Parques Naturais para descansar em família

Prosseguimos a viagem pelos 14 Parques Naturais de Portugal, para visitar com as suas crianças. Quais os pontos de interesse para levar os mais pequenos?

Prosseguimos a viagem pelos Parques Naturais de Portugal, para visitar com as suas crianças. Quais os pontos de interesse para levar os mais pequenos, num belo fim de semana?. Afinal, os espaços naturais são cada vez mais relevantes, quer no contexto internacional como nacional. São destinos turísticos em que a existência de valores naturais e culturais constituem atributos indissociáveis do turismo de natureza.

Parque Natural de Montesinho

O Parque Natural de Montesinho (PNM) fica no Alto Nordeste transmontano, abarcando a parte setentrional dos concelhos de Bragança e Vinhais, fazendo fronteira a nascente, norte e poente com Espanha, junto ao magnífico Parque Nacional Peneda-Gerês.

Entre Bragança e Puebla de Sanabria, com o místico Rio D´Onor no meio, Parque Natural de Montesinho é uma região quase intocada. É um destino fantástico para mais tarde recordar em família. Sem dúvida, para ficar, pode optar por Bragança ou uma das muitas ofertas de turismo rural disponíveis.

Com a miudagem aproveite para fazer passeios equestres, pedestres, em BTT e até canoagem. Se, de seguida, optar pelo turismo rural fica mais perto de aldeias como Gimonde, França ou Gondosende. A oferta é variada e inclui casas rurais, bungallows e até um parque de campismo. Nos passeios com as crianças deslumbre-se com as paisagens transmontanas composta por sobreiros e amendoeiras e por onde voam garças, abutres do Egito, águias-real, cegonhas negras. Eventualmente, poderá ter a sorte de vislumbrar corços, veados, javalis, raposas ou lobos.

Em determinadas alturas do ano, a paisagem é marcada pelos rituais do Homem. É o caso das “Festas dos Rapazes” da Lombada, por altura do Natal e dos Reis, ou dos Caretos no Carnaval.

Parque Natural do Litoral Norte

Junto ao Oceano, na região de Esposende, o Parque Natural do Litoral Norte (PNLN) entende-se ao longo de cerca de 16 quilómetros, entre a foz do rio Neiva e a zona da Apúlia. O espaço abrange parte das freguesias de Antas, Apúlia, Belinho, Esposende, Fão, Gandra, São Bartolomeu do Mar e Marinhas.

O parque, criado em 1987, visa contrariar as agressões diversas que aquela costa tem vindo a ser alvo. Afinal, este sistema dunar importa preservar e irá contribuir para a fixação de uma linha de costa.

Aproveite para passar um dia numa das várias praias de rio e de mar, para ver recifes, dunas, o cabedelo do rio Cávado, lagunas costeiras, zonas de pinhal, algumas manchas de carvalhal e ainda campos agrícolas junto aos limites norte e sul. Para além de inúmeras ribeiras que desaguam diretamente no mar, os principais cursos de água que atravessam o Parque são os rios Cávado e Neiva, o primeiro com um estuário de maiores dimensões e ambos com a foz no oceano.

Parque Natural do Alvão

Na zona de transição entre o Minho e Trás-os-Montes fica o Parque Natural do Alvão (PNAl). Divide-se entre os concelhos de Mondim de Basto e Vila Real. Segundo o Instituto de Conservação da Natureza, as Fisgas de Ermelo constituem uma das paisagens geomorfologicamente mais interessantes do Parque.

É aqui que se ergue uma “uma imponente barreira quartzítica” que “obriga o rio Olo a correr enfisgado e origina um desnível de cerca de três centenas de metros por onde o mesmo se precipita formando uma atraente queda de água”, descreve magnificamente o ICN. Em conclusão,“o retalhado das falhas, a grandeza do desnível e o tom amarelado das rochas, fruto da presença de líquenes amarelos, conferem ao conjunto um poder e atração evidentes”.

Foi este monumento natural, junto à Serra do Alvão que levou de facto à criação, 1983, deste parque. A serra está junto ao Marão, uma área com formações xistosas do Silúrico de grande interesse paisagístico e geológico. O rio Olo é povoado por trutas e lontras. No local, a avifauna é abundante e diversificada incluindo, a águia-real. Entre os mamíferos encontra-se javali, o corço, o texugo, a lebre e o coelho. Similarmente, há répteis diversos e uma flora e vegetação ricas e diversificadas.

Além da natureza, dê a conhecer aos seus filhos a arquitectura tradicional de alguns dos seus povoados, sobretudo em Ermelo e Lamas de Olo, onde ainda persistem aspetos sociológicos, artesanais e paisagísticos de grande interesse, sem esquecer Fervença, com a sua zona agrária verdejante e formosa, disposta numa sucessão de socalcos.

Parque Natural da Arrábida

O Parque Natural da Arrábida está assente na cadeia montanhosa da Arrábida e área marítima adjacente, ocupando uma superfície de aproximadamente 17 mil hectares, dos quais mais de 5 mil são de superfície marinha, abrangendo território pertencente aos concelhos de Palmela, Sesimbra e Setúbal.

A estrada que nos leva de Setúbal até ao Portinho da Arrábida é um encontro com um belíssimo trecho da paisagem marítima portuguesa a que dá sempre vontade de regressar. Inegavelmente, são 12 quilómetros de linha de costa que segue a serra da Arrábida até ao mar. O Portinho da Arrábida é um dos locais a não perder, especialmente agora que o estacionamento foi ordenado e se promovem os transportes públicos. A terra é minúscula, não terá mais do que duas dezenas de casas, mas construiu-se de uma forma muito charmosa na escarpa que desce até ao mar, com uma série de moradias verdadeiramente deliciosas. É um sítio tranquilo, quando não está demasiado ocupado.

Aproveite esta passagem pela região de Setúbal para apreciar uma das magníficas caldeiradas aqui cozinhadas ou, se estiver disposto a meter-se no barco, o Tróia Design Hotel tem uma excelente e sofisticada carta para apreciar de frente para a baía.

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina

Prosseguindo para Sul, chegamos ao Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) que se estende desde São Torpes, a sul de Sines, até ao Burgau, já na costa sul algarvia. É uma faixa marítima de dois km de largura que acompanha a Área Protegida em toda a sua extensão. Abrange assim os concelhos de Aljezur, de Odemira, de Sines e de Vila do Bispo.

Pode tirar partido de uma de duas rotas distintas, o trilho dos pescadores e o tradicional Caminho Histórico. São mais de 200 quilómetros que, embora sejam um percurso pedestre, atravessa locais, povoações e paisagens que podem também ser conhecidas de carro.

Visite o Cercal do Alentejo, em Santiago do Cacém, e partilhe a história com os seus filhos. Aqui pode ver edifícios históricos como a Casa dos Azulejos Verdes, a Ermida da Fonte Santa ou a Ponte Romana. Não hesite em experimentar especialidades alentejanas como as migas ou a açorda de bacalhau, bem como o insubstituível gaspacho. E não deixe de passar por Porto Covo,  linda o suficiente para esquecermos as partes mais áridas.

Costa vicentina

Parque Natural do Vale do Guadiana

Quase a terminar, o Parque Natural do Vale do Guadiana situa-se no vale médio do rio Guadiana, em território pertencente aos concelhos de Mértola e Serpa, possuindo um evidente interesse faunístico, florístico, geomorfológico, paisagístico e histórico-cultural.

São 42 quilómetros que separam Foz de Odeleite de Alcoutim. O rio faz a separação perfeita entre Portugal e Espanha. São quilómetros para desfrutar em família, longe do rebuliço das praias.
Os seus olhos vão descansar sobre biótopos diversos que conferem à região uma biodiversidade que merece ser preservada. A saber: margens e leitos dos cursos de água, matagal mediterrânico, afloramentos rochosos, montados, matos, estepes cerealíferas, pousios e alqueives.

Mértola

Parque Natural da Ria Formosa

Eventualmente, o Parque Natural da Ria Formosa (PNRF) remata os parques naturais do país. Situado no sotavento algarvio, está assente numa importante zona lagunar aí existente, que se estende por cerca de 18.000 ha. Inclui a área submersa nos concelhos de Faro, Loulé, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António.

Com os miúdos desfrute das dunas costeiras, do sapal ou da mata. No caso das dunas, existe um magnífico cordão dunar avançado.. Em muitos pontos a crista dunar foi cortada pela ação de ventos constantes já com certa intensidade. Encontram-se vestígios de remobilização das areias, o que traz como resultado a formação de incipientes corredores de vento e esboços de pequenas dunas parabólicas.

Em troços mais abrigados da costa, surgem os sapais. Em estuários, lagunas ou baías, e protegidas do embate das ondas do mar aberto por uma barreira de ilhas ou pontas arenosas. Estão submersas durante a maré alta e ficam a descoberto na maré baixa- Estão ainda entre as zonas mais produtivas da biosfera, porque os nutrientes chegam ali naturalmente, levados pelo movimento constante de fluxo e refluxo das marés. Saiba mais no site do Instituto de Conservação da Natureza. Se preferir um percurso ligeiramente mais urbano, não deixe de visitar Tavira, no Sotavento Algarvio.

Se estes que destacámos agora ficam fora de mão, conheça a restante listagem com os nossos conselhos para os Parques Naturais portugueses a visitar com as suas crianças. Quais é que já visitou? Deixe as suas recomendações nos comentários.