Pratos típicos de Lisboa: onde encontrar os petiscos alfacinhas?

Pratos típicos de Lisboa: além das tradições do resto do país, há restaurantes e pratos próprios de Lisboa. Quais são e onde encontrar os mais clássicos?

Portugal tem centenas para não dizer milhares de tradições gastronómicas. Cada pequena localidade tem os seus pratos especiais confecionados à moda daqui e dali. E Lisboa, a capital, não é exceção. Quer em matéria de receitas, quer em matéria de restaurantes para as saborear. Mas afinal, quais são os pratos típicos de Lisboa? Muito sinteticamente: petiscos. Petiscos acompanhados de vinho ou de cerveja e pão. Pão não pode faltar. Caracóis, iscas, pipis, favas, peixinhos da horta… Já começa a apetecer sair para ir ao restaurante mais próximo.

Caracóis

Não estamos na época deles, é um prato típico de verão, mas é sem dúvida uma das iguarias que é do agrado da maioria dos lisboetas. Podem ser facilmente encontrados em doses, de várias dimensões em pequenos restaurantes e cafés, marisqueiras, cervejeiras.

Um dos ex libris para este petisco é o restaurante cervejaria “O filho do menino Júlio dos Caracóis”, em Marvila. A época dos caracóis terminou na primeira semana de setembro. As opções agora são outras: peixe variado e grelhados no carvão, bife aguilho, cozido à portuguesa ou massadas de peixe.

Moelas, iscas e pipis

“Há moelas e pipis”. Lê-se nas portas e montras de dezenas de tascas, cafés e restaurantes em Lisboa. Os pipis são miúdos de galinha estufados com molho rico de tomate, cebola e alho. As Moelas são uma iguaria que tem por base um pequeno refogado de cebola e tomate a que se juntam as moelas de galinha ou de pato. A terceira oferta nesta gama são as “iscas com elas”, que combinam fígado de porco salteado com alho e vinho branco ou por vezes em cebolada. As iscas são geralmente servidas com batata frita ou cozida. Em qualquer dos casos, estas iguarias não dispensam o pão para aproveitar o molho.

Um dos locais para provar estas receitas é a Taberna da Rua das Flores, no Chiado. O conceito do espaço inspira-se nas tabernas antigas remetendo para a memória gastronómica. Destes pratos, o destaque, segundo a Time Out, vai para as “iscas com elas” – mas também moelas, pipis, pezinhos de coentrada, etc.–, confecionadas como se fazia no início do século passado. O chef do restaurante explicou à Time Out que o molho das iscas, como manda a tradição, deve levar o baço.

Favas

Tradicionalmente é aquele prato que as crianças não querem comer, mas na prática tal só tem uma consequência: “mais sobra” para os adultos. Tipicamente as favas são guisadas, mas podem ser igualmente cozidas e, opcionalmente enriquecidas com rodelas de chouriço e outras carnes. Outra variante desta identidade culinária de Lisboa é a sopa de fava rica. As favas colhem-se em Junho, pelo que a época destas iguarias também já passou. Mas, as vantagens e as desvantagens que o desenvolvimento e a inovação trazem são muitas. E do lado das vantagens está a possibilidade de poder comer favas em qualquer época do ano.

Pode aproveitar e fazer uma visita ao Castelo de São Jorge para comer favas com enchidos. O restaurante é o Eurico, no Largo de São Cristóvão. Mas não se aventure a ir de propósito para comer favas. Diz a Time Out que é melhor ligar antes para saber se “hoje há favas?”. O prato vem numa travessa bem aviada de enchidos, toucinho e coentros ou numa dose mais pequena e mais em conta, ideal para quem não tem com quem partilhar.

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Bacalhau

E podíamos continuar. O bacalhau – nas versões pataniscas ou pastéis – é um acepipe para entrada. Já como prato principal pode ser servido à Brás com cebola, batata palha, ovos mexidos, salsa e azeitonas pretas ou na versão meia desfeita, com lascas de bacalhau e grão. O bacalhau está historicamente ligado à gastronomia portuguesa, e de Lisboa em particular, desde os tempos em que os pescadores descobriram como salgar e preservar o bacalhau, durante as suas viagens desde os mares nórdicos até Lisboa. Ou não existisse em Lisboa, uma rua dos Bacalhoeiros.

Para provar estas iguarias pode escolher o restaurante Laurentina, o Rei do Bacalhau, um estabelecimento que funciona desde 1976. O ambiente é acolhedor e o bacalhau é confecionado de “mil e uma maneiras”, como diz o ditado.

Peixinhos da horta

Os peixinhos da horta são um petisco vegetariano, que nada tem a ver com as novas tendências gastronómicas. É feijão verde envolto numa fritura. De peixe não tem nada. Pode ser servido como entrada ou como prato principal, com ou sem maionese.

E onde se podem comer peixinhos da horta em Lisboa? Por exemplo no Pap’Açorda. Esteve várias décadas no Bairro Alto e após 35 anos mudou-se para o primeiro piso do Time Out Market, em Lisboa. Está aberto de terça a sexta-feira do meio dia às seis da tarde.

Ovos verdes

Os ovos devem ser cozidos durante 10 minutos. Depois de retirada a casca, partem-se longitudinalmente. Retiram-se as gemas e espagam-se numa tigela com miolo de pão amolecido em leite, salsa picada, sal e pimenta. Depois é rechear os ovos, passar por ovo batido e pão ralado e fritar.

No Mesa do Bairro, na zona das avenidas novas em Lisboa, pode provar esta especialidade alfacinha. É um espaço agradável, forrado com madeira e com boa luminosidade a que acresce uma excelente garrafeira.

Sardinha assada

Mais um prato sazonal: as sardinhas. Tal como as favas é em junho a época delas, embora por motivos distintos. É que nessa altura chegam à costa mais gordinhas e saborosas. Uma boa brasa, sardinhas frescas, sal grosso e vinho ou cerveja para acompanhar e está feita a festa.

Idealmente pode ser comida nos arraiais de junho, um pouco por toda a Lisboa, por ocasião dos santos populares, mas há muitos estabelecimentos que preparam as sardinhas a preceito.

É o caso da Tasca Zé dos Cornos, na Mouraria, onde existe um ambiente familiar e adequado a jantaradas de grupo. As sardinhas estão disponíveis essencialmente no verão. No resto do ano, as opções passam por secretos de porco, chocos, robalinhos e douradas.

Bife com molho à café

As cervejarias em Lisboa são apenas alguns dos locais onde é possível comer um bom bife com molho à café. Os bifes tradicionais dos cafés de Lisboa são compostos por caldo feito com ossos e aparas de carne e natas – mostarda ou manteiga. Acompanham com batata frita e, claro, pão. Porque não se pode desperdiçar o molho.

Um dos locais em Lisboa para comer um bom bife com molho à café é a cervejaria Ribadouro. A afluência obriga geralmente a reserva. O serviço é informal e atencioso. Vizinha do Parque Mayer – e próxima de espaços de espetáculos como o Tivoli, o São Jorge, o Politeama ou o Coliseu, foi criada em 1923. É para aí que converge o público após os espetáculos.

E poderíamos continuar a listar pratos e receitas e locais para os provar. Faltam ainda os pastéis de massa tenra, o peixe e o marisco fresco, e, claros as sobremesas. Mas julgamos que já tem bastante com que se entreter a passear pelas ruas de Lisboa, a tomar contacto com o património gastronómico de uma cidade com séculos de história, a provar pratos típicos de Lisboa.