Primavera no Algarve. À descoberta das mais belas paisagens

18 Março | 2019 | Goodyear

Primavera no Algarve. Como é a Primavera no Algarve?. Fomos à descoberta das mais belas e floridas paisagens do sul do país. Afinal, há mais que praias no Algarve.

O “Ocidente”. É esta a origem do nome Algarve, um termo árabe que só fazia sentido para quem estivesse, por exemplo no Mediterrâneo, muito antes da fundação da nacionalidade. Era, no fundo, o local onde o Sol se punha.

Para quem vivia a norte, por terra, seria um nome que pouco sentido faria. Afinal, porquê chamar Ocidente a algo que ficava a Sul? Mas, não obstante a estranheza, o nome acabou por se manter após a reconquista cristã até hoje.

A distância das zonas mais povoadas, a norte, acabou por se traduzir numa entidade política própria. Num primeiro momento não foi absorvida pela expansão do reino de Portucale, como explica José Mattoso, num livro publicado a propósito da realização da Expo’98 em Portugal.

Os falares locais são também diferentes, bem como a agricultura, dominada por hortas, laranjais, pomares de figo, alfarroba e amêndoa, ou a arquitectura e construção. Os edifícios distinguem-se de outras regiões do país pelos terraços, açoteias e chaminés decoradas.

E claro, a natureza. E é este o tema desta rota. O sistema ecológico da orla costeira apresenta uma biodiversidade espantosa com aves autóctones, ninhos, moluscos e crustáceos. O ambiente convida a passeios e à observação das mais belas paisagens da região.

Vila Real de Santo António

Transalgarviana
Como tem de se começar por algum lado, comecemos junto à fronteira. O sotavento algarvio pode começar em Vila Real de Santo António. Pode ser o ponto de partida ou de chegada da chamada rota transalgarviana.

Sendo uma povoação pequena, a proximidade com a paisagem é intrínseca. Pouco é preciso andar par encontrar no meio da natureza locais de interesse construídos pelo Homem. Para o efeito existe uma rota pré-definida – de Santa Rita – onde é possível visitar fornos de cal, um dos patrimónios pelo qual a localidade sempre foi conhecida. A revitalização deste elemento patrimonial, que dava origem à cal tão característica da brancura das habitações locais, foi uma mais valia para a região.

Visite também a Fonte e o Poço Velho, onde as populações iam buscar água para consumo pessoal, mas também para os animais. E, como a presença humana no local é ancestral, aproveite para conhecer o túmulo Megalítico de Santa Rita, um testemunho da vida no local há 4500 anos, e a Barragem Romana da Ribeira das Hortinhas, edificada nos séculos V ou VI. Mais recente é a Ermida de Santa Rita, datada de 1740. Aproveite os meses entre maio e julho para visitar a região, altura em que se realizam as festas em honra daquela Santa.

As laranjeiras são outro símbolo da região em particular, do Algarve no geral. Aproveite para visitar a nora das laranjeiras que inclui o pomar, o tanque, o aqueduto, os muros de delimitação e o portal de acesso ao pomar, do século XIX, em excelente estado de conservação. Estes são apenas alguns dos motivos para passar por Vila Real de Santo António. Não deixe ainda de visitar o moinho de vento do Arife, recentemente recuperado.

Tavira

As serras Algarvias, uma rota por miradouros e cascatas

Ainda no Sotavento algarvio, em Tavira, a primavera é tratada com especial carinho. Há vários anos que a Autarquia promove o programa “Viva a Primavera”, para celebrar a renovação da natureza. A cidade histórica tem uma fachada de rio e cheio a maresia. O centro é pitoresco e popular.

Mas, nas redondezas reside a magia. Os ecossistemas e habitats naturais são variados e magníficos, comportando uma enorme biodiversidade. Além das praias, a partir de Tavira pode visitar o Parque Natural da Ria Formosa, um dos locais em Portugal com maior potencial ambiental.

O PNRF, um dos 14 parques naturais/nacionais de Portugal, assenta numa importante zona lagunar aí existent e, que se estende por cerca de 18 mil hectares, incluindo a área submersa nos concelhos de Faro, Loulé, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António.

Um dos atractivos da zona são as dunas e os sapais, estes a coberto durante a maré alta e a descoberto na maré baixa. Os sapais são das zonas mais produtivas da bioesfera graças ao movimento de fluxo e refluxo das marés. Saiba mais no site do Instituto de Conservação da Natureza.

A natureza e a primavera não se ficam por aqui na região. Visite ainda o Parque de lazer do perímetro florestal da Conceição de Tavira e a Serra do Caldeirão.

Olhão


Em Olhão, poderá optar por entrar no mar. É primavera. É a altura das crias nascerem, incluindo as crias de golfinhos. Aliás, um dos maiores atractivos de Olhão, além das praias, é mesmo a Ria Formosa, um autêntico paraíso dos apreciadores da natureza.

Na zona há várias empresas familiares que o podem levar a fazer um passeio inesquecível entre os golfinhos que percorrem a costa nacional durante todo o ano. Por exemplo, a empresa de ecoturismo, Rota das Ilhas, da vila piscatória da Culatra, apresenta uma perspectiva totalmente diferente do já referido Parque Natural da Ria Formosa.

Conhecedores do local, os promotores incluem nas suas atividades uma “forte componente didática e de sensibilização ecológica”. Partilham apaixonadamente com os visitantes tudo o que sabem sobre a gastronomia, fauna, flora, cultura e história da região. Esta e outras empresas levam ainda os turistas a conhecer as aves que habitam no Parque Natural da Ria Formosa, apreciar uma vista privilegiada sobre a costa algarvia e claro, desfrutar de uma das sete maravilhas da natureza em Portugal.

Faro

Crianças em Faro

Pode ser a capital da região, mas também tem a sua magia primaveril. O distrito de Faro tem uma grande extensão. E, praticamente todos os caminhos acabam por ir dar à Ria Formosa.

Ao sair de Faro pode rumar para o interior na direção de Estoi. De costas para o mar, podemos passear pela história nas ruínas romanas de Milreu. O estado de conservação é surpreendente, especialmente no caso do templo paleocristão situado no zona do complexo. É uma delícia para os apaixonados pela história mais antiga.

Prosseguindo viagem encontramos o famoso palácio cor-de-rosa, com relaxantes jardins de laranjeiras e palmeiras e um terraço inferior impressionante. Faz parte da rede das Pousadas de Portugal, e é uma séria hipótese para dormir na região de Faro.

Se preferir seguir rumo ao mar, chega à Ria Formosa. Além de todas as aves que poderá avistar, poderá reservar passeios de barco durante quase todo o ano. Aliás, a Ria vai-se modificando ao longo do ano. Na longa língua de terra que marca a extremidade ocidental da Ria, a Ilha de Faro, o restaurante Elementos permite ter uma ótima vista sobre o espectáculo que é a Ria. A vista noturna é fantástica e o mar fica nas nossas costas, se preferirmos longos passeios à beira-mar. Em qualquer dos casos, faça aqui uma pausa porque esta não é a mesma Ilha que conheceu em Agosto.

Loulé

É a terra da Tia Anica e do Carnaval. Mas também tem a sua magia na primavera. Em Loulé recomendamos a toma de uma refeição. Os pratos são variados e, na maioria, centrados nos frutos do mar. Cataplanas e caldeiradas são algumas das sugestões dos visitantes e dos habitantes.

Todos os sábados, até final de junho, poderá visitar o Mercadinho da Primavera no Centro histórico da cidade. Cada edição é focada num tema relacionado com o ciclo da primavera: Artes, Livros e Coleccionismo, Artesanato, Antiguidades e Velharias, Flores e Ervas Aromáticas e Prazeres. O ciclo de Primavera do “Mercadinho de Loulé” encerra no dia 13 de Junho, com um mercado que irá abranger todas as temáticas, na Avenida José da Costa Mealha.

Albufeira

Em Albufeira, as praias são as rainhas. Mas é também o lugar onde fica o Zoomarine, um dos vários parques aquáticos e outros atractivos da região.

O Zoomarine fica na Guia, perto de Albufeira, e além de escorregas, um rio de rápidos e outras diversões aquáticas, tem aves tropicais, jacarés, focas, leões marinhos e golfinhos. O Carrossel Altântida, o comboio Zoomarine Express ou a mini-montanha-russa Búfalo são algumas das opções. Além de se divertir está ainda a contribuir para a conservação da vida dos oceanos, das suas espécies e dos seus habitats, uma das missões do Zoomarine.

Veja outras sugestões sobre a região neste artigo do Quilómetros que Contam.

Silves


Chegado a Silves, a primavera não irá desiludi-lo. Aqui poderá ver a ponte Romana de Silves ou Ponte Velha que para uns é da época romana, para outros é da época medieval, talvez até islâmica.

Talvez seja melhor ir verificar in loco. Siga para o pelourinho de Silves. A coluna é relativamente recente, foi edificada no século passado. Tem, no entanto, integrados fragmentos originais do século XVI como a coroa com elementos em forma de flor-de-lis e os dois ferros.

A Igreja da Misericórdia merece também um pouco da sua atenção. Foi construída para servir a Santa Casa de Misericórdia. O exterior é simples e sóbrio, com o portal de linhas neoclássicas. Na lateral, virada para a Catedral, apresenta uma porta Manuelina. E é mesmo para aí que se deverá dirigir em seguida: a Sé Catedral de Silves. A Sé deverá ter sido erigida sobre uma mesquita e data de meados do século XIII. Os terramotos têm afetado o edifício, classificado como Monumento Nacional desde 1922.

Portimão

Conheça Portimão por terra, ar e mar!

Prosseguindo rumo ao barlavento, chegamos a Portimão. Embora seja um dos destinos favoritos para as férias de verão dos portugueses, há múltiplas atividades desportivas e bom peixe para o levar à localidade, mesmo antes do verão, rumo ao Algarve genuíno.

A pé, por exemplo, a Via Algarviana pode ser acedida através da Mexilhoeira Grande por um percurso que vai entre as hortas e pomares tradicionais.

Vemos as amendoeiras, alfarrobeiras e oliveiras comuns nesta paisagem mediterrânica, mas também muita vida animal. Há águias, abelherucos, e muito mais, que podemos apreciar enquanto descansamos numa sombra ao longo do caminho. Chegados a Monchique, a Via Algarviana pode ser feita quase toda em bicicleta BTT, entre Sagres e Alcoutim.

A visita ao Autódromo Internacional de Portimão é uma obrigação para os fãs. Tem dois kartódromos, um deles para iniciação infantil, experiências com carros de alta cilindrada e cursos de condução. Passam por aqui diversas provas internacionais e o traçado é um verdadeiramente desafiante: uma oportunidade única.

Lagos


Em Lagos pode apreciar o pôr do sol, belíssimos restaurantes e praias de água quente azul-turquesa numa cidade milenar. É uma das localidades mais agradáveis do Algarve.

Tem um misto de antiguidade e juventude que já é raro na região e mantém ainda muito do seu carácter original, as casas brancas e claras ao lado de monumentos históricos. Além, claro, das praias.

Lagos conheceu fenícios, gregos, cartaginenses, romanos e árabes antes da conquista cristã, tendo-se mantido um importante foco da região durante o período dos Descobrimentos.

Para comer, em Lagos, a oferta é muito diversa. O Chico Zé (à entrada da cidade) é uma capelinha de eleição quando a religião é o peixe grelhado. Não usam mais do que sal e carvão, mas o peixe fresco que chega diariamente da lota de Lagos faz toda a diferença.

No centro da cidade também não faltam opções, com a juntar algumas delas, como o Dom Sebastião e o São Gonçalo a apresentarem autênticas iguarias portuguesas. Com uma carta mais “internacional”, o The Garden é um agradável restaurante num jardim da Lançarote de Freitas, e o Saibos fica na Gil Vicente e apresenta também hambúrgueres e pratos vegetarianos.

Vila do Bispo

Sagres, onde a terra acaba e a cozinha algarvia começa

Vila do Bispo e Sagres são dois lugares que não pode deixar de visitar neste passeio de primavera. Poderá pernoitar no Martinhal Sagres Beach Family Resort Hotel, este que foi o primeiro hotel de uma pequena cadeia que abriu recentemente uma nova unidade em Cascais. A vista sobre a praia é espantosa. Além da visita à Ponta de Sagres, uma visita à Vila do Bispo obriga à visita a bela igreja paroquial do século XVI. Nesta vila tem vários locais onde pode tomar uma refeição ou apenas parar para tomar um café.

Visite a recentemente inaugurada Estação da Biodiversidade na praia da Boca do Rio, na praia da Boca do Rio. Foi criado um percurso circular de cerca de dois quilómetros. Poderá percorrer cerca de quilómetros. E, após a subida pela arriba calcária chegará a uma zona dominada por matos mediterrânicos, com vista para o Atlântico, praia da Salema e Paul da Lontreira.

Odeceixe

Terminemos esta rota, saindo do Algarve por Odeceixe. É aqui que começa (ou acaba) a Costa Vicentina. Aqui a natureza foi preservada e as paisagens são imponentes. A área está incluída no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV) que se estende desde São Torpes, a sul de Sines, até ao Burgau, já na costa sul algarvia. É uma faixa marítima de dois km de largura que acompanha a Área Protegida em toda a sua extensão. Abrange assim os concelhos de Aljezur, de Odemira, de Sines e de Vila do Bispo.

Vale a pena partir de Odeceixe para visitar o Algarve nesta primavera que está prestes a começar. Os passeios na praia são agradáveis, afinal, as praias sucedem-se. Umas com extensos areais, outras enquadradas em arribas de xisto e calcário. O som do mar, acompanha a visita como se de uma banda sonora se tratasse.

Nesta última etapa, não deixe de visitar a Igreja da Nossa Senhora da Piedade, edificada nos séculos XIV e XV. A Adega-Museu de Odeceixe é um espaço museológico que deve integrar a sua visita pois aqui é recriado o espaço de uma adega em tudo semelhante ao que existiu outrora nesta zona. A não perder também é a visita ao Moinho de Vento da vila. Ainda funciona e é possível observar o processo artesanal de moagem de cereais. É um dos muitos moinhos ativos ou recuperados para outras atividades que existem em Portugal.

A praia de Odeceixe é uma opção para esta primavera. Uma praia que está dos dois lados de uma ribeira, sendo possível tomar banhos de mar e de rio. Sim, porque nesta altura do ano, já é possível dar uns mergulhos. Poderá então dizer adeus ao Algarve, para voltar assim que possível, de preferência antes da próxima primavera.

Good Year Kilometros que cuentan