Páscoa em Portugal: em procissão pelas estradas do país

Venha com a Goodyear numa rota pela Páscoa em Portugal, de norte a sul, de aldeia em aldeia, à procura das tradições que marcam a Semana Santa.

A Páscoa, em Portugal, é um mosaico de tradições que combina as origens católicas do país com celebrações populares de origem ainda mais ancestral.

De norte a sul do país, ainda são as procissões e outras cerimónias a recordar a Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Mas, o povo aproveita o fim da Quaresma para comer, beber e conviver.

O inverno terminou e a paisagem prepara-se para a renovação. É altura de limpar a casa, esperar pela visita do padre e acabar à mesa com doces, amêndoas e licor. Siga-nos numa procissão pelas mais tradicionais celebrações da Páscoa em Portugal e outras nem tanto.

Este ano, a Páscoa celebra-se a 21 de Abril. Mas, antes disso, termina a Quaresma. O Domingo de Ramos celebrou-se a 14 de Abril, dando início à semana santa. A 19 de abril tem lugar a sexta-feira Santa, dia da Paixão de Cristo. As celebrações da paixão e ressurreição de Cristo têm o seu auge no já referido domingo, 21 de Abril.

Cristelo-Covo

A Páscoa em Valença celebra-se com a romaria à Senhora da Cabeça, na segunda-feira a seguir à Páscoa. A tradição visa aproximar as duas margens do rio Minho. Portugueses e espanhóis celebram em conjunto. Os festejos tradicionais começam com o Lanço da Cruz.

No final, a procissão parte, da Igreja Paroquial de Cristelo Covo, em direcção à Senhora da Cabeça. Junto ao Rio, devotos aguardam que a Cruz e Compasso entrem na embarcação principal, que é acompanhada por muitas outras embarcações. É um cortejo único em direcção à margem galega, onde muitos aguardam a chegada dos visitantes para beijar a Cruz.

O ambiente é assinalado pelo toque de bombos, tambores, gaita-de-foles e foguetes. As redes são abençoadas e os pescadores lançam-nas ao rio. O fruto da pesca é oferecido ao pároco. No regresso, o padre de Espanha atravessa para a margem portuguesa também com a sua Cruz e Compasso para as dar a conhecer aos minhotos.

Braga


Em Braga acontece a, provavelmente, maior celebração da Páscoa em Portugal. Visitantes de todo o país e também da vizinha Espanha, em particular da Galiza, deslocam-se à cidade para celebrar a ocasião.

São inúmeras procissões, sete igrejas envolvidas – que podem ser visitadas na quinta-feira Santa – e ainda oito calvários um pouco por toda a cidade. O calendário do Lausperene e muita outra informação está disponível no site desenvolvido especificamente para as celebrações da semana Santa em Braga. O calendário do Lausperene refere o dia e a igreja em que está o Santíssimo exposto à adoração dos fiéis.

As celebrações já começaram há algum tempo, mas o auge é atingido na Semana Santa com procissões como a Trasladação da imagem do Senhor dos Passos, no sábado antes de domingo de Ramos, a Benção e a Procissão dos Ramos, a Procissão dos Passos, no domingo de Ramos, entre muitas outras, incluindo a procissão do Enterro do Senhor.

Montalegre

No sábado que antecede a Páscoa realiza-se, em Montalegre, a Queima do Judas. É uma tradição com vários anos que conta com a participação de particulares, associações e instituições do concelho. Não é a única localidade em que se realiza este ritual que, noutros locais, se chama “Queima do Velho”. Também é celebrado no Brasil.

Além da celebração religiosa, em Montalegre, queimam-se os espantalhos (os Judas) no sábado de Aleluia. Estes espantalhos personificam as coisas más que se querem afastar. É deste modo misturada a sátira com a celebração da primavera,

Algoso


Em Algoso, no concelho de Vimioso, é a “Encomendação das Almas” que se repete todas as sextas-feiras da Quaresma. A celebração consiste num pequeno grupo de religiosos circula pelas ruas da aldeia, depois da meia-noite, a entoar cânticos que recordam os mortos.

Estão bem cobertos e protegidos do frio por pesados capotes. São, no entanto, uma visão insólita e até sinistra. Ainda assim, os aldeões abrem-lhes as portas para oferecer um copo de vinho ou um chouriço para entreter o estômago até ao fim da noite. Na quinta-feira Santa, é dia de visitar todos os locais religiosos da aldeia e adornar os pequenos santuários com colchas brancas e flores.

Vila Verde


Descendo para Sul, chega-se ao Douro. Em Vila Verde celebra-se o “Cantar das Almas”. Neste ritual, os “encomendadores” fazem uma grande roda e, interrompendo o silêncio instalado na aldeia, cantam súplicas para a salvação das almas. O grupo percorre as ruas da aldeia e a noite termina em frente à igreja Matriz. Realizam-se também as celebrações de Páscoa mais tradicionais.

Entre-os-Rios

Separados pelo Tâmega, Torrão e Entre-os-Rios, repetem uma tradição já com 300 anos, na qual a imagem do Senhor dos Paços é “roubada” de Entre-os-Rios pelos habitantes do Torrão. Na quarta-feira à noite, depois de todas as luzes das duas localidades se apagarem, acendem-se milhares de velas em ambas as margens, nos barcos ancorados, nas janelas das casas ou na ponte que o atravessa. Na noite de quinta-feira, a figura é levada em procissão de regresso à sua morada habitual.

Seia


Também a Serra da Estrela celebra, à sua maneira a chegada da primavera, por isso não é surpresa que a região conserve tradições que recordem os rituais da renovação da natureza, apesar da religiosidade ser também a tónica dominante.

Na Páscoa, em Loriga, há muito que é um motivo para juntar a comunidade na preparação da festa, a enfeitar fachadas, a recolher ramos ou a cozinhar o bolo negro e as broinhas.

No Domingo de Ramos realiza-se a procissão de manhã e a Via Sacra dos homens e jovens à noite. As madrugadas de domingo durante a Quaresma incluem a “Ementa das Almas”. O “Enterro do Senhor” é o momento alto da sexta-feira Santa, quando a Irmandade das Almas sai à rua com capas e capuzes pretos, acompanhada pela população em silêncio e de velas na mão.

Campo Maior


A recordação do milagre da Nossa Senhora da Enxara ocorre também no fim-de-semana da Páscoa e Campo Maior aproveita para celebrar ambos os eventos. Conta-se que Nossa Senhora apareceu a uma criança e deixou uma pedra com a sua imagem no local onde, mais tarde, os populares construíram uma capela. É este o local, perto da aldeia de Ouguela, que recebe as celebrações da Semana Santa, com uma missa campal, uma procissão, touradas, concertos e carrosséis.