ficam a conhecer um pouco melhor. O programa passa pela descoberta dos mistérios do reino animal com um contacto tão próximo quanto possível, mas sem incomodar a vida dos animais.

Ao longo do ano, pode ainda tirar partidos do programa “Sábados Selvagens” especialmente pensado para promover a aprendizagem em família. Nestas iniciativas é incentivada a partilha de conhecimento entre adultos e crianças.