À “caça” da baleia nos Açores

Açores, onde iríamos para a observação de baleias. Roita perfeita para o seu fim de semana

A uma distância de viagem tão curta, com tão fantásticos segredos e uma oferta hoteleira ao nível do melhor da Europa, continua a ser um mistério porque é que os Açores são um “ilustre desconhecido” para a maioria dos portugueses. Contudo, há quem conheça muito bem estas águas e faça aqui a sua morada ou o local onde escolhe dar à luz: cachalotes, golfinhos, baleias azuis… todos fazem parte desta “vizinhança” de visita obrigatória.

Se é daqueles que, como nós, foi atrasando a sua visita aos Açores com a desculpa de que “são muitas ilhas para se conhecer em pouco tempo”, asseguramos-lhe que, sendo verdade, esse é um desafio inglório. Nem os próprios ilhéus conhecem a totalidade do seu arquipélago, por isso optámos por saltitar pelas várias ilhas, passando um fim de semana aqui, outro ali.

Gofinho - Quilometrosquecontam

Açores rural

Desta vez vamos até São Miguel, para um encontro marcado com o mar. Ponta Delgada é uma cidade muito acolhedora, onde poderemos encontrar motivos de interesse para entreter qualquer visitante, mas em toda a ilha há uma oferta de turismo rural bastante forte e optámos por ficar perto de Vila Franca do Campo, local de onde iríamos partir para a observação de baleias.

Esta vila perdeu destaque desde os tempos em que a caça aos grandes cetáceos era uma das mais importantes actividades da ilha, mas guarda um charme muito especial e sabe bem receber o visitante. Tivemos a sorte de experimentar as lapas e a morcela com ananás do “Atlântico” (Avenida Vasco Silveira 10), restaurante mesmo em frente ao porto, com uma óptima vista e um atendimento de grande simpatia. Ficou registado na agenda como de “regresso obrigatório”.

Baleias, os gigantes do mar

Em toda a ilha existem diversos operadores especializados na observação de baleias e golfinhos, a Terraazul foi a nossa escolhida, mas na Ribeira Grande e em Ponta Delgada poderá encontrar outras ofertas como a Azores Adventures ou a Living Tours.

Qualquer altura do ano é boa para esta actividade, sendo que poderemos encontrar sempre as espécies que aqui vivem e, conforme as épocas, as que por aqui passam em migração. A baleia azul, o maior de todos os mamíferos por exemplo, é vista aqui por alturas da primavera, acompanhada pelas baleias sardinheiras e de barbas. No verão passam as baleias piloto e os golfinhos pintados. É um desfile que assegura que, durante todo o ano, há sempre motivo para nos fazermos ao mar.

O passeio começa com uma mensagem do vigia que, em terra, observa a costa e comunica aos barcos por rádio a informação da localização dos grandes cetáceos. Em seguida, os barcos dirigem-se para o ponto determinado e começa o deslumbramento. Ainda ao longe, avistamos o famoso repuxo que assinala que ali, mesmo para onde vamos, está um daqueles “monstros” que só conhecemos dos documentários de vida selvagem.

Quando um cachalote decide subir à tona e deixar-se admirar, a visão é estrondosa e deixa-nos um misto de receio e euforia. Faltarão sempre palavras para descrevermos a sensação. Afinal, é um habitante de um mundo alienígena que ali vemos, um sinal que nos recorda o pouco que conhecemos do nosso próprio planeta. Tente imaginar uma uma recordação mais perfeita para guardar do seu fim de semana…