As 11 Reservas da Biosfera de Portugal

Quais são as 11 Reservas da Biosfera do país e alguns motivos para conhecer a biodiversidade de norte a sul, nas ilhas e também partilhada com Espanha.

Em Portugal existem onze Reservas de Biosfera, pertencentes à Rede Mundial de Reservas da Biosfera da Unesco. Há cerca de dois anos, estas reservas passaram a integrar uma rede nacional. De norte a sul do país, são muitos os locais mágicos, onde a natureza está sempre presente e o homem faz o possível para assim se manter. A Goodyear apresenta-as.
É objetivo da rede mundial – e também da rede nacional – contribuir para a “proteção, valorização e dinamização do património natural existente no território”, numa perspetiva de “aprofundamento e divulgação do conhecimento científico”, fomentando ainda “o turismo e o desenvolvimento sustentável”.

A rede nacional funciona com base nos princípios fundadores da rede mundial e com o apoio do programa “O Homem e a Biosfera – MAB”. Segundo dados disponibilizados no site do Instituto de Conservação da Natureza, existem, a nível mundial, “669 Reservas da Biosfera localizadas em 120 países, das quais 20 são Reservas transfronteiriças”.

Um top do “melhor” da natureza em Portugal

Em Portugal a primeira reserva foi reconhecida em 1981. É a Reserva da Biosfera Paul do Boquilobo. As mais recentes foram reconhecidas em 2016 (Tejo Internacional, abarcando também território em Espanha e Fajãs de São Jorge, nos Açores) e 2017 (Castro Verde, no Alentejo). Com a criação da rede nacional pretendeu-se aproximar as Reservas da Biosfera, incluindo a participação conjunta em projetos e iniciativas de promoção e divulgação dos territórios.

São as seguintes as Reservas da Biosfera inscritas na Rede Mundial da Unesco: Boquilobo, Corvo, Graciosa e Flores, nos Açores, Reserva da Biosfera Transfronteiriça do Gerês –Xurés (Portugal/ Espanha), Berlengas – Peniche, Santana – Madeira, a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica (Portugal/ Espanha), Fajãs de S. Jorge – Açores, a Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo/Tajo Internacional (Portugal/ Espanha) e Castro Verde.

A primeira reserva

A primeira Reserva da Biosfera portuguesa foi também a única durante muito tempo. O Paul do Boquilobo foi considerado pela UNESCO com Reserva da Biosfera desde 1981. Situa-se entre a confluência do rio Almonda e do rio Tejo, ao longo da junção dos concelhos de Torres Novas e Golegã na parte sudeste da freguesia da Brogueira.

Foi ainda considerada uma “Zona Húmida de Importância Internacional” ao abrigo da Convenção de Ramsar, em 1996. Em 1999, foi também classificada como “Zona de Proteção Especial”.
Esta Reserva da Biosfera é “fértil em caminhos, percursos, trilhos e roteiros” com elevado interesse histórico, cultural e paisagístico. Existe apenas um percurso marcado na Reserva Natural, mas poderá aceder a outros nas plataformas web destinadas a esse efeito.

Rotas para a descoberta

Outra opção de percurso são os “Caminhos de Santiago”, que une Lisboa a Santiago de Compostela e que atravessa o coração de Reserva da Biosfera do Paul do Boquilobo. Ao longo do tempo o percurso tem sido ajusta e, atualmente, os caminheiros podem “desfrutar de uma paisagem única, passando por áreas rurais, agrícolas e da reserva natural” e, naturalmente, “contacto com a natureza e a biodiversidade existente”.

Também poderá optar pela “Rota do Cavalo e do Ribatejo” que lhe permite conhecer o concelho da Golegã “de forma integrada e completa”. Os mais audazes ou curiosos podem ainda envolver-se no jogo de caça ao tesouro dos tempos modernos: “geocaching”. Pelo caminho poderá conhecer alguns dos monumentos e locais de interesse da região como a igreja Matriz da Golegã ou a Casa Estúdio Carlos Relvas; quintas históricas como a Quinta dos Álamos, Quinta da Broa ou a Quinta de Caniços, além da Reserva propriamente dita. Para a prática deste jogo são aconselhados cuidados redobrados para evitar acidentes.

Ao longo do ano, decorrem vários eventos no local como a Feira Nacional do Cavalo em novembro. Maio concentra a maioria dos eventos coma a Expoégua, a Festa do Bodo, na Aziganha, ou a Romaria a São Martinho na Golegã. Regularmente há provas de atrelagem. De quatro em quatro anos tem ainda lugar a Festa da Bênção do Gado, em Riachos, durante o mês de julho.
Este ano, de 28 de setembro a 7 de outubro não perca a Feira Nacional dos Frutos Secos em Torres Novas.

Maravilhas nos Açores

Pela sua inacessibilidade, as ilhas são propícias à criação de Reservas da Biosfera. Nos Açores, na Madeira e nas Berlengas são as propostas da Unesco para Portugal. Se se deslocar aos Açores poderá, de uma só assentada, visitar quatro Reservas da Biosfera. São estas as regiões contempladas: Corvo (2007), Graciosa (2007), Flores (2009), e uma das mais recentes, Fajãs de São Jorge (2016). Pode consultar mais informação aqui. Nas Fajãs de São Jorge, os passeios podem incluir a Cordilheira Vulcânica Central, os Morros de Velas e de Lemos, Ponta do Topo, Ponta dos Rosais.

Na Graciosa, foram reconhecidas as “características ambientais, patrimoniais e culturais únicas da ilha”, incluindo significativas colónias de aves marinhas que nidificam nos ilhéus, a Furna do Enxofre, a arquitetura rural e a “Arquitetura da Água”. Destaque ainda para o Ilhéu da Praia no qual foi descoberta recentemente uma espécie endémica, o Painho-das-tempestades-de-monteiro (Oceanodroma monteiroi). É também um local conhecido como “capital do mergulho dos Açores”. Uma opção de atividade económica ambientalmente sustentável.

Por seu lado, a Reserva da Biosfera da Ilha das Flores compreende toda a área emersa da ilha e uma zona marinha adjacente (58.619 hectares), “contendo no seu interior valores paisagísticos, geológicos, ambientais e culturais únicos a nível regional, nacional e internacional”. É aqui que se encontra a maior turfeira da região, um habitat prioritário, associada à maior floresta de Cedro-do-mato dos Açores. São promovidas ações no parque com o objetivo de valorizar a biodiversidade, o turismo e a exportação de produtos locais.

Não obstante a reduzida dimensão da ilha do Corvo, no extremo noroeste do arquipélago, é uma Reserva da Biosfera (uma área total de 25.853 hectares). Combinam-se na região valores ecológicos e ambientais com uma ocupação humana e histórica de dimensão concentrada e reduzida.

Na “Pérola do Atlântico”

Se passar também pelo Arquipélago da Madeira fica com uma mão cheia de Reservas visitadas, pois também em Santana (2011). Aqui, desde o mar até à montanha, “o concelho de Santana oferece-lhe paisagens singulares e pitorescas, vários sabores e pessoas que o recebem com o sorrido no rosto”.

A região disponibilizou um roteiro turístico que é uma amostra do que o concelho tem para oferecer, sendo um ponto de partida e deixando o resto programa ao seu critério: um espaço “para a aventura e para a descoberta. O roteiro inclui as Casas de Colmo, percursos pedestres, programas de observação de aves ou de estrelas, geocaching, artesanato, entre outros motivos de interesse.
Finalmente, o Arquipélago das Berlengas que é, desde 2011, uma Reserva da Biosfera. A ilha Berlenga e o arquipélago que a circunda (ilhéus das Estrelas, Farilhões e Forcadas e recifes circundantes), a 5,5 milhas náuticas de Peniche, já somava várias classificações de proteção, em 2011, quando foi também classificada como Reserva da Biosfera . É ainda uma Reserva Natural, integra a Rede Natura 2000 e é também uma Reserva Biogenética.

“Cascatas do Tahiti”

A meias com Espanha

Três das Reservas da Biosfera lusas são partilhadas com o país vizinho. A nível mundial há apenas 16 Reservas da Biosfera Transfronteiriças. Este é um excelente exemplo de cooperação com Espanha e que salienta a importância do trabalho em rede, resultante do contacto, partilha e troca de experiências de uma Rede Mundial.

A primeira Reserva da Biosfera Transfronteiriça foi aprovada em 2009 e localiza-se em Gerês – Xurés. A segunda, a da Meseta Ibérica, foi aprovada em 2015 e localiza-se no Nordeste Transmontano. O território desta Reserva abrange um total de 87 municípios, sendo 12 municípios no território português. Tem uma Área Total de 1.132.607 hectares e uma densidade populacional de 14 habitantes por quilómetro quadrado. A Reserva da Biosfera Tejo/Tajo Internacional é a mais recente Reserva Transfronteiriça entre os dois países, desde 2016.

Fica na parte ocidental da Península Ibérica, entre Portugal e Espanha, com o rio Tejo como eixo principal. A área é caraterizada por relevo acentuado e baixas altitudes. A vegetação é composta por formações de sobreiros e manchas de arbustos, áreas cultivadas e pastagens. A fauna é mediterrânea, incluindo espécies raras. Aqui podem avistar-se a águia imperial ibérica, a águia de Bonelli, a cegonha-preta, o abutre-preto ou a lontra.

A mais recente no Alentejo

Castro Verde é a mais recente Reserva da Biosfera nacional, desde 2017. “Tem uma paisagem pouco acidentada, de vegetação parca, solos xistosos e terras claras, a região de Castro Verde é o coração do Campo Branco. O coberto vegetal esclerófilo, de folhagem dura, caracteriza-se por manchas raras de azinheiras, alguns sobreiros e pequenas cercas de olival”.

Reservas da Biosfera: alerta geral

Quando visitar Reservas da Biosfera ou quaisquer outras áreas protegidas, por natureza locais privilegiados para a realização de atividades de animação e lazer é fundamental ter sempre em mente que é um lugar que de preservação da natureza, pelo que existem regras básicas para não perturbar a fauna e a flora e o ecossistema em geral. Informe-se das regras de visitação específicas de cada local ou atividade antes de se lançar à aventura. Afinal, é a segurança da Reserva da Biosfera, mas também a sua que está em causa.