Assalto aos picos da Madeira

A Ilha da Madeira é ainda mais bonita quando a vemos de cima e isso é tarefa fácil com esta rota que nos leva através de miradouros até ao Pico do Arieiro.

Alguns dos pontos mais altos do país estão na Ilha da Madeira e oferecem vistas fantásticas sobre a Pérola do Atlântico. Pico Ruivo, Pico das Torres e Pico do Arieiro são fantásticos miradouros, mas só este último é que é acessível por carro, ficando os outros dois para aventureiros interessados no trekking e escalada. Apesar disso, as estradas da ilha são um prazer para a condução e a Goodyear agarrou no carro e foi descobrir como é que é a Madeira vista de cima.

Dos três pontos mais altos da Madeira, o Pico do Arieiro é o de mais fácil acesso e, a uma curta distância do Funchal, é um dos sítios mais visitados da ilha. Cumprida a partir da cidade, a subida é feita ao longo de 20 quilómetros que nos levam através de um delicioso percurso que mistura as pitorescas casas da região com o cenário verde de uma estrada de montanha.

    Marina do Funchal

    A Baía do Funchal parece acomodar-se entre a serrania que a envolve, dando origem ao famoso “Anfiteatro” que desce as encostas e se estende até ao mar. Vamos começar o nosso percurso na Marina, na Avenida do Mar, para cumprir a ascensão completa. Quando chegarmos lá acima, vamos voltar a olhar nesta direção, mas numa perspetiva completamente diferente. Por isso fixe esta imagem para comparação futura.

    Picos do Barcelos

    Como a pressa é coisa que um viajante não sente, não vamos fazer o percurso mais directo para o Pico do Areeiro e o nosso primeiro destino é o miradouro do Pico dos Barcelos. Deste ponto, a panorâmica sobre o Funchal é de visita obrigatória e permite-nos perceber por onde é que o Homem tem desbravado a sua presença na ilha, com o casario a percorrer toda a encosta, numa mistura de verde e branco.

    Fundoa

    Na freguesia de São Roque, ao cruzarmos o vale da Fundoa, encontramos um misto do antigo e moderno: antiga zona de agricultura, foi tomada por edifícios industriais, mas vale a pena estar atento às pequenas casas que se debruçam sobre altas falésias. O Homem precisou de criar espaço para si na Madeira e, desta vez, não pediu permissão à natureza para assentar arraiais.

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    Igreja do Monte

    Depois de subirmos do vale, está na altura de mais um grande panorama sobre a ilha. É no Monte que encontramos os famosos carros de vime, mas nós vamos em sentido oposto e vamos deixar a emocionante descida para outra oportunidade. Quem sabe no regresso… Para já, aquilo que nos trouxe aqui é, mais uma vez, a vista: a Igreja do Monte é um belo edifício, que cumpre a preceito o estilo arquitetónico da Madeira, e ergue-se em frente a uma mancha verde bem agradável e convidativa ao passeio.

    Terreiro da Luta

    Poucos quilómetros à frente, vamos encontrar o Miradouro da Nossa Senhora da Paz que, mais uma vez apresenta um deslumbrante panorama sobre o Funchal. No local, ao cimo de uma escadaria, ergue-se um santuário que cumpre uma promessa feita pelos madeirenses depois da ilha ser bombardeada por um submarino alemão em 1917.

    Poiso

    Seguindo pela ER103, vamos virar à esquerda no lugar do Poiso. É ponto de passagem para seguir para o norte da ilha, e nós vamos agora prosseguir na direção do Arieiro, não sem antes notar a singularidade desde local: aqui cai granizo e neve, sopra o vento e o nevoeiro é presença conhecida. Apesar disso, aproveite para fazer uma pausa na Casa de Abrigo do Poiso e beber uma poncha: aquece logo a alma com a bebida local feita com aguardente de cana, mel e limão.

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    Assalto ao Pico

    Os últimos quilómetros desde o Poiso até ao Pico do Arieiro são feitos por uma estrada perfeitamente transitável, mas não pise demasiado o acelerador: é quase sempre a direito, mas esconde algumas curvas cegas (como é aliás apanágio nas estradas madeirenses). De qualquer forma, com a paisagem que começa a tornar-se ainda mais visível à medida que a vegetação se torna mais rasteira, não vai ter vontade de andar depressa. Conforme o tempo que se fizer sentir aquando da sua visita, a determinada altura da viagem vai passar a barreira das nuvens e começar a vê-las a partir de cima.

    O Arieiro é uma elevação com mais de 1810 metros e é um dos pontos mais altos a que podemos chegar de carro no nosso país. De fácil acesso, como se pode constatar nos quilómetros que fizemos até aqui, é um dos pontos mais visitados da Madeira. Pode encontrar aqui uma pousada, um café/restaurante, uma loja de turismo e uma estação militar. Arrume a viatura no generoso parque de estacionamento e siga a pé até ao Miradouro do Juncal, onde parece que basta estender a mão para tocar numa nuvem.

    Aqui de cima conseguimos ver uma das mais bonitas vistas da Madeira, mesmo nas zonas em que a encosta se mostra despida, apenas com os ocasionais pinheiros e urzes a salpicarem a paisagem. Há dias em que se consegue ver daqui a Ilha de Porto Santo, mas não fique triste se as condições “só” permitirem observar a Ponta de São Lourenço ou Curral das Freiras. Nas raras ocasiões em que o inverno aperta na ilha, é aqui que os funchalenses são presenteados por alguns flocos de neve.

    E um bónus (só para aventureiros)

    O acesso ao Pico Ruivo (1860m), a terceira montanha mais alta de Portugal, pode ser feito diretamente a partir do Arieiro, sempre a pé, num passeio por vales e encostas que dura cerca de três horas. Se tiver o fôlego para isso, é percurso que vale a pena fazer mesmo que o obrigue a abandonar o carro durante uma tarde. Passa por um cenário lindíssimo, por entre vales e túneis escavados na rocha. Um acesso mais rápido, pode ser feito pela Achada do Teixeira, com a parte final a ser cumprida a pé. O Pico das Torres (1850m) também é acessível por este percurso, e é verdadeiramente impressionante: tudo o que viu até aqui, parece perder relevância porque, esta sim, é uma montanha de respeito. Vai perceber imediatamente como ganhou o seu nome, ao ver as diversas torres de rocha que a natureza criou e perder ao fôlego ao ver a falésia com 1.400 metros de altura. É destino só para ser cumprido por alpinistas e é propício a quedas de rochas.