Rota do pinhão: um fruto cada vez mais procurado

13 Março | 2019 | Goodyear

Estamos na época do pinhão. A época da apanha das pinhas, onde se escondem os pinhões, decorre nos meses de inverno, de 1 de Dezembro a 31 de março. É um produto de excelência, mas caro. Sabe porquê? E sabe onde encontrar os melhores. Coruche é um dos locais.

Historicamente, o pinhão, fruto, cor de marfim, também chamado ouro branco, era colhido manualmente. Aliás, como tudo o que é proveniente da natureza. Desde os anos 1950 passou a ser tratado de uma forma mais industrial.

É uma iguaria apreciada e bastante cara, que o diga o chef espanhol Martín Berasategui, que recentemente abriu em Lisboa um restaurante de luxo, o Fifty Seconds, no cimo da Torre Vasco da Gama, em Lisboa, como assinala um artigo do jornal público num artigo centrado no pinhão. É, para o chef, “o produto português que mais o impressionou pela qualidade”.

Antes da industrialização do processo eram as famílias que, em casa, abriam as pinhas, tiravam o pinhão da casca e retiravam o miolo. No entanto, era um processo difícil de controlar. Segundo o artigo já referido, foi nessa altura que um empresário local, de Coruche, criou máquinas para agilizar o processo e controlar melhor os resultados.

O processo é complexo e implica vários pontos de controlo de qualidade para que, no final, só passem os que estão perfeitos. Afinal, apenas 3% do produto de uma pinha é miolo de pinhão.

Uma das principais zonas produtoras de pinhão do país, fica na região de Coruche. É um processo manual, complicado e acarreta riscos, o que encarece o produto. Por exemplo, antes de conhecer o pinhal, é impossível saber qual será a quantidade de pinhões que cada pinha tem. Não só varia com o pinhal, mas também com a meteorologia. É que nos anos mais secos, a produção é afectada.

Como escolher o melhor pinhão?

Há pinhões portugueses e importados. O mais caro é português, que ronda os 84 euros por quilo nos hipermercados. A produção nacional representa cerca de 5% da produção mundial. Os principais produtores são a China, Paquistão, Coreia, Rússia. Com produções mais reduzidas está também Espanha, Itália e a Turquia, como refere o mesmo artigo do jornal Público.

O pinhão de Portugal é da variedade Pinus Pinea ou mediterrânico, considerado de qualidade superior aos restantes. É mais alongado, semelhante a uma lágrima e cor de marfim.

Mas há outras duas variedades com peso a nível mundial: o Pinus Koraiensis (da China e Coreia), mais curto e arredondado de cor mais branca, e o Pinus Gerardiana (Paquistão), mais fino e direito. Encontra-se principalmente na zona litoral abaixo do Tejo, mas também um pouco junto à fronteira, na zona do Guadiana.

Qualidades do pinhão

O pinhão é um fruto seco saudável, em particular o mediterrânico. É rico em proteína e tem maiores concentrações de vitaminas e minerais que outras espécies. Tem também menos hidratos de carbono e gordura que as outras variedades.

O pinhão é geralmente consumido como aperitivo, havendo poucas receitas que o incluem. O prato mais conhecido é a pinhoada, da zona de Alcácer do Sal, feita com pinhões e mel.

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Onde comer na região?

Uma vez que poucos locais há para degustar o pinhão, integrado em receitas, tome nota de alguns locais para comer nesta região. Em outubro decorrem as Jornadas de Gastronomia e Sabores do Arroz, nas quais participam vários restaurantes do concelho. Mas essa época ainda vem longe. Por isso, em breve, em Abril/Maio serão os Sabores do Toiro Bravo a chamar visitantes ao Parque do Sorraia e Praça de Touros de Coruche.

Os pratos tradicionais da região incluem ainda a açorda de sável, o arroz de entrecosto, as migas de batata com carne de porco, a favada com nacos de vitela brava, o arroz-doce, o nógado de pinhão e mel ou as arreias do Sorraia.

Sugerimos, tal como o jornal Público, a visita a restaurantes como o Coruja Chef, na Quinta de São Martinho, O Farnel, em Coruche, onde se destaca o Bacalhau à Farnel; e o Sabores de Coruche, onde há cachaço de touro bravo com grão e lombarda e o incontornável arroz doce.

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