Piscinas, muito mais do que água prisioneira

22 Julho | 2015 | Goodyear

Já há tempo que as piscinas deixaram de ser aquela alternativa de baixo custo para o verão, lotadas de crianças a gritar enquanto a rádio do vizinho nos rachava os ouvidos. Associadas por muitos com aquelas intermináveis tardes de verão do século XX, eram minúsculos rectángulos de plástico azul que convidavam escasamente a testá-las. Ainda hoje, quando escutamos dum amigo que “esteve o verão na piscina”, assoma um sorriso malicioso nos nossos lábios enquanto o imaginamos num desses tugúrios.

Mas a realidade hoje é que a piscina entrou no mundo do turismo com força, como um aliciente complementar que outorga estilo e charme ao estabelecimento a possui-la. Para trás ficaram os tempos da vergonha: hoje dizer quando chegar Setembro que “estive na piscina mais fixe que já tinha visto” é um símbolo de distinção, como se emergéssemos das fotografias duma revista de decoração.

Acima das 3.000 horas de sol anuais, é claro que Portugal tem de ocupar, por força, um posto no topo das melhores piscinas do mundo. É quase uma necessidade nos locais afastados do mar, mas nem só. Também na nossa costa pode desfrutar-se dum outro modo de passar o verão isolado do mar (e da molesta areia que sempre fica pelo corpo tudo quando deixamos a praia), mas bem apartado do calor.

Não admira que, há dois anos, a Condé Nast Traveller, uma das mais prestigiosas publicações sobre turismo do mundo, declarasse que em Portugal tinham achado dois dos melhores expoentes de piscinas em todo o nosso globo azul. Em locais muito separados, como querendo de propósito abranger toda a longitude do país, os hoteis The Yeatman e Villa Vidro deixaram pegadas inapagáveis para os apaixonados pelas piscinas.

 

piscina -Quilometrosquecontam

 

The Yeatman ergue-se sobre Vila Nova de Gaia com uma piscina em forma de decanter, envolvida aliás por um terraço do que o visitante pode aceder aos jardins. Com a possibilidade de desfrutar de iguarias ou até mesmo um cocktail graças ao lounge, o espaço reforça o seu afã relaxador envolvendo o banhista com o som da água a cair em cascata enquanto perante os seus olhos se desvenda a beleza da cidade, que enche a vista com um panorama mesmo ímpar.

Com menos charme, mas muito apropriada para uma tarde de chuva e calor, uma piscina interior proporciona também umas vistas excelentes enquanto protege o turista das condições atmosféricas adversas. É claro que nem sempre o sol decide fazer uma visita, nem até mesmo em Portugal!

Muito perto do complexo da Vilamoura, no Algarve, encontramos a segunda piscina da lista, na Villa Cidro. Esta é uma aposta mais exclussiva, integrada num conjunto de cinco quartos com espaço para oito pessoas. A piscina, envolta pela edificação por três dos seus estremos, tem uma profundidade máxima de 2,2 metros e é aquecida graças a um sistema solar que funciona durante o ano tudo. As suas águas são salgadas e, banhada pelo sol doce do Algarve, consegue uma sensação de isolamente que faz com que, no breve espaço de desfrute, o mundo inteiro fique reduzido a esse local.

 

Álvaro Siza

Mas a piscina mais impressionante do Portugal não é nenhuma das mencionadas. Aberta novamente para o público no final de Junho, a  Piscina das Marés, na Leça da Palmeira, é o grande contributo do genial Álvaro Siza para esta forma de lazer de verão. Falamos mais num monumento do que numa piscina, e, de facto, foi proclamado Monumento Nacional já em 2011. O local disponibiliza actividades muito variadas e permanece aberto entre as 9 e as 19 h dependendo das condições climatológicas e da afluência de visitantes, que encontram aqui uma diversão assumível e cheia de charme.

Há quem continue a preferir a praia ou o rio sobre um espaço angosto com água constrita. É uma escolha legítima e fácil de compreender, mas decerto que aproximar-nos duma destas piscinas, ou muitas outras que há pelo país, é uma experiência a não esquecer nunca!

Good Year Kilometros que cuentan